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Embora por vezes a covardia tome conta do personagem, Eugene é um dos personagens mais sensatos de The Walking Dead. Em Time for After, o personagem apenas continua mostrando essa característica. Ele quer sobreviver, nada mais que isso. Ainda que se importe em salvar a vida das pessoas, ele nunca deixa que o heroísmo tome a frente de sua racionalidade. Por que tudo isso? Bom, porque boa parte do episódio traz o desenvolvimento de Eugene e suas relações com os Salvadores confinados, além de avanços na desnecessária situação de Rick e o grupo do lixão, e a continuidade do plano do grupo de Daryl.

No tocante ao confinamento dos Salvadores, todas as interações ocorrem sob o ponto de vista de Eugene. Particularmente, as melhores interações do personagem se dão com o Padre Gabriel, que está sob cuidados médicos após ser acometido por uma grave infecção. Se na primeira conversa entre os dois o padre consegue balançá-lo, após acontecimentos causados pelo plano de Daryl para dar cabo dos seus inimigos, algo que será tratado a seguir, o segundo contato entre os dois se dá com Eugene ressaltando como o “seu jeito” de ver as coisas pode não ser considerado o certo para a maioria, mas é o que o tem feito sobreviver, e sua lealdade a Negan continua mais forte do que nunca, por crer na força dos personagens e dos Salvadores. Os roteiristas acertam nesses diálogos, onde há força nas palavras, afinal, será que o “certo”, do ponto de vista ético, o qual é propagado pela maioria das pessoas, é realmente tão certo nessa situação? A performance de Josh Mcdermitt apenas contribui para isso.

Tendo em vista o afirmado pelo personagem nessa segunda conversa, é de se estranhar que ele não tenha entregue Dwight, o qual foi descoberto pelo cientista como o traidor. Após o espião chegar a frustrar a primeira tentativa de Eugene para ajudar os Salvadores a resolver o problema com os zumbis, a qual é inventiva, porém mal aproveitada, era perfeitamente aceitável que o cientista tomasse essa atitude. Mas não é o que ocorre. Ainda que preze pelo seu novo grupo, o que fica claro conforme sua expressão de raiva no momento em que os zumbis invadem o complexo, por conta do plano de Tara e Daryl, o personagem, possivelmente para não causar diretamente um provável assassinato, acaba escondendo o ocorrido de Negan, agindo como “herói”. Interessante que o citado anteriormente foi o oposto, correto? Então, essa “dualidade” pode ser apenas uma escolha do roteiristas para possibilitar algum acontecimento posterior envolvendo o personagem.

O núcleo de Daryl, Tara, Rosita e Michonne, dando continuidade ao plano de “finalizar” a guerra, é um dos pontos mais falhos do episódio, junto a trama do lixão, muito por conta da falta de coerência em algumas situações. Se Daryl ao menos tem mantido uma linha, ainda que claramente idiota e desesperada, de ação, não tendo aprendido em nada com seus erros, as ações de Tara e Michonne pouco fazem sentido. A primeira, em muito tempo, pouco tem tido espaço para mostrar algo que dê margem de entendimento a seu partido em acabar com a Guerra a qualquer custo. Ela simplesmente está fixa em um ponto, e quer alcançá-lo. Já Michonne, embora preocupada com Rick, também acaba sendo inserida, a primeira vista, muito mais para dar continuidade ao uso da personagem. Sua lealdade a Rick é clara, sendo desnecessário um apoio inicial ao plano de Daryl, apenas para recuar depois. Com isso, a personagem que tem a aparição mais interessante acaba sendo Rosita, a qual é claramente contra o plano de Daryl, mostrando evolução, após o ocorrido com Sasha por conta de uma atitude impulsiva sua.

Quanto ao lixão, sinceramente, pouco entendo a necessidade da ida de Rick até o local. Não só a ida, mas toda a situação que ocorre lá dentro. Primeiramente, o personagem simplesmente é despido para, posteriormente, ser colocado em uma espécie de “luta na gaiola” com um zumbi. Após conseguir se livrar de um inimigo que o segurava, Rick imobiliza Jadis, cercado por vários soldados armados. Qual é exatamente a vantagem do herói, que fariam seus inimigos não atirarem e ainda conseguir o apoio de sua inimiga? Por mais que o grupo do lixão já tenha dado mostrar de ser tão pragmático quanto Eugene, pouco temos visto do grupo para entender o que serve para embasar sua lealdade, seja com quem for.

Time for After acaba sendo um episódio de situações incoerentes, em uma série que parece pouco saber o que fazer com alguns seus personagens principais. A inserção de Michonne e Tara, por exemplo, e o uso do grupo do lixão, parecem existir mais como uma corrente, que serve para puxar os personagens “inúteis” para cena. O mid-season finale já é no próximo fim de semana. A ver se seremos presenteados com um bom episódio, ou apenas um cliffhanger para manter as atenções atraídas até o retorno da série.

The Walking Dead – 8X07: Time for After — EUA, 03 de dezembro de 2017
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Larry Teng
Roteiro: Matthew Negrete e Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Juan Gabriel Pareja.
Duração: 44 min

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