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No terceiro volume de sua obra, Robert Kirkman realmente nos mostra do que é capaz, levando uma história de zumbis (que já não era simplesmente isso) para um outro nível. O autor, enfim, deixa mais claro que nunca o real perigo desse universo, explorando o psicológico de seus personagens e introduzindo-nos a um dos melhores arcos de The Walking Dead até então, que termina somente com a saída da prisão. Aqui temos um grau de violência que efetivamente faz nossos estômagos revirarem, Kirkman traz o que há pior na raça humana e coloca nessas 148 páginas e mesmo assim não deixará de nos surpreender no futuro, especialmente com o Governador e Negan bem mais à frente.

Após serem expulsos da fazenda de Hershel, Rick e seu grupo acabam encontrando uma penitenciária, que parece ser o local ideal para transformarem em um local verdadeiramente seguro para morarem. O local, infestado de zumbis, precisa ser limpo, mas, a este ponto, tais criaturas já se revelam ser um problema menor – basta não se distrair que tudo ficará bem. O autor, através de seu protagonista, mais uma vez nos mostra quais as qualidades de cada um dos personagens, sabe explorar a personalidade de cada um e o que, de fato, eles podem fazer de útil – como é o caso de Andrea, como a melhor atiradora do grupo.

O que fica mais evidente, porém, é o perigo que o próprio homem representa. Este é o primeiro volume no qual não vemos sequer uma morte por zumbis – eles ainda são aquela “força da natureza” a ser combatida, mas o simples fato de nenhum perecer pelas mordidas dos seres já prova o ponto de Kirkman. Mesmo Tyreese, acreditado morto após seu frenesi no ginásio da prisão, retorna à salvo (ainda longe de são devido a seu trauma). Essa ausência de mortes por zumbis, contudo, está longe de significar o término do perigo: crianças decepadas, voyeurismo, assédio, suicídio consentido é só um pouco do que encontramos no volume, no qual cada capítulo consegue quebrar a esperança do leitor pouco a pouco.

Mais importante ainda, porém, é a forma como esses acontecimentos moldam Rick. De página em página ele vai largando seu antigo ‘eu’, o policial justo e ético que vimos lá atrás na primeira edição. O homem duro começa a ser formado, aquele que faz o que precisa ser feito, algo que já temos, de relance, nos momentos finais de Segurança Atrás das Grades. Isso, é claro, sem falar na descoberta que define todo o universo de The Walking Dead: todos estão infectados, que define uma pequena jornada pessoal para Rick, a qual já ilustra perfeitamente o antes e o depois do protagonista.

O que realmente chega a ser surpreendente é a agilidade com a qual Kirkman conduz a sua história e o faz sem, em ponto algum, torná-la inorgânica. Cada evento puxa outro, cada decisão, diálogo, de fato, desempenha um papel narrativo de importância e constrói os diversos personagens presentes na prisão. Informações aparentemente irrelevantes em um momentos são posteriormente resgatadas, garantindo toda a coerência e a coesão da história, além, é claro, de preservar sua fluidez.

Segurança Atrás das Grades é um verdadeiro marco dentro de The Walking Dead e até hoje certamente se configura como um dos melhores volumes da obra de Robert Kirkman. De forma orgânica, ágil e coesa, o autor nos traz uma narrativa de revirar o estômago de qualquer um, ao mesmo tempo que nos faz querer virar página após página em uma ânsia interminável pelo que está por vir – naturalmente um uso preciso de cliffhangers impactantes. Começou o arco da prisão e ainda veremos muita brutalidade e o pior da raça humana até o fim dele.

The Walking Dead – Vol. 3: Segurança Atrás das Grades (The Walking Dead – Vol. 3: Safety Behind Bars)

Contendo: The Walking Dead # 13 a 18
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Charlie Adlard
Arte-final: Cliff Rathburn
Capas: Tony Moore
Letras: Robert Kirkman
Editora nos EUA: Image Comics
Data original de publicação: Outubro de 2004 a Abril de 2005
Editora no Brasil: HQM
Data original de publicação no Brasil: abril de 2008 (encadernado)
Páginas: 148

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