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Uma das maiores reclamações da última temporada foi a cara de filler que muitos episódios de The Walking Dead tiveram. Então, como uma espécie de resposta, estamos tendo um início de temporada um pouco mais acelerado. Se em Mercy, apesar de suas idas e vindas nas múltiplas linhas de eventos apresentada, nós já tivemos um ensaio de um maior dinamismo na história, The Damned vem e o estabelece, ao menos nesse início de temporada, trazendo um episódio com ação do início ao fim.

Continuando os eventos finais do episódio anterior, temos a “equipe dos mocinhos” dando prosseguimento ao ataque surpresa as bases dos Salvadores, após o cerco da base principal. Caso esqueçamos de uma questão básica envolvendo essa chegada surpresa(ok, a chegada surpresa na base principal ainda funciona, mas por qual motivo os membros desta não deixaram as outras bases de sobreaviso, uma vez que a base não foi totalmente destruída?), ela funciona. A ação do episódio como um todo é competente, combinando um jogo de câmera e montagem que garantem um ritmo mais alto do que o normal.

Outro fator que garante esse maior dinamismo é utilização de mais de um núcleo de personagens, algo que foi praticamente abandonado na temporada passada. Ainda que o núcleo envolvendo Carol e Ezekiel seja o mais monótono, com pouco a acrescentar tanto aos personagens quanto a trama, essa multiplicidade de histórias acaba ajudando a termos episódios que perdem menos tempo com tramas desnecessárias.

Remetendo diretamente ao título do episódio anterior, temos os pontos mais destacáveis do episódio. Em um núcleo, Tara e Jesus discutem sobre matar ou não um inimigo rendido, com o personagem sendo totalmente contra ideia mesmo após quase ser morto pelo personagem que ele estava defendendo. No outro, Morgan, em um dos melhores momentos do episódio, levanta-se após fingir ter sido atingido por um tiro sai pelos corredores de uma das bases dos Salvadores, atirando nos inimigos que encontra pelo caminho. Durante toda a sequência, flashbacks de sua conversa com Rick apenas servem para contrastar o quanto o personagem mudou, desde o momento em que reapareceu. Destaque também para o olhar frio que Lennie James trazia no olhar durante toda a sequência, sendo impedido apenas por Jesus, quando estava prestes a matar um dos personagens que haviam se rendido momentos antes. Ainda também cabe destaque a continuidade do embate interno de Rick, iniciado no episódio anterior. Aqui, após enfrentar e matar um dos Salvadores, Rick descobre um bebê em um quarto próximo, o qual seu inimigo estava protegendo. Nem o público nem Rick sabem dizer se a criança era filha ou não do personagem, mas o simples olhar que misturava confusão e um pequeno desespero, competentemente transmitido por Andrew Lincoln, já é o suficiente para mostrar como o personagem está confuso, lutando para não deixar o desejo de vingança para com todos seus inimigos se sobrepor ao real significado de toda aquela Guerra.

Ainda temos, para o final do episódio, uma surpresa. Trata-se do retorno de Morales, personagem que apareceu ainda na primeira temporada, e que estava sumido desde o penúltimo episódio da mesma. Porém, se anteriormente o personagem mostrou-se um aliado de Rick, dessa vez ele mostra-se um inimigo, tendo chamado os Salvadores enquanto mantém Rick refém. É possível que nos próximos episódios saibamos os reais motivos dessa mudança do personagem, e a explicação do destino que sua mulher e filhos tiveram.

Como dito anteriormente, The Damned trouxe ação do início ao fim. A multiplicidade de núcleos a ação e a linha mais linear de eventos, sem saltos para o passado ou futuro, garantiu um episódio bem mais dinâmico, atrativo e rápido. Além disso, ainda há o fato de que novas pinceladas foram dadas sobre algo que deve ter grande influência no desenvolvimento da temporada: a misericórdia. Se Morgan apenas foi impedido de continuar matando e ouviu algumas palavras de Jesus, o mesmo não pode ser dito por Rick, que ficou claramente confuso ao matar alguém que poderia ser o pai de um bebê que estava a poucos metros dali. Com isso, no geral, tivemos um bom episódio. Porém, toda essa ação me deixou com um receio. Devido a grande quantidade de episódios, a série claramente terá que desacelerar em algum momento, até para dar espaço para os personagens mostrarem mais do que somente o que os tiroteios e as invasões permitem. E é nesse ponto que The Walking Dead tem derrapado. Desacelerar não necessariamente significa estagnar, parar a história. Que o showrunner e seus roteiristas consigam entender essa diferença e não deixem a peteca cair.

The Walking Dead – 8X02: The Damned — EUA, 29 de outubro de 2017
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Rosemary Rodriguez
Roteiro: Matthew Negrete e Channing Powell
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan, Juan Gabriel Pareja.
Duração: 41 min

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