E aqui estamos, no penúltimo episódio da segunda temporada de Scream Queens! Com agora os três assassinos revelados, podemos realmente ver quem vai ser responsável por quem sem ficar nos preocupando com os outros. Parece que Chanel Oberlin (Emma Roberts) ainda é o principal alvo de tanto Wes quando (Oliver Hudson) e Hoffel (Kirstie Alley), e nenhum parece compreensível o suficiente para desistir da chance de se vingar de um ser tão poder quanto ela. E para deixar as coisas bem mais simples e evitar futuras confusões, um dos homicidas entra para a lista das vítimas.

A batalha pelas Chanels começa, com os três Green Meanies colocando seu plano em práticas – e suas melhores poses – enquanto as perseguem em uma cômica sequência em plongée absoluto, parte da estética metamorfa e transgressora de Ryan Murphy. Claro, Cascade (Taylor Lautner) tem suas próprias razões para exterminar as garotas e prefere proteger #3 (Billie Lourd) que matá-la. E justo quando Chanel está indefesa e cercada por duas das criaturas, o argumento entre Hoffel e Wes endossa e ela vê um momento mais que oportuna para fugir. Agora, com essas discordâncias crescendo entre o trio, eles decidem que deve haver um processo para os assassinatos para que mais vítimas não escorreguem de suas mãos.

Entretanto, os eventos desse jogo psicótico parecem não surtir muito efeito nas Chanels: afinal, depois de mais uma vez estarem à beira de um mortal abismo, elas recebem a visita de sua favorita personalidade televisiva, a Dra. Scarlett Lovin (a presença muito bem-vinda, apesar de breve, de Brooke Shields). A graça aqui é que Lovin quer que as Chanels e o Dr. Holt (John Stamos) realizem a primeira cirurgia da TV aberta no Hospital C.U.R.E. – bem, mais especificamente no programa Lovin The D. Como bem sabemos, trejeitos do comportamento humano são elevados ao extremo, e a idolatria com celebridades não poderia passar batido: todas as personagens gritam em uníssono “SIM” e quase caem aos pés de Scarlett, mas Holt as relembra de que elas não são reais estudantes de Medicina. A deixa não poderia ser mais clara: elas teriam horas para se preparar ao MCATs, os exames médicos mais difíceis da humanidade – e deveriam passar com uma pontuação relativamente aceitável para continuarem trabalhando como residentes.

Enquanto as Chanels correm para encontrar um modo de colar – quer dizer, estudar – Hester convoca uma “reunião extraordinário de homicídios”, permitindo a cada um dos Green Meanies recontar o número de pessoas que mataram nas instalações. Não surpreendentemente, Cascade tem o maior número de cadáveres em sua lista, devido ao fato de estar há mais tempo no C.U.R.E. e todo aquele papo sobre “minha mãe quer que eu mate todas as pessoas daqui”. O que poderia ser uma assembleia sobre os maiores egos da turma homicida se transforma em um jogo de apostas divertido e dinâmico sobre quem terá a honra de ver Chanel agonizar até a morte.

Enquanto os planos sanguinolentos continuam, o trio de garotas se preocupa com algo a mais: em conluio com Dr. Holt e Dr. Cascade, Chanel e Chanel #3 conseguem passar no teste com louvor, mas é #5 (Abigail Breslin) quem rouba a atenção. Sabemos que sua personalidade fútil e ansiosa é capaz de tirar as pessoas mais calmas do sério, mas não conseguimos deixar de torcer pela personagem quando ela revela ter estudado o máximo que pôde, sendo aprovada no teste por mérito próprio. “Eu sou um gênio e ninguém liga”, ela comenta, totalmente abalada e desprezada por suas “amigas”. Realmente, se há alguém que merece um final feliz em Scream Queens é #5 – afinal, ela quase foi morta três vezes e sempre voltou à ativa com sua personalidade contraditória e por vezes irritante.

Apesar de alguns pontos positivos, a série ainda continua caindo no excessivo uso de subtramas desinteressantes e desnecessárias, como a mão assassina de Holt. Confesso que a história por trás do transplante chamou a atenção no começo da temporada, mas depois de ter um episódio inteiro dedicado a ela, percebi que a expectativa era muito alta para… Nada. Até mesmo a aparição de novas Chanels não foi capaz de resgatar o clima de suspense e mistério existente no ano de estreia da série. O único fator capaz de amarrar essa profusão desenfreada foi o planejamento da morte de Oberlin.

É bem provável que o season finale não nos apresente uma conclusão absoluta já que o cancelamento não é oficial. Se tiverem sido espertos, o trio de criadores encerrou toda a vida útil daqueles personagens e voltaríamos para um ano três com tudo recomeçando do zero. Mesmo com todos os seus problemas, Scream Queens não é uma produção óbvia, previsível ou irrelevante. Sua presença na programação seria fantástica por mais algum tempo, mas não posso culpar aqueles que já estejam decididos a parar. Essa é uma boa ideia presa a elementos nocivos, infelizmente.

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