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Muitos filmes já nos mostraram sob diversos pontos de vista o processo natural da maternidade, quase sempre focando em mães que passam por um processo de adaptação pelo filho que vem inesperadamente ou pelo ponto de vista da felicidade em se ter uma criança. A diferença de Tully para essas outras produções é o tom mais realista empregado quanto a desgastante tarefa de cuidar da casa, dos filhos e de um outro bebê que está por vir.

Charlize Theron está impagável como protagonista de Marlo, uma mulher forte que passa pelos dramas de cuidar da família e relembrar momentos em que era jovem e não tinha preocupações. Sua personagem é bem estruturada e nos passa todo o sentimento de esgotamento físico e mental que está vivendo. Praticamente todas as responsabilidades em cuidar dos filhos está em suas mãos, já que o marido se preocupa mais com o videogame que propriamente em cuidar dos filhos.

Toda narrativa é montada em cima de Marlo, a inserem bem junto com seu marido e filhos, mas depois de um tempo que tudo nos é apresentado a história começa a ficar monótona e algo de novo precisava acontecer. Eis que inserem a babá que dá nome ao longa. Tully (Mackenzie Davis) é uma mulher jovem, alegre e está disposta a ajudar Marlo ajudando a tomar conta do bebê recém nascido. É Tully que rouba a cena no momento em que aparece, sua personagem tem um brilho diferente de Charlize, e isso foi proposital já que a protagonista anda esgotada e a babá não. 

A aparição de Tully transforma toda uma narrativa arrastada em algo mais vibrante e até a personagem de Charlize Theron que vivia em depressão se torna uma mulher mais vibrante e feliz. Marlo ganhou não apenas uma pessoa que a auxiliasse em sua árdua tarefa de ser mãe, mas também uma amiga. Quem assina o roteiro é Diablo Cody, ela e Jason Reitman já haviam trabalhado anteriormente com Charlize no filme Jovens Adultos em que fizeram algo parecido com Tully, um drama que se segura na protagonista com uma trama realista e diferente do que está no mercado audiovisual. 

O roteiro que em primeiro momento se apresenta óbvio por ser um assunto já bastante trabalhado em outras produções, mas que aqui é um pouco mais aprofundado principalmente na questão do drama da personagem. Se em Jovens Adultos o tema era o de relacionamentos agora a ideia é falar em como uma mulher, mesmo depois de ter filhos não precisa abandonar sua vida privada e que pode sim pensar mais em si própria. 

Quanto aos aspectos técnicos a fotografia é que mais se destaca sendo sempre em tons quentes e cores pastel, dando um ar de lugar aconchegante do ambiente maternal e mostrando o momento de vida que Marlo se encontra. Figurino e direção de arte estão igualmente bem, trabalhando em conjunto para criar a caracterização dos personagens e do ambiente que se inserem. 

Jason Reitman acerta ao encontrar um tom, sempre colocando a protagonista como uma mulher afetuosa e mesmo tendo que encarar tantos desafios não desiste em nenhum momento. Outra escolha interessante é não colocar o marido como antagonista, o parceiro que não ajuda em casa e deixa tudo para a esposa. Quanto aos planos há um vício em Reitman em usar quase sempre a câmera estática com planos abertos, algo simples e que não traz nada de diferente quanto ao jeito de se filmar. 

Tully é um filme curioso sobre a abordagem quanto a maternidade e a questão de cuidar dos filhos que é bem desenvolvida até um certo limite, depois de um tempo se mostra repetitivo em trazer diálogos poucos inspirados.

Tully (Tully, EUA – 2018)

Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Charlize Theron, Mackenzie Davis, Mark Duplass, Ron Livingston, Colleen Wheeler
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 96 min

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