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Embora The King, the Widow, and Rick traga em seu título a ideia de que veremos um episódio focado nos três líderes, o que vemos na verdade são momentos desses três intercalados com a inserção de núcleos de personagens que, fora o de Carl, parecem servir unicamente para direcioná-los a uma “visita” à base dos Salvadores.

Antes de mais nada, qual exatamente a ideia que Rick tinha em mente? Ir sozinho, a base de um grupo que já os traiu anteriormente, apenas pedir que eles se unissem novamente a sua causa? Isso vale o risco de totalmente desprotegido, sem qualquer membro de seu grupo para cobrí-lo? Não há qualquer caminho lógico, ainda mais se considerarmos todas as situações que o personagem passou até o momento. O que vemos ao fim do episódio parece sugerir apenas o óbvio, que Rick irá pagar caro por sua imprudência, após o não ouvido da líder do grupo do lixão, ainda neste episódio.

O núcleo envolvendo Maggie e Jesus tem sua continuação. com Jesus novamente mostrando-se uma “alma piedosa”, contra o massacre dos Salvadores. Nesse núcleo há ainda Gregory, o qual é totalmente a favor da morte dos Salvadores prisioneiros. Embora ainda traga o conflito sobre misericórdia entre Jesus e Maggie, ver a personagem admitir que apenas deixara os Salvadores entrarem em sua comunidade por sua utilidade como moeda de troca serve para mostrar que, dos três líderes, talvez a personagem seja, no momento, a mais equilibrada, ciente das possibilidades da guerra, mesmo que com isso arrisque deixando os “lobos junto às ovelhas”, como Gregory ressalta, antes de ser obrigado a ficar no mesmo local dos outros prisioneiros, o qual apenas exibe mais de sua faceta cínica e covarde ao aparentar desconhecer o que fez de errado.

Daryl, Tara, Michonne e Rosita aparentam ser os maiores candidatos a problemas nos próximos episódios. Se Daryl já havia dado mostras anteriormente de que estava a beira da ida a base dos Salvadores para “acabar com a guerra”, e Tara também tenha mostrado pouca vontade de manter Salvadores vivos, pouco tem-se que embase o avanço de Michonne e Rosita. Aliás, até há, porém, é algo frágil, que parece servir apenas como caminho para algo futuro. Ainda é cabível falar da cena de ação desnecessária envolvendo as duas personagens apenas toma minutos que poderiam ser melhor aproveitados em outros segmentos, como a própria visita de Rick ao lixão. Pouco da trama realmente avança no episódio. Temos ainda o breve vislumbre de uma eventual partida de Aaron e Enid a uma direção desconhecida, porém, dadas a declaração do personagem, sobre vencer a guerra, podemos presumir que a trajetória será a mesma dos outros personagem que rumam a base dos Salvadores.

Os momentos que envolvem Carl e o indiano Siddiq, e o Rei Ezekiel junto a Carol são o ponto alto do episódio. Através de diálogos eficientes, vemos mais de um personagem no mínimo curioso, que deu as caras no início da temporada. Siddiq traz consigo um ar de espiritualidade, uma vez que ele herdou da mãe o conceito de que a morte dos zumbis serve para libertá-los, sendo assim uma espécie de “objetivo” do personagem. Carl por sua vez vai mostrando-se um personagem que amadurece e afasta-se das asas do pai, ao decidir por conta própria levar o indiano a sua comunidade após ter ido procurá-lo, ajudando-o inclusive em sua missão para com os zumbis que encontravam pelo caminho.

Carol e Ezekiel rendem o outro “bom momento” do episódio, ainda que previsível. Pela primeira vez, vemos o Rei após sua “queda”, largado em seu palco, segurando a corrente de seu antigo tigre, agora morto. Pena que não há um melhor aproveitamento dessa imagem. Carol, ao deparar-se com essa situação, se prontifica a tentar motivá-lo a reunir-se aos seguidores e sair da reclusão, rendendo inclusive um belo momento de Melissa McBride, que nos proporciona uma lágrima tímida, provocada pela admiração que a personagem acabou nutrindo, com o passar do tempo, pelo Rei de Kingdom.

Se os outros episódios ainda conseguiram ter a minha total atenção por boa parte do tempo, The King, the Widow, and Rick acabou conseguindo um certo desinteresse pelo mesmo, não me permitindo qualificá-lo de outro modo senão o pior episódio da temporada, até o momento. Com roteiro fraco e fraco aproveitamento de situações, vemos um episódio que parece muito mais preocupado em levar personagens para direcionamentos específicos, os quais, na opinião deste que escreve, parecem tender as situações que serão enfrentadas no mid-season finale, daqui a duas semanas. Que isso valha a pena.

The Walking Dead – 8X06: The King, the Widow, and Rick — EUA, 26 de novembro de 2017
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: John Polson
Roteiro: Angela Kang e Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Juan Gabriel Pareja.
Duração: 45 min

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