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Seria fácil fazer um documentário sobre o ator Antonio Pitanga, mostrando apenas a sua história como ator. Mas o objetivo do documentário dirigido por Beto Brant (O Invasor) e pela atriz Camila Pitanga não se trata apenas em mostrar a trajetória do veterano profissional, mas também mostrar ao público a personalidade magnética e carismática de Pitanga.

Durante 90 minutos, vemos Pitanga conversando com vários amigos como Othon Bastos, Zé Celso, Maria Bethânia, Lázaro Ramos, Selma Egrei, Tônico Pereira, Ney Latorraca, Gilberto Gil, entre outros grandes nomes da cultura brasileira. Essas conversas ressaltam personalidade forte e bem humorada de Pitanga, além de mostrar a importância do ator em vários momentos: em ser um negro dando discursos politizados em filmes de Glauber Rocha; um homem de origem humilde e que venceu na vida; em ser uma figura muito querida e reconhecida; em ser um símbolo da luta contra o preconceito; um pai amoroso. Mostra como ele é uma pessoa querida, sem soar maniqueísta.

Enfim, o longa mostra que Pitanga é mais que um ator que foi símbolo do Cinema Novo e a maneira em que os diretores encontraram para representar isso é o que faz o longa ser muito gostoso de assistir. Realmente, Antonio conversa com os seus amigos de maneira bem descontraída, não parecendo uma entrevista típica de documentários. E é difícil não se ficar apaixonado pelo protagonista, pois Pitanga sempre mostra humildade, inteligência e muito bom humor. Mesmo o longa tendo uma decupagem bem simples de plano e contraplano, não se torna tedioso por conta da ótima presença do protagonista.

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A dupla de direção que faz a sua estreia de documentários se sai muito bem. Mesmo Brant sendo um cineasta experiente, em “Pitanga” ele faz o seu longa mais leve e otimista, fazendo um documentário bem direto e com um ótimo ritmo. Além do cuidado estético, como já visto nos seus longas de ficção, pois mesmo com essa decupagem bem simples, os enquadramentos são bem pensados. A presença de Camila Pitanga na direção ajuda a humanizar Pitanga ainda mais, mesmo em alguns momentos percebemos que algumas cenas é a atriz fazendo uma homenagem ao pai e que pode atrapalhar um pouco o ritmo.

Outro problema do longa é que em certos momentos ele se alonga mais que o necessário, mas não chega a cansar, mas como já foi dito por conta do protagonista.

“Pitanga” se mostra um retrato muito bonito ao um nome que merece ser lembrado pelas novas gerações. Não só pela sua trajetória, mas vemos que Antonio Pitanga tem uma personalidade muito brasileira. E o documentário mostra e nos faz admirar essa personalidade apaixonante.

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