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Dificilmente existirá um nome dentro das artes marciais tão conhecido e aclamado quanto o de Lee Jun Fan, que ficaria popularmente conhecido como Bruce Lee. O lutador ficou amplamente conhecido por sua disciplina nos treinos, e por seu grande domínio nas técnicas dos mais variados estilos de luta. Lee não apenas foi apenas um grande lutador, mas também foi o criador de um estilo de luta própria, o Jet Kune Do, baseado em conhecimentos adquiridos em filosofia e ao estudar diversos estilos de luta, e também é possível dizer que foi graças as suas participações em vários filmes de temática arte marcial que estas ficaram populares no Ocidente. Uma dessas obras é especial, e tem um significado maior do que todas as outras protagonizadas por Lee. Sim, estou falando de Operação Dragão.

Antes de estrear Operação Dragão, Lee já tinha conseguido um grande sucesso em Hong Kong  ao protagonizar obras como Dragão Chinês e Vôo do Dragão. Ao assistir o primeiro longa, Fred Weintraub viu que tinha uma chance boa em mãos de conseguir um sucesso, e escreveu junto com o roteirista Michael Allin uma história similar aos longas que o lutador havia estrelado, para poder apresentar a Bruce e fazer com que ele aceitasse ser protagonista. Fred então partiu para Hong Kong para conversar Raymond Chow, que era dono do estudio que produzia os filmes protagonizados por Lee, e após uma longa e exaustiva negociação, visto a desconfiança tanto de Chow quanto do lutador, o acordo foi assinado. Foi a partir desse momento que nasceu aquele que é até hoje considerado o maior filme de artes marciais ja feitos, e que consagraria Bruce Lee para toda a eternidade.

Na Trama, Lee (Bruce Lee) é um respeitado monge shaolin, que em um tranquilo dia é contatado por uma organização secreta para que investigue um famoso chefe do crime chamado Han(Shin Kien), um ex monge erradicado, que agora vive recluso numa ilha que é quase uma fortaleza. Existem boatos de que Han tem um pesado esquema de tráfico de drogas e de prostituição. Lee aceita a missão, ao descobrir que um dos guarda costas do vilão, O´Hara (Robert Wall) ,é o responsável pelo assassinato de sua irmã mais nova. Então o jovem shaolin parte para participar do famoso torneio de artes marciais que é organizado por Han de 3 em 3 anos. Junto dele, está o playboy Roper (John Saxon), que está fugindo das dividas de jogo, e Williams (Jim Lee) ativista negro que está fugindo da policia após agredir dois guardas racistas.


O roteiro escrito por Michael Allin é bastante simples e direto, e que  aproveita da fama que os filmes de espiões tinham adquirido na última década, graças ao personagem James Bond. Porém, apesar de ser eficiente no que se propõe, tem alguns leves percalços. A motivação para o não uso de armas dentro da ilha de Han é extremamente ilógico, o que leva a pensar que foi pensada em apenas alguns minutos, e só existe para que não houvesse armamentos dentro do filme. Os arcos dos personagens de Jim Lee e Saxon são extremamente entediantes, e quem assiste tem a impressão de que seria muito melhor ter focado o filme apenas em Bruce. Porém, apesar de ser um sucesso na Asia, o lutador era praticamente desconhecido nos Estados Unidos, então, era preciso de atores americanos, para atrair a atenção de um público maior.
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Mas, esses erros são facilmente esquecidos, se nós vemos o filme pelo que realmente é. Operação Dragão é praticamente uma celebração de tudo o que Bruce Lee tinha conquistado, e que na época estava em seu auge físico, emocional, e que já se mostrava também bastante conhecedor do mundo cinematográfico. Lee tem um total domínio de cena, e uma presença sem igual, o que ajuda muito devido ao carisma do lutador, o que faz com que seja agradável ver as cenas que ele está presente. As vezes esquecemos que estamos diante de um filme de ação e espionagem, pois parece que estamos vendo um filme sobre a vida de Bruce, pois nos é permitido aqui ver o que ele é. Um artista marcial concentrado, disciplinado, que sabe usar seus dons, e que se move como o vento.

O grande show é claro são as cenas de luta. Todas coreografadas de uma maneira exuberante e de artística, e com muitos movimentos criativos e geniais. Nem precisa dizer que Bruce Lee foi responsável por realizar as coreografias de luta não é mesmo? Só mesmo um gênio como ele para conseguir realizar um trabalho tão digno, e que dificilmente conseguimos assistir em outros filmes do gênero. O diretor Robert Clouse também tem um trabalho digno de nota, por conseguir captar os movimentos do lutador, algo que era considerado extremamente díficil, visto tamanha a velocidade dos golpes de Lee. Clouse também é muito eficiente no uso da câmera lenta em certos momentos das lutas, e por conseguir fazer com que o ritmo da obra não caia hora nenhuma, mesmo em momentos pouco atrativos.

Como dito anteriormente, o filme é muito mais sobre Lee do que propriamente um filme de ação. E sendo um filme do lutador, teria que ter espaço para os conhecimentos filosóficos do lutador. Em uma cena, ao ser perguntado sobre qual era seu estilo, eis que o personagem de Bruce responde: ” o estilo de lutar sem lutar”. Bruce acreditava os antigos ensinamentos das artes marciais eram extremamente ineficientes e muito travados, e que não seriam úteis no dia a dia. Ao criar o Jet Kune Do,Bruce Lee afirmava que cada pessoa era diferente, e reagia diferente as situações. Então o indivíduo poderia criar dentro do seu intimo um estilo que melhor se adaptasse a sua maneira de ser, e o qual poderia usar de maneira mais eficiente. ” Seja como a água”, era o que o Bruce afirmava, pois a água não tinha forma, era maleável, e se moldava a cada situação. Era assim que um praticante das artes marciais deveria ser.


Lee nunca teria a chance de ver seu primeiro trabalho em Hollywood ser aclamado, pois 6 dias antes do lançamento de Operação Dragão. As circunstâncias da morte do lutador até hoje são bastante suspeitas, e geraram bastantes teorias da conspiração. Muitos acreditaram que a morte do lutador foi causada pelas tríades chinesas, que não ficaram nada satisfeitas com o fato de que Bruce revelou diversos segredos das artes marciais para os ocidentais. Outros acreditam que a família de Bruce foi amaldiçoada, visto que Brandon Lee, filho do lutador, também teve uma morte misteriosa. Mistério a parte, a morte do astro trouxe uma aura mística sobre seu último filme, e fez com que a atenção sobre ele aumentasse ainda mais

Operação Dragão não é uma obra que podemos dizer que exala perfeição, mas não dá pra negar que tem o seu valor, visto que trouxe fama ao gênero de filmes de luta, fazendo com que diversas obras surgissem. Bruce Lee se despediu desse plano deixando um belo testamento para seus fãs, para o cinema, e para as artes marciais. Infelizmente teve uma vida breve, mas seu nome ficará para sempre na eternidade.

Operação Dragão (Enter the Dragon – Hong Kong/ EUA, 1973)

Direção: Robert Clouse
Roteiro: Michael Allin
Elenco: Bruce Lee, John Saxon, Jim Kelly, Ahna Capri, Kien Shih Kien Shih, Jackie Chan
Gênero: Ação
Duração: 102 min.

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