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Definitivamente, a expansão para 13 episódios foi a pior coisa a ter acontecido com Preacher.

Fica bem claro pelo ritmo desta segunda temporada, consideravelmente mais lenta e sem eventos do que em seu começo energético, que os showrunners Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin realmente não têm tanto material para esse número de episódios – o que me atinge como inexplicável, vide as muitas HQs de Garth Ennis e Steve Dillon disponíveis para inspiração. Dessa forma, Holes é mais um episódio onde praticamente nada acontece, mas que – como sempre – é capaz de nos oferecer bons momentos e conceitos inspirados, que brilham quando a narrativa não mergulha em uma trajetória sem graça.

A começar com a saga de Eugene (Ian Colletti) no Inferno, que enfim retorna após ficar ausente pelas últimas três semanas. Vemos que nosso querido Cara de Cu está se adaptando à rotina da prisão, malhando e ganhando músculos poderosos que lhe garantem certa notoriedade entre os criminosos, com exceção do sempre observador Adolf Hitler (Noah Taylor). Descobrimos que os panes no sistema da prisão estão sendo causados pela superlotação do Inferno, especialmente pela presença misteriosa de alguém que não pertence ali – com os olhos do ditador nazista claramente voltando-se para o do garoto; que mal consegue enganar ao tentar convencê-lo de que “é a pessoa mais má da Terra”.

É quando as suspeitas da guarda severa vivida por Amy Hill recaem sobre o jovem, com este sendo enviado para um setor muito pior do Inferno. Lá, Eugene novamente revive sua memória traumática onde Tracy (Gianna LePera) tenta se suicidar, mas com uma twist cruel: a garota não reage negativamente a seu beijo, e os dois até protagonizam um breguíssimo número musical, onde tudo parece estar indo para a melhor… Até que Tracy revela estar se guardando para outra pessoa, que aparece imediatamente: Jesse Custer (Dominic Cooper), que protagoniza uma infame sequência ao lado da jovem. Ela começa a beijar e acariciar o Pastor, deixando Eugene furioso, até o momento em que este não aguenta e literalmente explode sua cara com a espingarda. Vale apontar ver um Cooper muito mais caricato e malicioso aqui, assim como o sempre ótimo Colleti demonstrando a frustração de Eugene. Por fim, Hitler instinga e promete ajudar Eugene a escapar do Inferno.

O outro ponto marcante do episódio ficou por conta de Cassidy (Joseph Gilgun) e a relação com seu filho, Denis (Ronald Guttman). Ainda moribundo e doente, o velho continua a implorar para que seu pai o transforme em vampiro, o que acaba transformando-se na neura do personagem durante todo o episódio. E ainda que seja mais uma enrolação, rende excelentes momentos graças à performance certeira de Gilgun, que cada vez mais revela camadas dramáticas e melancólicas de seu Cassidy: em um momento à lá Old Man Logan, ele comenta sobre o tédio da imortalidade, sobre a perda dos entes queridos e – sendo uma série de Seth Rogen – como as drogas já não fazem mais efeito. Momentos memoráveis que renderam até mesmo um flashback com Cassidy diante de um berçário, literalmente bebendo de um cantil enquanto observa seu filho recém-nascido.

A indecisão até faz Cassidy recorrer à Jesse, que pergunta se o Gênesis não seria capaz de curar a doença de Denis. O Pastor se recusa, confuso com a imprecisão dos efeitos que isso poderia causar. Curioso, visto que Jesse literalmente ajudou Tracy a sair do coma na primeira temporada, mas… No fim, Cassidy termina o episódio de forma enigmática, com o vampiro entrando no quarto de Denis cantando uma cantiga bizarra e obscena sobre os cabelos escarlates de uma prostituta. No melhor momento do episódio – talvez de toda a performance de Gilgun como o vampiro – vemos o tom de Cassidy mudar, e seu olhar tornar-se algo mais ameaçador. Apesar de a direção de Maja Vrvilo sabiamente evitar um take com o personagem abrindo a boca para revelar suas presas, fica bem sugerido que foi exatamente isso o que aconteceu antes de a tela cortar para os créditos finais.

Já Jesse e Tulipa (Ruth Negga)… Bem, a série realmente não sabe o que fazer com eles. Ainda que Negga seja uma excelente atriz, todas as cenas com Tulipa parecem arrastadas e sem propósitos, com a personagem ainda traumatizada pelo ataque do Santo dos Assassinos (Graham McTavish, apenas creditado) e agora decidida em tapar os buracos de bala deixados pelo apartamento – não fosse o encontro de Tulipa com uma Lara Featherstone (Julie Ann Emery) disfarçada, cuja participação nos informa que Herr Starr (Pip Torrens) ainda está a caminho, seria um núcleo completamente descartável. De forma similar, Jesse desperdiçou mais uma pista inútil em sua busca por Deus, levando o disco com o casting do “Falso Deus” para uma loja de eletrônicos, na esperança de que uma assistência técnica pudesse limpar a imagem e encontrar um número serial no revólver. A busca é inconclusiva, e o CD é destruído antes que qualquer um veja ali uma reveladora inscrição, que revela sua conexão com o Graal.

É frustrante ver Preacher nesta condição. Os eventos parecem estender-se propositalmente, deixando bem claro como não existe uma história forte o suficiente para sustentar esse atraso ou os obstáculos descartáveis e nada originais. A série precisa urgentemente resolver o que fazer com seu protagonista, já que todo o ânimo está diretamente relacionado com seus coadjuvantes.

Preacher – 02×08: Holes (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg, baseado na obra de Garth Ennis e Steve Dillon
Direção: Maja Vrvilo
Roteiro: Mark Stegemann
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ronald Guttman, Pip Torrens, Amy Hill, Graham McTavish, Ian Colleti, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Malcom Barrett, Amy Hill, Gianna LePera, Justin Prentice
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 45 min

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