nota-2
 
Quando o Marvel Studios decide nos presentear com ótimas experiências cinematográficas, a Casa das Ideias o faz com louvor, por exemplo, quando trouxe os excelentes Homem de Ferro e Marvel’s The Avengers: Os Vingadores para as telonas. No entanto, esse mesmo estúdio inovador e que toma riscos, também comete crimes como quando  os lamentáveis O Incrível Hulk Homem de Ferro 2 seguidos por uma mediana estreia do Deus do Trovão foram apresentados a nós.
 
Eis que em 2013 temos a continuação…
 
Thor: O Mundo Sombrio nos leva de volta a Asgard após os eventos ocorridos em Os Vingadores. Loki (Tom Hiddleston) é preso por seu pai Odin (Anthony Hopkins), sendo condenado a viver o resto de sua vida nas masmorras. Já Thor (Chris Hemsworth), agora não mais o arrogante do primeiro filme, luta pela permanência da paz por todos os Nove Reinos, junto com seus amigos Fandral (Zachary Levi), Vollstag (Ray Stevenson), Hogun (Tadanobu Asano) e Sif (Jaimie Alexander).
 
Enquanto isso, na Terra – Midgard -, se preferir, Jane Foster (Natalie Portman) procura um parceiro amoroso, tendo em vista que seu último relacionamento foi interrompido de maneira “abrupta”. Em meio a um desses encontros casuais, sua estagiária Darcy (Kat Dennings) a interrompe inconvenientemente, porém logo desperta o interesse da cientista ao revelar pontos irregulares de física na cidade. Jane, então curiosa, acompanha Darcy a uma fábrica abandonada. No local, Foster faz uma análise das anomalias, e, fascinada, distrai-se pelo edifício procurando outro ponto, sendo então sugada para dentro de um portal. Do outro lado, a cientista se encontra no local (coincidentemente) onde o Éter está escondido. Ali, o objeto invade seu corpo com uma força incomum.
 
Heimdall (Idris Elba), a pedido de Thor, procura por Jane para saber como ela está. Após o Guardião falhar em achá-la, o Deus do Trovão vem para a Terra. Quando rapidamente a encontra, percebe que há algo muito errado com ela, então a decide levar para Asgard para que seja tratada. Já em Asgard, Odin enraivece-se com a presença de Jane, claramente desaprovando o relacionamento dela com o filho, porém, ao ver a força dentro dela, repara que uma antiga profecia envolvendo Malekith (Christopher Eccleston) estava pra se cumprir.
 
Basicamente, essa é a trama do filme resumida. Nada muito grande, nada muito especial. Malekith buscando recuperar o Éter, transformar o universo em um grandioso reino sombrio, e Thor tentando salvar Jane antes que o poder do arma a destrua. A resolução disso tudo é uma pequena batalha de alguns quarteirões em Londres, ou seja, nada coerente ao questionarmos os poderes dos envolvidos.
 
Os efeitos especiais do longa são um “despetáculo” a parte. Tratando-se de cinema blockbuster, filmes cuja proposta é fascinar o público com grandiosidade de cenas e produções magníficas, acredito que esse seja um bom ponto a ressaltar-se no texto. Sendo assim, julgo ser inadmissível um filme com um grande estúdio por trás entregar um resultado digno de um filme para televisão, especialmente um do canal pago SyFy (pelo menos, este é honesto em assumir ser trash).
 
Há um mau proveito sério de momentos em que poderiam ser utilizados efeitos mais práticos, sem intervenções de CGI em pós-produção, principalmente nas cenas passadas no dito Mundo Sombrio. Ao assistir o Making Off do filme, bate uma tristeza em ver a preguiça estampada no mau uso dos sets de filmagem. As lindas paisagens brancas da Islândia, se difundem em uma coloração computadorizada suja, escura. Já em Asgard, o excesso de CGI em cenários apenas confirmam a má vontade de se fazer produção maior comparada ao primeiro filme (este contendo o mesmo problema, sendo ainda mais limitado). O design de produção da morada dos deuses é bonito, interessante… porém não convence. A fotografia querendo fazer jus ao título do filme também não colabora, deixando os cenários escuros, nada chamativos.
 
 
Quanto a direção do filme, não há muito o que reclamar, porém, não há nada  aqui digno de um elogio. Alan Taylor assume o comando de Kenneth Branagh com cautela, sem riscos. Seu trabalho é ligado no automático, portanto, seu nome nos créditos não faz a mínima diferença. Há um problema relacionado a montagem que teima em quebrar momentos chave de drama e potencial ameaça em Asgard ou no Mundo Sombrio ao cortar diretamente para cenas com alto teor de humor – todas irrelevantes – no núcleo da Terra, prejudicando o equilíbrio.
 
Ao longo do filme, reparei que há apenas 2 sequências de ação que empolgam e criam alguma expectativa: a primeira, com a entrada de Malekith e seu exército em Asgard, indo até a morte de Frigga, que possui como reação uma linda cena de seu funeral e a segunda, onde Thor alia-se com Loki e planeja com seus amigos uma maneira de sair de Asgard para salvar Jane. Para ser sincero, fora isso, nada mais importa no quesito ação neste filme já que a batalha final apenas se vende pelo humor. Aliás, batalha final esta onde o roteiro incoerente peca ao ignorar totalmente o universo da Marvel, assim como visto no final de Homem de Ferro 3. Uma invasão alienígena de forças desconhecidas ocorre, ameaçando uma metrópole inteira, e o governo manda dois jatos apenas para a defesa. “Ok”, então…
 
Chris Hemsworth, cujas performances sempre são um tanto duvidosas, entrega um Thor forte fisicamente, não passando disso. A direção e o roteiro também o prejudicam não dando uma oportunidade para que o personagem atinja seu potencial. Tom Hiddleston, quando aparece, rouba a cena, cumprindo seu papel decentemente. Anthony Hopkins volta como Odin, competente, porém completamente subaproveitado. Rene Russo surge carismática como Frigga. Lamentável que o roteiro preguiçoso tenha matado a personagem e depois tenha se esquecido de sua morte na trama, soando irrelevante. Nem Thor ou Odin parecem abalados com o ocorrido. Pior ainda é a cena que sucede o funeral: uma piada expositiva com Selvig no asilo.
 
Zachary Levi substitui Josh Dallas, intérprete no primeiro filme, como Fandral. Porém é um acréscimo irrelevante, passando totalmente despercebido assim como todo o núcleo dos Três Guerreiros. Jaimie Alexander apenas está no filme para cumprir tabela e serve para mostrar um vislumbre de um suposto triângulo amoroso mau executado. Natalie Portman é a típica donzela em perigo, uma astrofísica reduzida a garotinha apaixonada, também no automático. Uma afronta contra uma atriz que nos proporcionou uma incrível performance em Cisne Negro. Kat Dennings como Darcy continua irritante como no primeiro filme, e Stellan Skarsgaard é o cientista maluco alívio cômico.
 
Malekith, talvez o vilão mais fraco de todos os filmes da Marvel. Em “Homem de Ferro 2” tivemos o impulsivo Whiplash e o insuportável Justin Hammer. Mas Malekith nem isso tem espaço para ser. Ao menos, Hammer e Whiplash tinham um confronto direto contra Tony Stark. A rivalidade entre ambos estava presente. (Gostaria de fazer um adendo e dizer que não estou defendendo estes vilões horrorosos, estou apenas usando-os como exemplo, já que Malekith é tão ruim quanto os mesmos.) Mas isso não ocorre entre Thor e Malekith. A motivação do Elfo Negro gira em torno da retomada do Éter, elemento usado para tornar o universo em pura escuridão quando os Nove Reinos estão alinhados. Para prejudicar ainda mais, a maquiagem excessiva não ajuda Christopher Eccleston, escondendo suas expressões em cena. Não o conhecemos, não o entendemos.
 
Thor: O Mundo Sombrio é uma ofensa ao público em geral e, principalmente, aos fãs que esperavam um filme épico digno do Deus do Trovão. Uma ofensa ao próprio. É realmente um desperdício de potencial incalculável. Assim como ocorre com Hulk, temos que nos contentar com as participações de Thor nos filmes dos Vingadores. Após um filme tão ruim, me pergunto se Kevin Feige ainda não comprou um bom óculos e percebeu que o personagem não é uma mera bijuteria paraguaia.
Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, EUA – 2013)
Direção: Alan Taylor
Roteiro: Christopher Yost, Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Idris Elba, Christopher Eccleston, Kat Dennings, Stellan Skarsgard, Zachary Levy, Jaimie Alexander, Tadanobu Asano, Ray Stevenson
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 112 min
 

» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Comente!