Ainda que já tenham ocorrido vários confrontos entre Negan e Rick, nenhum deles havia sido feito da maneira que vemos em The Key, episódio da semana de The Walking Dead, que ainda traz a continuação de algo visto em The Lost and the Plunderers, e a aparição de um novo grupo de personagens, a qual pouco conversa com os outros dois elementos vistos.

Tratando-se da aparição desse novo grupo, o que vemos, em primeiro momento, é apenas algo que aparenta existir somente como algo de futuro, onde a inserção desse grupo traz consigo planos para novas estruturas necessárias para um suposto avanço na captação de recursos da comunidade. Essa inserção acaba sendo envolvida também, como já é praxe na temporada, no constante discurso sobre misericórdia, que anda aparecendo com muita frequência, de uma maneira que já tem se tornado, de certo modo, chato. Dessa vez, novamente, envolve Maggie, que de início recusa envolver-se com esses visitantes, apenas para posteriormente ajudá-las e receber o “benefício divino” que essa atitude traz consigo. Algo totalmente descartável, que poderia ter dado mais tempo de tela para uma certa trama em especial.

Esse núcleo em especial, seria o tão esperado, ou nesse caso, inesperado, confronto entre Negan e Rick. Veja, nós já tivemos outro momento dos personagens a sós, logo no início da sétima temporada, em The Day Will Come When You Won’t Be. Após esse momento, os personagens já entraram em confronto algumas vezes,mas sempre envoltos por soldados, companheiros, em movimentos que tinham o envolvimento de muitas pessoas, e nunca permitiram o confronto direto entre os dois, cara a cara.

Aqui Rick, enquanto ficava de vigia após seu retorno a Hilltop, visualiza o comboio de Negan que estava indo rumo a Hilltop. No meio do comboio, Negan, conduzindo sozinho um veículo. A oportunidade surge e Rick, contrariando ordens de avisar caso visse algum carro do inimigo, parte em direção ao carro de Negan e o acerta, retirando-o do comboio, atropelando o seu carro, o que força Negan a fugir de um Rick armado, adentrando em um prédio abandonado, onde Rick finalmente tem a oportunidade de confrontar seu inimigo. Começa então um combate que, embora saibamos claramente que nenhum dos dois personagens irá morrer, consegue prender a atenção do espectador, seja pelo fator surpresa com que ocorre, onde a urgência e o próprio fator surpresa servem para fazer frente a qualquer preparação prévia vista no episódio, como ocorre em Battle of Bastards, de Game of Thrones. Junte a isso o fato desse confronto ocorrer em um local onde há a constante ameaça dos zumbis, bom uso da escuridão para aumentar ainda mais o suspense, uma montagem competente, distribuindo equiibradamente a atenção entre o confronto e a constante ameaça dos zumbis, e o que temos é uma luta que consegue cumprir seu papel, pedindo até mais tempo de tela, além de uma maior “exclusividade”, pois por vezes o foco era direcionado para outro núcleo do episódio. Ainda assim, embora o confronto tenha um resultado já esperado, o que ocorre com um dos personagens é no mínimo surpreendente, não só dando uma certa incerteza quanto ao rumo deste, como também dando continuidade a uma situação vista anteriormente no seriado.

Se o núcleo de Negan e Rick chama a atenção pelos fatos envolvidos nele, narrativamente, esse acontecimento talvez tenha tido como maior resultado a continuação da narrativa envolvendo Simon. O personagem, que ja havia desobedecido as ordens de Negan em The Lost and the Plunderers ,aqui continua mostrando sua insatisfação com relação aos planos do personagem. Tendo anteriormente manifestado a Dwight seu descontentamento para com os planos de seu líder, aqui a “rebeldia” de Simon alcança um novo nível. Após tratar com perceptível destrato a busca por Negan, Simon mente para Dwight e o convence a se juntar a ele e abandonar a busca a Negan. Porém, ao invés de cumprir sua promessa, Simon convence os outros Salvadores a ir para Hilltop com a intenção de destruir a comunidade. Resta ver agora quais os impactos esse acontecimento trará ao desenrolar da guerra. Mas sem dúvida, o cenário é no mínimo curioso.

The Key consegue ser um bom episódio principalmente pelas reviravoltas, perfeitamente lógicas dentro do que tem sido visto na série. Elas inovam e prendem a atenção do espectador de modo que o interesse para o desenrolar das tramas apresentadas sejam garantidos. Que venha a reta final da Guerra Total!

The Walking Dead – 8X12: The Key — EUA, 18 de março de 2018

Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Corey Reed, Channing Powell
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Seth Gilliam, Pollyanna McIntosh
Duração: 45 min

Comente!