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É um tanto triste saber que, respectivamente para o público de hoje, muitos só conhecem ou vieram conhecer o ICÔNICO personagem Predador através dos vergonhosos filmes Alien vs Predador ou Alien vs Predador 2 (mesmo veneno). Talvez esqueçam que esses terríveis espécimes de spin-offs viriam só ser meros bebedores da fonte de grandiosidade de um pouco esquecido clássico dos anos 80, estrelando ninguém mais ninguém menos que Arnold Schwarzenegger em seu ápice, no filme que pode ser considerado, com toda a razão, o perfeito filme de ação dos anos 80!

Sua simples trama já é um beneficio para solidificar o filme como tal, ao vermos esse grupo de soldados brutamontes das forças especiais liderados por um sempre carismático Schwarzenegger, sendo mandados para o mais fundo da selva de Guatemala em uma suposta missão de resgate, mas acabam encontrando um inimigo inesperado e aparentemente invencível, e invisível.

Mas talvez não tanto inesperado quanto possa se imaginar. A própria introdução do filme com uma misteriosa nave chegando na terra, já entregava que o misterioso rival dos mocinhos é de vida alienígena. E se não fosse por essa pequena cena intro, o filme teria enganado o público direitinho em ter feito pensar que estavam assistindo à um típico filme de ação/guerra no melhor estilo anos 80 cafona controlado, metade Comando metade G.I. Joe na selva, recheado de testosterona. Para depois serem surpreendidos com um demônio invisível matando cada um dos personagens um por um das maneiras mais sangrentas e assustadoras possíveis!

E esse projeto que poderia facilmente se tornar um filme slasher B com traços de filme de ação e ficção cientifica, se torna algo MUITO mais especial. Não só graças a presença de um astro como Arnold no papel de protagonista, mas também à direção de John McTiernan, um certo senhor que apenas viria a dirigir um tal de Duro de Matar, assim como seu terceiro filme, e um favorito de muitos: Caçada ao Outubro Vermelho. E McTiernan mostra desde o inicio ao fim como ele entende de ação, ritmo e, principalmente, personagens!

Meu Predador Será Sua Herança

O filme poderia ter facilmente se auto-sabotado e se tornar apenas mais um filme de Arnold Schwarzenegger sendo o astro de ação que é matando levas de inimigos, com esquecíveis personagens em sua volta, mas está LONGE de ser o caso aqui! Arnold está sim no centro, mas os personagens a sua volta conseguem ser construídos de forma tão fortes, carismáticos e relevantes como ele. Pra começar, ter a presença de Carl Weathers, o Apollo Creed da franquia Rocky, um dos atores mais subestimados de seu tempo e marca fortíssima presença no filme como Dillon, o agente da CIA infiltrado que supostamente levou o grupo para a morte certa, mas possui um pequeno e eficiente arco de redenção dentro do filme e o ator convence em todas as emoções possíveis de medo e arrependimento do personagem.

E claro, compartilha do MELHOR APERTO DE MÃO DO CINEMA em uma cena icônica com Dutch de Schwarzenegger.

(“You sonofabitch”)

E ainda tendo as ÓTIMAS participações de Bill Duke como Mac o soldado com estresse pós-traumático de guerra; Sonny Landham como o índio silencioso rastreador fodão; Richard Chaves como Poncho, o fiel escudeiro tradutor do grupo; Jesse Ventura como Blain, o segundo fodão do grupo que não tem tempo para sangrar.

Sem deixar de mencionar a leve participação de Shane Black como Hawkins, o soldado piadista do grupo, e o jovem cineasta se mostra aqui bem carismático e claramente está se divertindo horrores no papel. Há até boatos que sua presença aqui foi para também dar uma reescrita em alguns dos diálogos do filme, nada confirmado, mas nota-se sim traços do tipo de narrativa que Black trabalharia em seus excelentes roteiros de Máquina Mortífera, Beijos e Tiros e o mais recente Dois Caras Legais, no que se refere à ÓTIMA dinâmica que se é construída entre o grupo cheia de humor e genuína amizade e respeito. Justiça seja feita, Black dirigirá o novo Predador que estreia ano que vem…

Schwarzenegger uma vez disse que sonhava em fazer um filme no estilo Meu Ódio Será sua Herança de Sam Peckinpah ou Sete Magníficos de John Sturges, “Predador” talvez seja o mais perto que ele chegou de assim o realizar (isso se você não contar com a trilogia Mercenários). E claro, o próprio Arnold está ótimo, e ouso dizer em talvez sua melhor performance como ator, e até uma atuação subestimada por muitos. Claro que há quem diga que o Austríaco musculoso teve apenas o “star power” à seu lado por toda sua carreira e não muito nível alto como ator.

Talvez seja a presença de Carl Weathers que fez Arnold se intimidar um pouco e puxar o seu máximo aqui, ou seja a própria ÓTIMA direção de atores de McTiernan. Seja o que for, Schwarzenegger consegue habilmente aqui convencer 100% no medo e anseio de perigo de seu personagem, assim como seu pulso firme de líder nato perante o grupo. Sua frase icônica desse filme: “get to the chooper” não se tornou icônica só pelo “star power” e seu delicioso sotaque Austríaco, e sim porque seu personagem estava querendo MESMO dizer aquilo com medo da morte bem no seu encalce. Exatamente aí onde a direção de McTiernan aqui BRILHA!

O movimento é o sucesso

Uma coisa a ressaltar sobre o tipo de diretor que John McTiernan sempre foi, é que ele nunca foi só apenas um bom diretor de cenas de ação, ele foi um condutor perfeito de histórias, personagens para chegar nas excelentes cenas de ação que ele sempre conseguiu construir, mesmo em seus filmes mais fracos.

O ritmo é a palavra chave, coisa essa que nunca falha nesse filme que não desacelera por um segundo sequer. McTiernan desde a primeira cena move os personagens e a trama sempre em um movimento fluído, conciso e praticamente sem nenhum tropeço a vista. Ele se mostra ciente de toda a inevitável cafonice que a trama e os personagens podem vir a trazer e soar, e nunca deixa estes caírem no bobo demais e nem sério demais, e a simples narrativa do roteiro dos irmãos Jim e John Thomas é habilmente costurada na jornada suicida dos personagens, sempre almejando a diversão, mas nunca apelando para o bobo e sem nexo.

E quando a ação finalmente explode em tela, é um show de energia, controle de câmera, angulações e movimentos sempre precisos. A montagem nunca dá um corte falho, cada take parece ser uma explosão de adrenalina, fazendo o público quase sentir a enervante tensão que os personagens sentem ao metralharem bala atrás de bala para o nada. O inimigo que nunca vêem mas está os rodando e brincando com seu medo a todo o tempo. Assim como McTiernan brinca com a antecipação do público, no melhor estilo Tubarão, guardando o momento exato para finalmente mostrar sua criatura, e no momento em que mostra é um dos grandes momentos do filme e quase pra sempre memorável!

Sai do mato Monstrão

Talvez seja por isso que muito foi se comparado ao longo de anos Predador de McTiernan com Alien de Ridley Scott ou Aliens de James Cameron. Não só por causa dos vergonhosos “spin-off/crossover”, mas pelas leves semelhanças em sua estruturas, que são bem notáveis. Afinal vemos aqui um grupo de 7 membros (oito com a junção da jovem Anna de Elpidia Carrillo) contra um inimigo de vida alienígena imparável, em uma aura de suspense enervante a todo tempo, assim como em Alien. E o elo do grupo de militares cheio de humor e muita testosterona, recheado de ação, e que faz uma certa alusão à guerra do Vietnã, tal e qual Aliens.

Sem falar no quanto ICÔNICOS são as figuras monstruosas de ambos as franquias que não se dataram nem um pouco até hoje, tirando algumas tomadas com os efeitos CGI mostrando a invisibilidade da criatura de forma um tanto notável, mas pequenos tropeços em um antro de quase perfeição. A figura da criatura do Predador se tornou tão icônica não só graças ao INCRÍVEL design de suas características físicas que parece de um humanóide em um corpo aparentemente indestrutível e musculoso cheio de esteroides extraterrestres, com mandíbulas assustadoras (que dizem as más línguas foram idealizadas de empréstimo por um certo James Cameron), mas graças a incrível atuação física dada por Kevin Peter Hall que consegue imprimir uma certa personalidade à criatura, e impõe um ar de superioridade intimidador só por seus movimentos animalescos, e faz frente ao próprio Arnold Schwarzenegger em toda sua glória musculosa dos anos 80, que deixou seu personagem Dutch no final quase ensanguentado, caído sujo na lama, sem camisa, suado na suvaca, tremendo de medo (reparem no nível do mosntrão). E ambos garantem uma confrontação final épica antológica!

Só para glorificar o quanto escapista consegue ser o filme de McTiernan e ao mesmo tempo tão inteligente e sagaz. Nunca filmes de ação blockbuster de hoje teriam conseguido o que Predador conseguiu com apenas, hoje meras merrecas, de 18 milhões de dólares (não é a toa que o próximo filme da franquia é sondado em gastar aproximados 150 milhões). É um filme descancaradamente cafona em suas pequenas doses,  e ainda consegue construir ricos personagens carismáticos com ótimas performances de todo o pequeno e memorável elenco, e ainda fazer nós o público sentirmos por cada um. E sentirmos o medo, o suspense e a enervante antecipação de cada glorioso momento de ação que no final garantem um altíssimo nível de diversão quando vemos os supostos caçadores se tornado as presas de um caçador superior e imbatível!

E talvez seja exatamente isso que Predador é, uma digna obra-prima dos gêneros de ação e ficção-cientifica em toda sua glória anos 80! E de sobra ainda comprova porque John McTiernan é um dos melhores diretores de ação de todos os tempos e Arnold Schwarzenegger um dos maiores astros do mesmo! Ah, e um dos monstros mais icônicos do cinema, o que não tem pra não gostar aqui?!

O Predador (Predator, EUA – 1987)

Direção: John McTiernan
Roteiro: Jim Thomas, John Thomas
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Bill Duke, Sonny Landham, Richard Chaves, Jesse Ventura, Shane Black, Elpidia Carrillo, Kevin Peter Hall
Gênero: Ação, Aventura, Suspense
Duração: 107 min

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