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Estamos de volta ao universo de Preacher! Após uma primeira temporada eficiente e cheia de promessas, a criação divina/diabólica de Garth Ennis retorna à AMC pelas mãos de Sam CatlinSeth Rogen e Evan Goldberg, que começam seu sophmore year de maneira explosiva ao acompanhar a viagem de carro de Jesse (Dominic Cooper), Tulipa (Ruth Negga) e Cassidy (Joseph Gilgun) no apropriadamente entitulado On the Road, o primeiro dos 13 episódios que a série tem encomendada para 2017. E não sendo um grande conhecedor dos quadrinhos originais, todos os fãs dizem que agora a história começa de verdade.

Não há muito o que dizer sobre a progressão narrativa deste primeiro episódio, inteiramente centrado na fuga do trio principal do misterioso Santo dos Assassinos (Graham McTavish), um pistoleiro implacável enviado do Inferno para eliminar Jesse e recuperar seu poder divino do Gênesis. Ao longo de sua jornada, os três procuram pistas que possam levá-los a um foragido Deus, que abandonou o Paraíso e agora vaga em algum lugar da Terra. Com o auxílio de sua habilidade sobrenatural, Jesse pretende encontrá-lo e enfim conseguir todas as respostas para as perguntas que o assombram – ou simplesmente “arrebentar Sua cara caso recuse”.

E é justamente nesse tipo de frase que vemos o grande diferencial da série: sua irreverência e humor completamente sem pudor. Logo nos segundos iniciais já temos a escrita irônica e escatológica de Rogen, Goldberg e Catlin em um diálogo nada discreto sobre prepúcios de bebês, proferido – claramente – pelo excelente Joseph Gilgun, e de cara já vemos a química entre os três muito mais desenvolvida e carismática. A primeira temporada demorou para finalmente trazer cenas com os três, e é bom ver que o segundo ano já aposta naquele que era o grande potencial da série, e a atração do vampiro pela namorada de seu melhor amigo é algo que pode trazer bons frutos – especialmente ao revelar um inesperado traço de nobreza para o personagem -, mas também perigosamente flerta com o clichê desse tipo de história.

Os grandes núcleos narrativos do episódio envolveram os dois encontros dos personagens com informantes ao longo do caminho. O primeiro é o pastor Mike (o ótimo Glenn Morshower), um antigo amigo da famíla de Jesse que traz métodos paroquianos nada convencionais, que incluem trancafiar adolescentes em uma gaiola para que superem seu vício em redes sociais. Confesso que o absurdo da situação já era o bastante para entreter, mas infelizmente o roteiro do trio tenta insistir na piada e acaba tornando-a repetitiva, mas o ritmo melhora assim que Mike oferece a pista de uma antiga conhecida que clama ter visto Deus em pessoa. A informação custa sua vida, já que o Santo dos Assassinos aparece logo após a saída dos protagonistas, mas rende uma cena heróica onde Mike sacrifica a sim mesmo para levar a localização de seus amigos para o túmulo.

O segundo é ligeiramente mais interessante, onde temos a cafetina Tammy (Jeanette O’Connor), que gerencia um clube de strip tease que salta aos olhos (ou no caso, ouvidos) pela escolha musical nada convencional: uma banda de jazz ao vivo, toda composta por idosos. É justamente por esse fator musical incomum que Deus estava em um clube de strip, como revela Tammy após um diálogo com Jesse. O problema é que o ritmo acaba um tanto enrolado com a indecisão de Jesse em usar o Gênesis na sujeita, visto que Tulipa está constantemente questionando a moral do protagonista em utilizar uma habilidade tão intrusiva. Outro tema que merece mais desenvolvimento.

Então trago a atenção ao trabalho de direção dos comediantes Seth Rogen e Evan Goldberg, que surge ainda mais refinado e eficiente do que no primeiro ano. A primeiríssima cena do episódio é uma sequência de ação fantástica que traz os protagonistas e um grupo de policiais sendo bombardeados pelas balas do Santo dos Assassinos, que os ataca à distância como um enxame de abelhas. Desde a fotografia colorida, o slow motion bem usado para marcar ações e a montagem equilibrada – com destaque para Cassidy tentando esconder seu corpo do sol ardente, rendendo uma reapresentação de peso ao seriado. A dupla também parece mais criativa ao criar planos que evocam a beleza das locações e também que servem ao estado de espírito dos personagens, como quando Jesse recorda de uma memória negativa envolvendo a família de sua mãe, e a água do aquário em seu posterior começa a borbulhar. Destaque também para todos os planos envolvendo o Santo dos Assassinos, que capturam bem a imponência e a ameaça do sujeito, sempre em contra-luz ou com o rosto banhando pelas sombras – vide o ótimo gancho do final.

Um bom retorno para Preacher, sem dúvida alguma. A direção da dupla Rogen e Goldberg parece ainda mais afiada, e é sempre bom ver o trio de Jesse, Tulipa e Cassidy em seu entrosamento divertido e fora do convencional. O problema, como em todo road movie, é que todas as reviravoltas dependem da jornada e dos acontecimentos que aparecem no meio dessa. Só espero que Preacher tenha mais truques em sua manga, além de um Pistoleiro demoníaco.

Preacher – 02×01: On the Road (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg
Direção: Seth Rogen e Evan Goldberg
Roteiro: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Graham McTavish, Glenn Morshower, Jeanette O’Connor
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 52 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada.

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