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Quando você torna um ponto específico o centro do episódio, é necessária alguma habilidade tanto do diretor quanto dos responsáveis pelo roteiro para manter algo minimamente atraente, que justifique essa decisão. Essa habilidade mostra-se através da construção de bons diálogos, uma história plausível, ou mesmo a própria condução diretiva do episódio, capaz de garantir alguma fluidez e criar momentos atraentes. Infelizmente, pouco disso é visto em Do Not Send Us Astray.

Tendo por foco não só a continuação do plano de Simon, que nos últimos episódios tem assumido o papel de grande antagonista da série, não só sendo desleal para com seu líder como mostrando um desejo cada vez mais frequente de encerrar de uma vez por todas o confronto com os sobreviventes de Hilltop, como do plano de Negan, banhando suas armas em sangue zumbi, o episódio inicia-se com o princípio da invasão dos Salvadores a comunidade, onde temos vislumbres de seus membros se preparando para a invasão. É onde alguns personagens conseguem ter seu espaço no episódio, como Morgan, que agora passa a ser assombrado por alucinações com Gavin, algo que simplesmente surge no início do episódio, Siddiq, que mostra personalidade afirmando sua posição frente a responsável médica de Hilltop, quando esta questiona suas habilidades, e Carol, Ezekiel e Henry, o qual continua em sua busca pela vingança do irmão, a qual aliás o faz tomar uma decisão tão questionável quanto a própria atuação do ator mirim, que pouco transmite ao espectador o real sentimento do personagem, exceto por suas falas. Mas isso será retomado a frente.

A invasão começa, e o diretor … faz razoável trabalho de câmera e condução da ação, trazendo uma montagem segura, com pequenos intervalos nos cortes e que constantemente alternam planos médios, focando tanto em quem ataca com em quem é atacado. O trabalho de inserir tanto alguma tensão quanto a sensação de mais ação nas cenas é feito com constante auxílio da trilha sonora.

Porém, se o trabalho de direção do episódio, como um todo, é operático, certas escolhas feitas pelos roteiristas, e até pelo próprio diretor, acabam incomodando e atrapalhando o andamento do episódio. Um deles é quando os boa parte dos membros de Hilltop, aproveitando a escuridão criada por alguns de seus membros em meio a confusão, refugiam-se no prédio central da comunidade. O incômodo se dá principalmente pelo modo pouco inteligente, ainda que entendível, com que os Salvadores aproximam-se do prédio após esse refúgio. Sim, Simon almeja acabar com o confronto de uma vez por todas, assassinando todos os seus inimigos. Porém, isso justifica uma incursão desorganizada e imprudente a um prédio cheio de adversários, “de peito aberto”? Sim, é um risco bem infantil, mas que foi enfrentado pelos Salvadores, os quais, com alguma sorte, conseguem fugir, mas não sem baixas.

As outras duas escolhas que poderiam ser melhores, dessa vez, partilham problemas mais de execução. Primeiramente, falemos de Henry. Obcecado por achar o assassino de seu irmão, mais cedo ou mais tarde o garoto invadiria o local onde alguns Salvadores eram mantidos como reféns. É a questão do impacto da nova configuração de mundo na mente de crianças. Isso já foi trabalhado em alguns momentos da quarta temporada da série, recaindo no famoso “olhe para as flores” de Carol, que foi obrigada a assassinar uma criança, rendendo um dos momentos mais chocantes de TWD. Porém, talvez por ter certa semelhança temática, uma atitude também chocante poderia ser tomada aqui, com o personagem de fuzil em mãos. No entanto, o que se viu foi um erro bobo do garoto, que acaba permitindo a fuga de diversos reféns que eram mantidos em Hilltop, onde só permaneceram no local aqueles que realmente quiseram ficar, principalmente após Simin declarar no início do episódio que eles não interessavam mais.

O outro momento, de maneira semelhante ao anterior, também remete a algo trabalhado de uma maneira muito melhor na quarta temporada. Por conta das armas e flechas infectadas, vários integrantes de Hilltop acabam definhando, renascendo como zumbis. O desconhecimento da situação dessas armas acaba pegando os moradores desprevenidos, que, de guarda baixa, são alvos fáceis para os infectados, ainda mais por estarem, em maioria, refugiados no prédio central de Hilltop. Porém, diferente do que foi visto anteriormente, onde toda a situação acabou rendendo momentos de verdadeira tensão na prisão, aqui, o trabalho de criação de atmosfera e antecipação feito pelo diretor não é suficiente para que haja qualquer temor a respeito da vida dos personagens.

Um trabalho mediano, que perde pontos por certas escolhas e execuções falhas. Assim pode ser definido Do Not Send Us Astray. Mantendo sua habitual inconstância, The Walking Dead nos entrega um episódio fraco, onde nem o destino praticamente sacramentado de certa personagem é capaz de nos fazer sentir qualquer comoção.

The Walking Dead – 8X13: Do Not Send Us Astray — EUA, 25 de março de 2018

Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Jeffrey F. January
Roteiro: Angela Kang & Matthew Negrete
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Seth Gilliam
Duração: 42 min

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