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Coitado do personagem de Lennie James, Morgan. Perdeu sua mulher, filho, fé, enfrentou 2 crises existenciais e, no momento em que começou a sexta temporada foi jogado para escanteio. Agora, o problema é maior. Não sabendo o que fazer com ele, o showrunner decide trazer à tona mais uma crise existencial a Morgan mas, dessa vez, de forma totalmente mal escrita.

O núcleo da vez a ser explorado trata-se do Reino. Já sabíamos que, em algum momento, o personagem de Khary Payton, Ezekiel, iria ceder ao pedido de Rick e entrar na guerra contra Negan, sem termos conhecimento do motivo, porém. Claro, havia a saída de roteiro clichê e previsível bastante comum nessas situações que poderíamos prever, a motivação por morte de um membro próximo. E não é que foi exatamente o que aconteceu? Para a surpresa de absolutamente ninguém, o personagem Benjamin (Logan Miller) morre pelas mãos dos Salvadores por conta do plano de Richard (Karl Makinen) que deu errado ao sabotar a troca de alimentos entre as duas facções.

Richard já havia deixado claro em episódios anteriores ser um homem que obedece a máxima “os fins justificam os meios”, planejando até mesmo uma possível morte para si ou para Carol como isca. Aqui, após se culpar pelo plano de sabotagem ter dado errado e terminado em morte, com direito a um diálogo com Morgan que revela o bom potencial dramático de Makinen, o personagem tenta emplacar um novo plano, novamente, não obtendo êxito. Ou obtendo, dependendo do ponto de vista. O motivo é o grande erro do episódio.

Morgan, que adotara a filosofia de “toda a vida é preciosa”, não se posicionando a favor de nenhum tipo de confronto que termine com perdas de vidas, tem um de seus momentos de surto e, repentinamente, ataca Richard, o enforcando e matando na frente dos Salvadores e do time de entrega de Ezekiel, revelando para todos o esquema falho de Makinen. Trata-se de um momento extremamente decisivo para o desenvolvimento do personagem daqui para frente, uma completa mudança de status e atitude que, infelizmente é costurada no roteiro de forma abrupta, sem timing ou qualquer construção/antecipação correta para o ato. Em outras palavras, é jogado na cara do espectador da forma mais preguiçosa possível.

O que aparenta é que os roteiristas resolveram chutar o balde e seguir a famosa escola de roteiro, com um personagem X agindo de um modo em uma determinada situação e, após um simples acontecimento Y, agir de outro, entregando desenvolvimento forçado através de um artifício barato que liga os dois status. É vergonhoso notar que o mesmo caminho foi escolhido para lidar até mesmo com a virada de Ezekiel.

De resto, temos Carol – Melissa McBride, entregando sua habitual competência de atuação – descobrindo sobre as mortes de Glenn e Abraham através de Morgan no último momento do episódio, obviamente. Assim como Tara só foi contar a respeito de Oceanside no último momento do episódio passado, assim como Rick decidiu se voltar contra Negan no último momento do episódio 8 e por aí vai. É uma montagem de eventos batida e covarde para atiçar um cliffhanger.

“Bury Me Here” é apenas mais um episódio ruim dessa temporada recheada deles que apresenta três viradas de atitude fundamentais e importantíssimas para o futuro de 3 personagens de forma porca e mal construída. É previsível, não oferece nada surpreendente e ainda toma a questionável decisão de matar tão cedo um personagem interessante carregado por um bom ator que se provou engajado e soube aproveitar o momento dramático que lhe foi entregue. Um desperdício, afinal. Enquanto isso, continuo com a minha conclusão de que, definitiva e urgentemente, está na hora de uma troca de showrunner. Ou quem sabe Scott Gimple não poderia incorporar em si mesmo o espírito da escola de roteiro?

The Walking Dead – 7X13 Bury Me Here (EUA, 3/12/2017)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Alrick Riley
Roteiro: Scott M. Gimple
Elenco: Melissa McBride, Lennie James, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller
Duração: 46 min.

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