Ah, Preacher. Estávamos indo tão bem nessa temporada…

Finalmente chegou. Depois de quatro ótimos episódios, a segunda temporada da série de Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin finalmente teve seu primeiro tropeço, caindo na categoria do episódio filler sem graça. Não é um episódio ruim, de forma alguma, mas não deixa de ser um grande atraso e desvio se comparado com os anteriores – a busca por Deus não é nem ao menos mencionada aqui, e ficamos concentrados em… Bem, um flashback para a vida de namoro de Jesse (Dominic Cooper) e Tulipa (Ruth Negga).

Começando imediatamente após o final do anterior, com Jesse invadindo a mansão de Viktor (Paul Ben-Victor) e espacando-o após descobrir que é o marido de Tulipa. Mesmo que ela tente impedir, o pastor o leva para o calabouço onde tivemos a espetacular luta do episódio passado, e pendura Viktor nos ganchos com a intenção de matá-lo. Jesse usa o Gênesis para mandar Tulipa embora, que sai da mansão com a filha de Viktor, Allie (Stella Allen) e retorna para a casa de Dennis. Paralelamente, a trama nos mostra a vida de Jesse e Tulipa em Dallas, anos antes de ele voltar ao Texas para virar Pastor e assumir a igreja de seu pai.

A esta altura do campeonato, acho que o espectador realmente não está mais interessado nas coisas do passado. Sinceramente, nem mesmo o arco misterioso de Viktor me chamava muita atenção, e infelizmente ele foi todo o foco de Dallas. Com o tema desinteressante, não há muito o que o roteiro de Philip Bruiser possa fazer, oferecendo diálogos razoáveis, com piadinhas pontuais e o sarcasmo habitual de Rogen e Goldberg – eu literalmente imaginei a figura de Seth Rogen durante uma conversa com Cassidy (Joseph Gilgun). O único ponto realmente memorável nesse quesito foi quando Cassidy foi à mansão de Viktor para tentar persuadir Jesse a não matá-lo, rendendo um diálogo forte sobre amizade e lealdade, e Gilgun teve a oportunidade de mostrar uma carga dramática muito mais profunda do que eu seria capaz de imaginar.

Já as cenas no passado não foram tão interessantes. Mais uma repetição daquela velha dinâmica antagonizante entre Jesse e Tulipa, com ela voltando-se para o mundo do crime contra sua vontade. Valeu por ver um Dominic Cooper mais imaturo e desleixado, com destaque para a ótima sequência de montagem onde o casal tenta engravidar, bem ritmada pelos cortes, a câmera do diretor Michael Morris e também pela música “I’ll Pretend”, de Glenn Morris; entendemos a rotina monótona e cansativa, mas feito com um estilo consistente que a série vem conseguido manter. No fim, apenas serve como ponte para Jesse decidir assumir a igreja de seu pai e que Tulipa enfim ganhe a informação que a levará para Carlos.

No fim, Jesse acaba não matando Viktor, fazendo com que Tulipa leve sua filha de volta e acabe fazendo as pazes com seu namorado. Quando esse episódio parecia ir para uma direção completamente descartável, eis que o Santo dos Assassinos (Graham McTavish) finalmente retorna! Seguindo o rastro do Gênesis na mansão de Viktor, o pistoleiro mata todos ali, incluindo o chefão. Quando ele está prestes a atirar na pequena Allie, ela diz saber onde está o Pastor, e ele abaixa a arma.

Bem, é isso. Não tivemos nada da busca por Deus, nada da cada vez mais fascinante narrativa de Cara de Cu (Ian Colletti) no Inferno ou a entrada em ação do misterioso Herr Starr prometido no terceiro episódio. Toda temporada precisa de um filler assim, eu suponho.

Só espero que isso tenha sido apenas um tropeço, não uma queda.

Preacher – 02×05: Dallas (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg
Direção: Michael Morris
Roteiro: Philip Buiser
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ronald Guttman, Noah Taylor, Ian Colletti, Amy Hill, Paul Ben-Victor, Frankie Muniz, Graham McTavish, James Hiroyuki Liao
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 40 min

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