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Mesmo com algumas falhas, The Lost and the Plunderers pode ser rapidamente alçado a um dos melhores episódios desta temporada de The Walking Dead, o que, cá entre nós, não chega a ser tão difícil. Após um episódio retorno morno, a série encaminha algumas situações que levantam questões interessantes sobre o futuro de alguns personagens.

O episódio como um todo é dividido em seis pontos focais, os quais sofrem suas transições por meio de uma imagem com fundo escuro e o nome do personagem a ser acompanhado no centro da tela. Permitindo que cada ponto focal tivesse seu desenvolvimento adequado, com praticamente todos se cruzarem em algum momento, as transições pouco incomodam durante os 44 minutos do episódio, dando até um ar diferente no que é constantemente visto na série. Aliás, a direção de David Boyd traz pequenos momentos simbólicos que acabam agradando aos olhos de quem acompanha a série, já que não é algo tão frequente. A tentativa de Michonne em extinguir o fogo que queimava um determinado elemento de Alexandria, que remetia a Carl, apenas para fracassar, não só nisso mas na própria tentativa de ambos em ainda tentar salvar algo de Alexandria, que acaba tendo em seu último vislumbre apenas um denso nevoeiro, terminando com qualquer sensação de segurança que o ambiente anteriormente passou.

Ainda falando em Michonne, é ela o primeiro personagem a receber atenção no episódio, sendo vista, como já citado acima,  tentando salvar o que restou do antigo lar que compartilhava com sua nova família, em uma atitude mais desesperada, poucas vezes vista na série, sendo inclusive chamada de volta a realidade por Rick, a aceitar que seu lar se foi. Saindo de Alexandria, Michonne é convencida por Rick a ir ao lixão atrás dos seus membros, por serem de importante valia no combate. Porém, ao chegarem no local, deparam-se com vários zumbis.

A seguir, Negan. O personagem já reaparece apenas mantendo seu estilo pragmático no momento de conduzir seu processo de “salvação da humanidade”. Após verificar o status da busca de seus capangas pelos membros de Alexandria, o vilão chama Simon para conversar. Com um insano desejo de matar, é visível a diferença entre os dois nesse diálogo, ainda mais quando recebem o corpo, agora zumbi, de um dos Salvadores que Maggie havia matado. Enquanto Simon se altera e deseja vingança, Negan, mesmo vendo um dos seus, mantém-se pragmático, ordenando que Simon ainda mantenha seu pedido anterior, ir ao povo do lixão, matar um dos membros para dar o exemplo e trazê-los de volta ao lado dos Salvadores, uma vez que o grupo possui um razoável arsenal de armas. Simon almeja também extinguir o grupo, sendo fortemente repreendido por Negan, que pela primeira vez se altera no episódio.

Após Negan, o foco é alterado para Aaron, Enid e Oceanside. Claramente o ponto mais destoante do episódio, já que não interage com qualquer um dos outros núcleos, e apenas ocupa espaço, dando continuidade a trama que ainda não aparenta ter outro sentido que não ter esse grupo no confronto final, provavelmente auxiliando Rick, ou então sendo morto antes pelos Salvadores. Basicamente, Enid e Aaron, após terminarem em um confronto que havia culminado na morte da líder da comunidade, são presos, para em seguida serem libertados, o que faz com que Enid volte, provavelmente para Hilltop, enquanto Aaron esconde-se e mantém a comunidade em observação.

Agora o foco é Simon. Claramente alterado, o personagem vai ao lixão. Após prometer apenas levar as armas do grupo como forma de rendição, Simon, após conseguir as armas, começa a matar um por um vários membros do grupo, o que causa um misto de desespero e raiva de Jadis, em boa performance de Pollyanna McIntosh, que encerra o momento no lixão com a câmera focada em seu rosto, mostrando o pavor que a personagem estava sentindo. O momento de Simon encerra-se com sua volta a base dos Salvadores, onde mente pra Negan, que claramente desconfia de como foi o processo para obter as armas, porém, acaba tendo sua atenção desviada por um rádio, o qual falarei mais adiante.

A próxima personagem a receber foco, é Jadis. O que vemos, quando Rick e Michonne a encontram, é um retrato de alguém que perdeu tudo. Com uma expressão de entrega, a outrora forte e traiçoeira líder da comunidade, toda paramentada em sua armadura, mostra-se frágil, com uma simples roupa branca, enquanto acompanha os seus antigos amigos transformados andando em sua frente. É nesse momento que a personagem retoma algo visto momentos antes, durante a “visita” de Simon, quando cita sobre como o talento na pintura é algo seu, que simplesmente fluiu. Para Jadis, o lixão, que anteriormente servia para buscar telas, virou, após o apocalipse zumbi, uma grande tela, onde eles poderiam fazer a sua obra. Com a morte de seus amigos, tudo deixa de ter esse significado, a ponto da personagem, de início, implorar que Rick e Michonne permitam que ela os acompanhe. O pedido negado por Rick, faz com que a personagem acabe tomando uma decisão que, caso tivesse sido melhor trabalhada, poderia ter sido melhor explorada. A morte dos membros do lixão no triturador, com Jadis tombando ao lado, no final, mostra o fim, não só da comunidade, como da antiga Jadis, que não deverá ser esquecida na sequência da temporada.

Por fim, Rick. Após ser questionado por Michonne quanto a sua decisão, uma vez que é o oposto dos últimos pedidos de Carl, o personagem finalmente cria coragem e lê a carta de seu filho, a qual faz com que ele entre em contato diretamente com Negan, que finalmente sabe sobre a morte do menino que tanto admirava. Uma nova faceta do personagem é vista então. Um pesar sincero, de um homem que não só entende a dor do outro, como também percebe ter perdido o que ele considerava o futuro daquele mundo. Porém, se Negan sente a dor da morte e mantém uma tristeza contida, Rick apenas consegue prometer que irá matar o inimigo, mesmo que Carl quisesse o contrário. É quando, em poucas palavras, Negan mostra que, caso Rick não tivesse ido tentar matá-lo, Carl poderia estar vivo. É quando ele joga na cara de Rick como o personagem falhou, não só como líder, mas como pai. Um posicionamento que simplesmente esfrega na cara de Rick como sua falta de misericórdia influenciou na morte do filho.

Como pode ser visto neste extenso texto, The Walking Dead nos premia com um bom episódio. Posso ter me alongado um pouco demais, e provavelmente toda essa boa qualidade do episódio seja muito mais fruto do retrospecto ruim da série, mas é inegável que The Lost and the Plunderers tem seus méritos, levanta questões interessantes, e já atiça a curiosidade para o que vem por aí.

The Walking Dead – 8X10: The Lost and the Plunderers — EUA, 04 de março de 2018

Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Jason Boyd
Roteiro: Angela Kang, Channing Powell, Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Juan Gabriel Pareja, Pollyanna McIntosh
Duração: 44 min

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