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Para uma série que começou de forma até bem decente e promissora, embora um tanto capenga em certos quesitos narrativos, já podemos perceber uma notável melhora nesse segundo episódio de The Gifted. Que se inicia aqui exatamente com uma intro que já revela o que pode se encontrar de fraco e forte na série.

À primeira vista parece que estamos assistindo a outra das técnicas narrativas que já se tornaram um tanto cansativas em outras séries de super heróis: o uso do flashback do passado dos personagens para assim construir-los (o eterno presente de Batman Begins). Ao vermos a família Strucker se divertindo jogando boliche, no tempo de paz e felicidade que viviam antes de começarem a ser caçados pelo governo. É o que você pode esperar do mais piegas que um drama “teen familiar” da TV, o elenco tem boa química mas os diálogos e as performances medianas ainda não ajudam.

Só que nessa mesma cena, somos surpreendidos pela aparição de um pai e sua jovem filha mutante sendo caçoados por uns jovens preconceituosos, até a filha surtar em raiva e derrubar algumas coisas com a mente. Onde Reed se aproxima e aconselha que se retirem antes que causem mais atenção e confusão, e que logo em seguida é questionado por Lauren. O que já escancara o debate da ignorância e silenciamento individual de uma raça perante o seu meio social e governamental opressor. Os comentários sociais, a essência dos X-Men ainda firmes e fortes.

E ainda bem que não se ateve a só essa cena e vemos a veia sócio-política da série ainda se repetindo ao longo do episódio, em dois arcos particularmente. O com Kate e Marcos disfarçados no hospital para buscar medicamentos para tratar Blink ferida, onde quando o doutor indaga a Kate sobre seus ferimentos e se refere a Marcos como “gente que afloram os instintos às vezes”. Racismo e violência doméstica numa tacada só!

E no outro encontramos Lorna na prisão sofrendo de abusos de suas colegas de cela racistas e sendo obrigada a usar uma coleira para impedir seus poderes. Que de sobra ainda é espancada e atirada na solitária, tudo enquanto estando grávida. Uma alfinetada bem dada ao sistema carcerário e opressão feminina talvez?!

Falando em Lorna, muito legal ver o quanto a personagem está mostrando crescimento e ganhando melhor destaque na série. Todo seu arco na prisão talvez seja o mais interessante do episódio ao vermos a jovem mostrando mais e mais do seu ódio contra humanos e seu fácil apego e demonstração de afeto com os de sua espécie, ao tentar se aproximar da nova mutante da série (Anissa Matlock). Talvez mais e mais parecida com um certo Magneto, seu pai nos quadrinhos. E acredito muito que todo esse arco de tortura física e psicológica da personagem na série vai resultar exatamente em sua transformação de uma anti-herói, amante dos de sua espécie e repudiadora dos humanos.

Tirando isso, ainda temos o arco “central” do episódio com os irmãos Strucker e John/Thunderbird (Blair Redford) tendo que impedir que Blink pare de abrir portais aleatórios enquanto ferida e desacordada.

Uma ótima sacada no intuito de demonstrar as consequências dos poderes dos mutantes de forma muito realista, onde quando Blink abre os portais aleatórios vemos pedaços de carros voando pra dentro do refúgio dos mutantes instalando o caos. Que serve ainda de bom demonstrativo dos ótimos efeitos da série, ainda mais quando vemos Lauren fechando os portais de Blink com o seu escudo de força.

Ação criativa e fortes comentários sociais sendo entregues em boa medida?! Parece que Bryan Singer deixou mesmo sua marca nessa série e Matt Nix ainda a está aprofundando bem e que Len Wiseman comanda bem aqui (só eu esperava uma cameo de Kate Beckinsale aqui?!).

Mesmo seguindo ainda certas convenções episódicas e medianas performances (Percy Hynes e Jamie Chung ainda sendo os melhores. Mas me parece mesmo que The Gifted está conseguindo criar uma identidade própria aos poucos em seu meio televisivo de séries de super heróis.

Enquanto na DC da CW vemos estilo exagerado sob fraca substância e a Marvel Netflix com seu estilo lento, dramático, violento tentando ser adulta; The Gifted parece encontrar no seu meio de série “teen adulta” certa leveza na sua criação de diversão e relevantes comentários sociais. Espero que se mantenha assim!

The Gifted – 01×02: rX (Idem, 2017 – EUA)

Criado por: Matt Nix
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Matt Nix
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Percy Hynes, Natalie Alyn, Jamie Chung, Sean Teale, Emma Dumont
Emissora: Fox
Gênero: Ficção científica, Ação, Aventura
Duração: 43 minutos

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