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Depois de três filmes bem sucedidos da série Sexta-Feira 13, a Paramount Pictures parecia esgotada. O slasher já havia se tornado algo popular no cinema americano daquela época, e os próprios produtores admitem terem feito Parte III como uma forma de encerramento da franquia, até porque o assassino Jason Voorhees terminava o longa aparentemente morto. Todavia, Jason viveria para matar novamente. Dessa vez, pra valer, a Paramount iria se livrar de Jason e seguir em frente com outros projetos, e anuncia Sexta-Feira 13 Parte IV: O Capítulo Final para enfim colocar a franquia para descansar. Porém, ninguém iria esperar que o suposto último filme seria o melhor até então.

O quarto filme começa imeditamente após o final do anterior, oferecendo dessa vez não apenas a recapitulação do anterior, mas de todos os três primeiros capítulos da saga. Uma equipe de paramédicos vai à casa de campo da Parte III, onde encontram todos os corpos da matança de Jason, e também o corpo do assassino, que é então transportado para o necrotério de um hospital local. Claro, não demora para que o maníaco da máscara de hóquei volte à vida e saia em busca de mais vítimas, o que o leva a uma região onde uma pequena família e um grupo de adolescentes dividem casas no interior.

Já pela premissa percebemos que, finalmente, a franquia sairia um pouco do lugar comum. Barney Cohen realmente parece se divertir em explorar novos territórios para Jason, e a história já começa surpreendendo positivamente por mostrar o assassino em um hospital, pela primeira vez saindo o batido cenário do acampamento e da floresta. Claro, alguns minutos depois somos levados exatamente para mais um setting no meio da floresta, mas Cohen acerta por colocar um grupo de adolescentes mais desenvolvidos e, como grande diferencial, um núcleo familiar formado por uma mãe, Sra. Jarvis (Joan Freeman), a filha, Trish (Kimberly Beck) e o pequeno irmão, Tommy (Corey Feldman), e o fato de termos uma criança inteligente pela primeira vez na franquia definitivamente torna o núcleo humano mais envolvente. Até os adolescentes são mais carismáticos e interessantes do que os anteriores, cada um com pequenos arcos (claro, motivações fúteis sobre quem pega quem no grupo) e atuações acima da média, com destaque para o jovem Crispin Glover, que um ano depois estaria fazendo De Volta para o Futuro.

Mas é mesmo com a família Jarvis que o filme realmente ganha fôlego. O fato de o pequeno Tommy ser uma espécie de menino prodígio, com habilidades para maquiagem e máscaras de monstros que deixariam Rick Baker orgulhoso, torna-o um oponente digno e interessante para Jason, e ainda mais quando Tommy está junto de sua irmã, formando assim a primeira dupla de sobreviventes em um filme da série; e o pequeno Feldman está excelente aqui, oferecendo um sutil toque “Spielberg” para o slasher, que praticamente torna-se uma aventura sombria toda vez que o menino ganha o foco narrativo – e Cohen merece aplausos pela maneira inteligente e inesperada com que o assassino é lidado no clímax, que realmente foge do padrão da série. Vale destacar também Rob, personagem de Erich Anderson que oferece uma subtrama interessante e que marca conexão com os demais capítulos, e também por oferecer mais uma figura inteligente e que não seja uma presa fácil – mas o roteiro é sádico na hora de subverter nossas expectativas.

No quesito direção, Sexta-Feira 13 nunca esteve tão elegante. A direção de Joseph Zito continua o padrão estabelecido no anterior, com menos câmeras POVs (ainda que haja um uso genial quando a câmera está na visão do Jason “morto” na cama do necrotério) e mais aposta na atmosfera e a antecipação pelo surgimento do vilão. Dentre assassinatos em chuveiros e surpresas em cozinhas, vale destacar o incrível plano onde a câmera de Zito faz um travelling enquanto uma das personagens tenta abrir a porta do carro, em meio a uma tempestade. O plano se alonga enquanto a personagem vai logo sumindo de vista, mas não antes que um trovão provoque um clarão onde vemos rapidamente a silhueta de Jason se aproximando por trás com um facão. Simplesmente sensacional, e que já vale o posto de melhor morte da franquia só pelo apuro estético.

É irônico que o quarto Sexta-Feira 13, vendido como o último da série, acabe por tornar-se o melhor exemplar até então. A abordagem de Barney Cohen e Joseph Zito foi um bem-vindo sopro de ar fresco e diversão genuína, e prova-se um aprimoramento tanto no terror, quanto no mais do que necessário trabalho com os personagens, que pela primeira vez tornam-se figuras interessantes. Felizmente – ou não – a Paramount voltaria atrás com a ideia de aposentar Jason Voorhees.

Sexta-Feira 13 Parte IV: O Capítulo Final (Friday the 13th: The Final Chapter, EUA – 1984)

Direção: Joseph Zito
Roteiro: Barney Cohen, baseado nos personagens de Victor Miller, Ron Kurz, Martin Kitrosser e Carol Watson
Elenco: Judie Aronson, Peter Barton, Crispin Glover, Corey Feldman, Kimberly Beck, Erich Anderson, Joan Freeman, Lisa Freeman, Ted White
Gênero: Terror
Duração: 95 min

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