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Quando eu disse que o terceiro episódio tinha sido apenas um bom filler da semana, sem nada de tão novo a trazer para a narrativa da série, parece que Matt Nix ouviu meu clamor de reclamação construtiva e entregou aqui, finalmente, um ótimo episódio e facilmente o melhor da série até agora! Mesmo que ainda contenha alguns deslizes preguiçosos e convencionais já familiares em The Gifted.

Nada vem com a perfeição que a gente quer, mas esse quarto episódio comandado Karen Gaviola realmente consegue surpreender. Nada realmente de inovador e o episódio leva seu tempinho para REALMENTE começar. Mais uma vez começando com um flashback filler do passado dos personagens, esse um tanto interessante por introduzir o personagem Pulso (Zach Roerig) – um grande ótimo rival nas HQs, e realmente mostra um payoff mais tarde no episódio. Não só dando um melhor destaque para o personagem de John/Thunderbird, o líder sofrendo as consequências de suas responsabilidades, como também terminando o episódio em grande alta nota!

Tirando alguns momentos iniciais de convencionabilidade televisiva, com a montagem pulando de um canto pro outro mostrando onde cada personagem está e o que estão fazendo, e alguns diálogos bem merrecas e clichês; temos um episódio que até flui muito bem e consegue manter o interesse do público quando descobrimos aos poucos a missão suicida que vai se tomar com o grupo de mutantes planejando atacar um comboio dos sentinelas que estará transportando Reed e Lorna/Polaris.

E claro, no meio disso, o roteiro encontra espaço para inserir um (bom) comentário social que a série ainda continua apostando. Esse involvendo Marcos/Eclipse que finalmente recebe um arco interessante na série que não involva, maioritariamente, ele se sacrificando pela sua amada ou amigo, e mostra reais consequências morais que o personagem enfrenta e vai enfrentar ainda mais no futuro. Onde o vemos se infiltrar em seu antigo cartel de drogas comandado por sua ex amante Carmen (Michelle Veintimilla), que a pede ajuda sobre informações da localização do mapa dos sentinelas.

Uma boa sequência do episódio que já revela um interessante debate sobre a diferenciabilidade entre o certo e o errado; bem e o mal; o que é justo ou criminoso fazer para sobreviver em uma vida destinada a repressão e opressão de seu meio social no mundo em que vive. Tráfico de mutantes, de pessoas ilegais, de drogas, qual seria a real diferença na ótica política racista?! E que força Marcos e pessoas como ele, a agirem criminalmente para sobreviver. Mas seria esse o certo ou moralmente estúpido e condenatório?!

Um bom terço que serve apenas como bom e interessante conteúdo para um episódio que brilha em seu terceiro ato.

 

Mesmo começando com uma montagem genérica, mostrando os personagens em seus íntimos antes da grande emboscada, com direito a uma música teen piegas de fundo, que finalmente dá lugar a uma ótima sequência de ação que finalmente colide todos os arcos individuais dos personagens, juntos em cena.

Mas Gaviola não é nenhum Bryan Singer e não entrega nada de realmente criativo com os poderes dos mutantes como mostrado em episódios anteriores. Exceto pelo trabalho de dupla entre os irmãos Strucker, misturando seus poderes para explodir a roda do ônibus que carrega seu pai e Lorna, de forma divertida. E o diretor consegue sim construir um ótima clima de tensão e suspense durante o embate quando um Pulso zumbificado volta a aparecer em cena e impele os poderes dos mutantes, que recorrem para as próprias mãos na hora do combate em um palco que lembra um bom faroeste moderno com mutantes no meio.

E como um bom filme de ação bem executado, brinca com as expectativas do público encurralando mais e mais os mutantes até que John finalmente nocateia Pulso e Reese pede a Lorna para usar o metal de sua prótese na perna para implodir o ônibus em que estão. Garantindo mais uma vez um momento tal pai tal filha com a poderosa mutante facilmente derrubando as armas humanas como um certo Magneto fazia tão bem. Garantindo a fuga do grupo e um suspiro de alívio do público.

Finalmente The Gifted entregou um episódio realmente classificável como bom e realmente excitante. Tanto em sua bem decente ação e contínua coesa construção de arcos de seus personagens. E mesmo que ainda em meio de certas falhas, ainda nos mantém interessados o bastante para vermos até onde a jornada desse grupo de mutantes foragidos da sociedade vai culminar. Só falta mais seis episódios para o fim senhor Matt Nix, não me falhe agora!

The Gifted – 01×04: eXit strategy (Idem, 2017 – EUA)

Criado por: Matt Nix
Direção: Karen Gaviola
Roteiro: Meredith Lavender, Marcie Ulin
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Percy Hynes, Natalie Alyn, Jamie Chung, Sean Teale, Emma Dumont, Elena Satine, Michelle Veintimilla, Zach Roerig
Emissora: Fox
Gênero: Ficção científica, Ação, Aventura
Duração: 43 minutos

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