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“Say Yes” continua a tendência de focar em um núcleo por episódio, esta responsável por equívocos completos como “Swear” e “Hostile and Calamities”. Felizmente, o caso aqui não é tão tenebroso mas comete alguns dos mesmos erros. 

Tentando fazer funcionar o que deu certo na quarta e quinta temporadas, ao explorar de forma mais intimista o relacionamento de personagens, e o que não deu certo nem uma única vez na presente temporada, o episódio aprofunda o relacionamento amoroso entre Rick e Michonne pela primeira vez através de diálogos e dilemas bem construídos. 

O ponto alto do espisódio, momento em que Michone reage a uma possível morte de Rick, é excelente e sintetiza o que a personagem sente pelo xerife. Ele é o seu norte, o líder que a guia, que a viu primeiro lá na terceira temporada na parte externa da prisão. Michonne deixa claro que não saberia o que fazer caso Rick morresse em combate. Ele, por sua vez, acha que poderia superar a morte da companheira em nome do bem maior, alegando que ela o ensinou a pensar de tal forma. 

Igualmente forte, são dedicados ao personagem de Andrew Lincoln momentos que revelam sua vontade de não voltar para Alexandria e apenas ficar com seu par. Greg Nicotero não poupa esforços na hora de exibir cenas de sexo e diálogos banais durante momentos mais normais e introspectivos.

Se não avança a trama, ao menos adiciona substância a uma relação que surgiu de forma repentina na temporada passada e não havia tido tempo suficiente de digestão por parte do espectador. O mesmo não pode ser dito quando o foco muda para outros membros de Alexandria. Tara e Rosita – ainda antipática e genérica – enfrentam conflitos previsíveis e terminam o episódio da exata forma que imaginávamos. Oceanside é, aparentemente, colocada à mesa por Tara  , cujo confronto moral não convence e Rosita decide forjar uma aliança com Sasha com o intuito de fazer justiça pelas próprias mãos. Eu realmente espero que essa aliança não renda um episódio focado apenas nas duas. 

O departamente de efeitos visuais da série ainda parece estar desleixado ou com problemas de orçamento, a exemplo da porca recriação digital de um veado, perceptível até para os menos atentos. Algumas vezes nessa temporada, como a tigresa, hordas de zumbis e ambientes de fundo de cena o problema se mostrou grave e, pelo visto não aparenta sinais de melhora. Talvez a situação mude com a exibição do episódio explosivo da grande guerra. 

Enquanto a direção de Nicotero, figura carimbada na série, acerta nos enquadramentos com Rick e Michonne, a fotografia não complementa seu trabalho. Mesmo em um colorido parque ou durante um nascer ou pôr do sol, a cinematografia é chapada e não acrescenta personalidade a uma cena com grande potencial visual. Um fato triste para mim por reconhecer que a série já exibiu um cuidado estético fenomenal em episódios passados específicos, como o primeiro dessa temporada e aqui passa a impressão de que o trabalho foi feito de má vontade. 

“Say Yes” melhora em relação ao terrível episódio da semana passada mas falha em empolgar para eventos futuros. A série, a essa altura, definitivamente perdeu seu charme, sua urgência, sua imprevisibilidade e, aparentemente, sua capacidade de surpreender o público ao tentar se reinventar. A tentativa de, aos poucos, dar substância a relacionamentos e construção de tomadas de determinadas decisões e administração de conflitos dos personagens é louvável mas ainda executada de forma morna, sem grandes atrativos, quando não ruim. Nota-se que há algo de muito errado quando até mesmo a parte técnica que mantinha uma constante de qualidade durante toda a série, se transforma somente em uma obrigação presencial sem inspiração. “The Walking Dead” já teve dias melhores e, pelo andar da carruagem e leitura da sinopse dos próximos episódios, não será nessa temporada que veremos algum tipo de avanço significativo. 

 

The Walking Dead – 7X12: Say Yes  (EUA, 5/02/2017)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Matt Negrete
Elenco: Andrew Lincoln, Chandler Riggs, Danai Gurira, Sonequa Martin-Green, Christian Serratos, Alanna Masterson,
Duração: 44 min.

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