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E finalmente a história da Fada Negra nos foi revelada!

A origem do mal sempre foi um tema muito explorado por Once Upon a Time. Desde seus primeiros capítulos, a constante luta entre as forças das trevas e da luz estiveram em conflito, tanto exterior quanto interiormente. Na temporada de estreia, fomos introduzidos a personagens complexos que lidavam com seus defeitos e qualidades de forma a constantemente deixar claro que os maniqueísmos adotados pelos clássicos contos de fada não passavam de máscaras provisórias que escondiam arcos muito mais profundos e interessantes.

É óbvio que, depois de certo tempo, a evolução narrativa deu lugar à mesmice e à monotonia – e sim, gosto de citar a quinta iteração do show idealizado por Edward Kitsis e Adam Horowitz aqui. Levou muito tempo (quase dois anos) para que Once retornasse às suas origens e acreditasse em um potencial há muito perdido. E confesso que, para o episódio de uma das maiores vilãs já existentes no universo do seriado, a competência criativa deveria atingir outros níveis.

Felizmente, foi isso o que aconteceu.

No capítulo anterior, descobrimos que a Fada em questão (Jaime Murray) tem, assim como outros bad guys que já assolaram a pequena cidade portuária de Storybrooke, um segredo obscuro que pode colocar todos os seus planos no escanteio. Como se não bastasse, o ápice de redenção de Zelena (Rebecca Mader) emergiu como uma saída interessante tanto para sua personagem quanto para o atraso na concretização dos desejos corrompidos da personagem de Murray. Entretanto, as coisas ficam ainda mais interessantes nos primeiros minutos deste novo capítulo, intitulado The Black Fairy.

Sabemos que a Fada, cujo nome mortal é Fiona, é mãe de Rumplestiltskin (Robert Carlyle) e que ela o abandonou quando era apenas um bebê. Mas nunca sabíamos o motivo – e a ideia geral do roteiro assinado por Jerome Schwartz e Dana Horgan é explicá-lo (ou pelo menos fornecer um panorama considerável para compreender o passado distorcido do Senhor das Trevas). Mas, como bem conhecemos a identidade da série, nada tem uma conclusão completa: as possibilidades são infinitas, visto que somos apresentados apenas a uma parcela da história.

Acontece que (spoilers à frente!) ela foi a responsável por impedir que o futuro de seu filho se concretizasse – e o futuro da qual estamos falando definitivamente configura-se como uma virada inesperada. O problema? O momento em que isso ocorre, ou seja, no início do primeiro ato do episódio. Talvez este seja o deslize mais complexo de ser analisado.

A cena é a seguinte: Fiona e Peter (o pai de Rumple que, no terceiro ano de Once Upon a Time, mostrou ser o vilão Peter Pan) são agraciados com a visita de duas fadas: Blue (Keegan Connor Tracy) e Tiger Lily (Sara Tomko). Tiger é a fada-madrinha da criança, um ser de coração puro que nasceu com um destino terrível: ser o Salvador de sua geração. Assim como Emma Swan (Jennifer Morrison), o término de sua linha narrativa vai ao encontro da tragédia e de sua morte para um “bem maior”. Porém, enquanto a protagonista da série teve de aceitar sua fatídica ruína, Rumple já foi coagido enquanto bebê por sua própria mãe a inclinar-se para a Magia, ainda que não fosse totalmente consciente disso.

É um fato inegável dizer que a família em questão sempre esteve na convergência de uma escuridão tão ridícula de tão presente. Até mesmo personagens secundários a esta genealogia – como Belle (Emilie de Ravin) – foram impactados com os corolários que antecederam a I Guerra dos Tronos (evento que separa as duas partes da história em Once Upon a Time). Assim como Rumple, Fiona abdicou de sua mortalidade e de suas características maternais para manter-se unida ao poder que acidentalmente criara para si mesma; e assim como seu filho, ela negou até o final sua dependência extrema das facilidades que a Magia trouxera para sua vida, alegando o uso como proteção máxima do destino que o aguarda.

O amor maternal é algo muito poderoso – e isso já foi provado na série dos modos mais perversos e variados. Entretanto, não podemos deixar de nos lembrar que estes personagens trazem consigo uma humanidade muito maior da vista em contos-de-fada escrito, abandonando arquétipos heroicos/vilanescos para embarcar em jornadas de autodescobrimento que culminam em epifanias duradouras. E através de deslizes e acertos, o episódio dedicado à relação descrita nos parágrafos acima nos faz levantar diversas questões, principalmente a seguinte: se Fiona realmente amava Rumple, por que utilizou de sua condição como matriarca para tirá-lo do fim ao qual estava predestinado?

Todas as subtramas narrativas da temporada acharam um espaço para se mostrarem úteis aqui. Até mesmo o mal estruturado capítulo Street Rats, que dialogou com o clássico épico de Aladdin, teve seus elementos resgatados para concluir mais um dos arcos da temporada e deixar margem para uma batalha final que promete ser digna do que esperamos.

Em suma, The Dark Fairy é uma iteração um pouco mais fraca que as anteriores, mas sua beleza está nas explicações em que tenta fornecer durante os quarenta e dois minutos de narrativa. A situação parece ter ficado ainda mais complicada em Storybrooke – e a fidelidade do público finalmente encontrou um lugar mais confortável que nunca.

Once Upon a Time – 6×19: The Black Fairy (Idem, 2017, Estados Unidos)

Criado por: Adam Horowitz, Edward Kitsis
Direção: Alrick Riley
Roteiro: Jerome Schwartz, Dana Horgan

Elenco: Lana Parrilla, Josh Dallas, Jennifer Morrison, Ginnifer Goodwin, Jared S. Gilmore, Emilie de Ravin, Colin O’Donoghue, Sean Maguire, Robert Carlyle, Rebecca Mader
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 42 min.

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