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O arco da prisão continua e Robert Kirkman não dos dá espaço para respirar. O que era antes a introdução de sua história se encerrou no momento que chegaram na penitenciária, e agora ele abre espaço para trabalhar as questões que objetivava abordar desde o princípio. A cada edição, o autor nos mostra que efetivamente tudo pode mudar, a situação de relativa segurança na qual o grupo se encontra é frágil, podendo ser abalada por elementos tanto internos quanto externos e a cada acontecimento sentimos o impacto na mente dos personagens, como é o caso de Rick em Desejos Carnais.

Continuando exatamente de onde fomos deixados no número anterior, a 18ª edição nos coloca dentro da problemática do motim dentro da prisão. Kirkman, porém, não perde tempo e mesmo antes de terminar a revista já encerra essa pequena subtrama, inserindo a cada número praticamente uma nova pequena história, em em uma narrativa episódica que muito lembra a estrutura de séries televisivas (as mais ágeis e melhores construídas, é claro) – temos algo similar na segunda metade da quarta e na quinta temporadas da série adaptada.

Dos diferentes focos que temos neste quarto volume, contudo, o que chama mais atenção é o de Rick, que pouco a pouco vai sofrendo com a pressão de liderar o grupo, algo que ele diz fazer porque é o que esperavam dele (e chegaram a pedir logo nos números iniciais). O curioso, porém, é como Kirkman trabalha tal questão, nos mostrando que, de fato, Grimes não consegue largar esse osso. A pressão da liderança está sobre ele, mas em ponto algum ele efetivamente deseja largá-la – quem tem o poder não deseja deixá-lo de lado. Isso ocorre, inclusive após o mental breakdown que o personagem sofre após a tentativa de suicídio de Carol. Com a formação de um conselho – uma tentativa de retomada da democracia – Rick ainda permanece como aquela eminência parda, algo comprovado pelo seu discurso posterior.

E sobre esse mesmo monólogo do personagem podemos observar o amadurecimento do roteiro de Kirkman. Como já disse em outras críticas, já saímos da introdução da história e o já clássico “We are the Walking Dead” representa muito bem isso, justificando o título da história, oferecendo a ele um novo sentido. Os personagens que aqui acompanhamos não mais vivem, apenas sobrevivem – isso pode ser considerado, de fato, uma vida? O agravante é a questão de estarem já todos infectados, então, realmente, estão todos mortos – humanos em estado terminal roubando minutos da morte – viva cada dia como se fosse seu último, a citação surge em uma das páginas e muito bem exemplifica o que o grupo passa, pois, efetivamente, não há um futuro, ninguém virá salvá-los, como o próprio protagonista diz.

No traço há, também, um evidente crescimento – a mudança do artista do primeiro volume para o segundo já não incomoda mais, ao passo que o desenho evidentemente passa a contar com um número maior de detalhes, especialmente nos personagens, que, como nunca, conseguem demonstrar perfeitamente suas emoções. Painéis contam com um maior número de detalhes e estão evidentemente mais presentes. O interessante, porém, é, já tendo lido o que vem depois, saber que a arte ainda melhora muito.

The Walking Dead é um daqueles exemplos raros de obras que parece só ficar melhor a cada número, uma história que consegue nos sugar para dentro dela, nos fazer sentir como eles se sentem, nos angustiar. Desejos Carnais continua a narrativa ágil e angustiante construída por Robert Kirkman, apenas nos deixando com uma ânsia maior do que está por vir nos números subsequentes.

The Walking Dead – Vol. 4: Desejos Carnais (The Walking Dead – Vol. 4: The Heart’s Desire)

Contendo: The Walking Dead # 19 a 24
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Charlie Adlard
Arte-final: Cliff Rathburn
Capas: Tony Moore
Letras: Robert Kirkman
Editora nos EUA: Image Comics
Data original de publicação: junho de 2004 a novembro de 2005
Editora no Brasil: HQM
Data original de publicação no Brasil: outubro de 2009 (encadernado)
Páginas: 148

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