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Dez anos atrás, Michael Bay trouxe à vida os bonecos da Hasbro e Takara Tomy que tiveram suas próprias animações e filmes nos anos 80. Apesar de inicialmente terem sido criados para vender brinquedos, Transformers ganhou uma mitologia que se expandiu nas animações através do tempo, conquistando seu espaço na grade que é a cultura pop, mas sempre mantendo o mesmo arco central: Autobots e Decepticons que fazem da Terra o seu campo de batalha.

Michael Bay era conhecido por filmes como Bad Boys, A Ilha, e Armageddon, e aqui é a primeira vez que o diretor adapta algo vindo da cultura pop, mesmo que ainda deixando suas várias marcas registradas. Explosões em excesso, contra-luz, bandeira americana em cada take, e tomadas ao pôr do sol.

Bay se utiliza do básico do cânone dos personagens como ponto de partida. A trama tem como início a criação dos Transformers, a guerra pelo Allspark que levou seu planeta, Cybertron, à destruição. O Allspark é um artefato que serve tanto para gerar vida quanto para fins bélicos, e após a destruição de Cybertron, fica à deriva no espaço, até cair na Terra. Assim se inicia a busca dos Autobots e Decepticons pelo cubo.  Diferente da animação de 1984 que tinha como foco principal os Autobots, Bay tem como foco central no roteiro os personagens humanos, onde temos a clássica jornada do garoto comum, que quer a garota, e é jogado para fora de seu lugar comum num conflito desconhecido, e talvez essa seja a maior falha do filme.

Como todo blockbuster que envolve robôs gigantes, monstros, ou semelhantes, há um núcleo de personagens humanos que maioria das vezes está ali para matar tempo da trama. Aqui temos Sam Witwicky (Shia Labeouf), um garoto comum que sonha com o primeiro carro, e a partir dessa experiência é jogado no conflito entre os robôs. Por mais que alguns momentos tentem ser carismático, Shia entrega uma atuação extremamente histérica. Seu interesse amoroso, Mikaela, interpretada por Megan Fox, entra em cena apenas para fazer caras e bocas em tomadas de câmera lenta com muito contra-luz. Do outro lado da trama, temos o time de militares liderados por Josh Duhamell e Tyresse Gibson, que de longe são os personagens mais interessantes do filme, possuindo uma ótima interação com os robôs.

Quanto ao núcleo dos robôs, Optimus Prime e Bumblebee carregam o filme em suas costas. Bumblebee sendo um robô com problemas de fala, que possui um carisma enorme se comparado aos personagens humanos, e Optimus sendo o líder badass. Os outros Autobots não possuem muito tempo de tela para que se gere empatia com o público, e estão na trama apenas para as cenas de ação. O mesmo ocorre com os Decepticons, que além de Megatron, nenhum é realmente importante para o desenrolar da história.

No que diz respeito a cenas de ação, é um show a parte. Michael Bay entrega excelentes sequências, como a perseguição na rodovia entre Optimus Prime e Bonecrusher, e o clímax em Mission City. Os efeitos são completamente críveis e provocam uma grande imersão, as batalhas parecem reais, e os robôs são de certa forma humanizados. Diferente das animações, onde possuíam um visual um pouco mais “quadrado”, Bay redefine os Transformers dando diversas partes móveis e um visual mais alienígena, condizente com seu universo.

No final, Transformers não é o filme que os fãs da série animada mereciam, mas ainda tem seus méritos. Num tempo em que blockbusters procuram se levar cada vez mais a sério, um filme como Transformers, que não tem muita substância no roteiro e possui a simples missão de entreter o expectador com explosões, robôs gigantes, e Megan Fox, é válido de se considerar. Michael Bay não tem medo de entregar um filme com o famoso selo “Sessão da Tarde”, e o mais importante, Michael Bay não tem medo de ser Michael Bay.

Transformers (Transformers, EUA – 2007)

Direção: Michael Bay
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman
Elenco: Shia LaBeouf, Tyrese Gibson, Josh Duhamel, Megan Fox, John Turturro
Gênero: Ação, Ficção Cientifica 
Duração: 144 min

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