nota-3,5

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Obs: Infelizmente nosso colega Leandro T. Konjedic, responsável pela análise semanal da série, esteve indisponível esta semana. Mas fiquem tranquilos que na próxima semana ele está de volta. 

Obs²: O texto a seguir contém spoilers.

Após aquele que vem sendo considerado por muitos o pior episódio da história de The Walking Dead, deixando o expectador claustrofóbico em um episódio entediante e massivo, eis que a série começa a se libertar novamente, enxergando o seu potencial no qual eu temia estar perdido.

Prosseguindo a icônica abertura, a trama se inicia a partir do ponto que Go Getters se encerrou, com Carl e Jesus dentro do caminhão dos Salvadores. O filho de Rick, já com um propósito em mente, consegue despistar o colega quando este pula do veículo em movimento. Chegando ao Santuário, Carl então manifesta-se com sua presença matando integrantes do grupo de Negan, e o vilão reage impressionado perante suas atitude.

A personalidade de Carl é o grande destaque deste episódio. Ao contracenar com Negan, fica claro como o personagem vem se distinguindo de seu pai: enquanto Rick compreende que deve aceitar sua submissão, Carl é ousado e mantém-se firme na tortura psicológica de Negan – exceto por um instante, quando o personagem sucumbe, lembrando o expectador o quão jovem ainda é.

No entanto, mesmo que o paralelo entre o pai e o filho seja feito, há uma certa diferença entre os casos. Negan tem admiração por Carl, tornando sua megalomania um pouco mais acuada. Algo já apontado em Service, mas melhor aprofundada. Detalhe, toda esta relação é retirada fielmente do material fonte, assim como a conversa entre os personagens no quarto do vilão. Quando o jovem subitamente se levanta, questionando se Negan seria capaz de matar ele e sua família, por exemplo, as falas são idênticas aos quadrinhos.

A performance de Chandler Riggs merece elogios. O ator chora em cena, entoando sua voz de maneira bem orgânica, sem apelar para expressões muito fortes. O resultado é um envolvimento maior com o personagem o qual nunca tive antes. Quanto a Jeffrey Dean Morgan, mesmo que meu colega Leandro já tenha elogiado sua performance magnífica, sou obrigado a fazê-lo de novo. Em uma sequência dinâmica e divertida, o ator encarna uma espécie de “espetáculo cômico de horror”. Nos encontramos em um beco sem saída: rir ou assustar-se?

Além disso, algumas questões no Santuário são melhor esclarecidas, como sua absurda relação entre as esposas. Assim, Sing Me a Song é o primeiro episódio a dar atenção em outros detalhes de Negan, o princípio de um melhor desenvolvimento. Perceba que além de Carl, ele age de maneira nunca antes vista com outros dois personagens: Sherry, uma de suas esposas, a qual ele tem uma conversa mais íntima e reservada – que é prosseguida por uma delicada cena onde Dwight, seu ex-marido, é humilhado. E, também, quando encontra Judith. Repare a maneira como trata a criança, sentindo-se mais confortável graças a inocência da mesma.

Mesmo que o núcleo central funcione bem, o episódio peca em suas tramas paralelas, com exceção de Michonne, cuja narrativa torna-se relevante devido ao desenvolvimento da personagem. Ela que sempre teve uma personalidade mais calculista, dessa vez revela-se um pouco mais impulsiva – ao agredir de uma maneira fria uma membra dos Salvadores, exigindo um encontro com Negan. Resta saber se a personagem tem algum plano além de conversar com o vilão, já que um encontro poderia ser obtido em uma de suas visitas em Alexandria.

Enquanto isso, Padre Gabriel e Spencer vão atrás de mantimentos, assim como Rick e Aaron. A primeira dupla tem como maior defeito a péssima atuação de Austin Nichols como Spencer. O personagem já não é dos melhores, sempre inconveniente em cena tomando atitudes estúpidas além de ser vazio, e a performance de Nichols não colabora. Por um momento o ator parece tremer em cena, estando totalmente deslocado do cenário. Mas o bom roteiro compensa através ótimas palavras de Padre Gabriel, transparecendo toda a sua gratidão por Rick, encerrando com uma sinceridade crua em cima de Spencer.

Já Rick e Aaron, não há muito o que comentar. Seus momentos aqui são bem curtos. Os personagens adentram em um terreno, cuja entrada está com avisos ameaçadores. Encerra do jeito que começou, vazio. Esperemos que no próximo episódio o núcleo renda ao menos uma boa aventura.

Também temos a relação entre Rosita e Eugene, uma situação um tanto clichê. Pedindo que Eugene colabore criando uma bala, a moça então revolta-se com o chorão quando este se recusa, descontando toda sua raiva dizendo-lhe umas verdades, porém logo pede desculpas. Os rumores que vêm surgindo a respeito de um novo casal parecem ganhar força, certamente uma maneira de dar utilidade a personagens cujo tempo já se esgotou.

Jesus aparece servindo para criar um bom gancho ao próximo episódio. Agora, dentro do Santuário e entregando uma presente a Daryl, estou curioso em ver a resolução da trama.

Sing Me a Song não é um episódio perfeito. Mas é o primeiro em que finalmente vemos o vilão um pouco além da performance do intérprete. E mesmo que erre na construção de outros núcleos, compensa seus antecessores dando indícios de que no fundo The Walking Dead ainda é uma grande série.

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