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Como de costume na série, os dois primeiros episódios de Westworld levantaram uma série de dúvidas sobre o destino de cada personagem, além de criar diversas linhas temporais distintas, fazendo nos perguntar se tudo não passa de uma grande narrativa desenvolvida por Ford. Esse terceiro episódio, Virtù e Fortuna, por sua vez, manteve ativa a ‘geração de questionamentos’, não oferecendo muitas respostas, enquanto abriu mais possibilidades para o seriado, tudo enquanto introduziu uma possível nova personagem.

Em Reunion acompanhamos de perto as ações de William e Dolores, dois núcleos com histórias distintas que parecem caminhar para o mesmo lugar – o passado, presente e futuro se entrelaçaram, criando uma narrativa sólida e sem muito espaço para devaneios que poderiam prejudicar a fluidez do capítulo. Nesse terceiro episódio, contudo, presenciamos uma nítida falta de foco, com a trama focando principalmente em Dolores, Bernard e Maeve, com breves sequências envolvendo uma nova personagem, que aparece tanto na introdução, quanto nos minutos finais do capítulo.

Claro que, se tratando de uma série com grande número de personagens, é natural que testemunhemos a costumeira fragmentação narrativa – o grande problema não está nessa intercalação e sim na forma como essas sequências são encadeadas. As subtramas de Dolores e Maeve ou Bernard e Maeve ainda estão muito separadas em termos de objetivo final, para serem colocadas lado-a-lado. Sim, ambas lidam com a rebelião dos anfitriões, mas não é passada a mesma sensação de unidade que vimos em Reunion, o que facilmente poderia ter sido evitado se optassem por concentrar em dois núcleos novamente, ao invés de três – o que evitaria o constante vai e vem que permeia toda a narrativa.

Ao menos, em todos esses núcleos eventos de grande importância são retratados, todos se configurando como pontos chave dentro das jornadas de cada um desses personagens. Dolores lutou ao lado dos confederados e sobreviveu às custas deles; Maeve encontra mais ‘aliados’ e descobre algum anfitrião de outro parque (bastante coerente, considerando que através dela descobrimos os primeiros indícios do Shogun World, na temporada passada); já Bernard continua gerando mais dúvidas em nós, espectadores, mas conclui sua jornada de encontrar o pai de Dolores e de confrontá-la brevemente.

Com isso, é passada a sensação de que a série não irá meramente estagnar – o grande problema, como foi dito está na ordem de apresentação dos fatos e não neles em si. Bom exemplo disso é o trecho final com a personagem desconhecida, saindo da água. Enquanto que o texto poderia ter acabado com ela, criando uma narrativa cíclica, visto que ela protagonizou a cena inicial, a medida é abandonada a favor de um cliffhanger barato, que já funcionaria mesmo se não fosse exatamente a sequência final., especialmente levando em consideração a duração do trecho da mulher saindo da água e se deparando com os índios.

Nisso tudo, o que gera a maior questão é a pergunta de Charlotte Halle a Bernard logo no início do episódio, se ele sabia onde Peter Abernathy estava. Possivelmente, a linha temporal da personagem salvando esse anfitrião se passa antes de Bernard a reencontrar, o que pode indicar que ela suspeita de Bernard. Claro que muito pode ter acontecido entre esses dois momentos, mas é gerada a dúvida se não estamos falando em mais que apenas dois tempos.

Aliás, já entrando nessa questão, não sabemos ao certo se a personagem recém introduzida também faz parte desses eventos. Podemos estar diante de mais uma linha temporal distinta, uma que se passa muito antes de tudo – inclusive já existem teorias sobre ela ser, de fato, Theresa Cullen, embora os créditos a nomeiem como Grace. Vale ressaltar, que, mesmo segundo os showrunners, Lisa Joy e Jonathan Nolan, nada é o que parece na série, portanto, resta apenas aguardar.

Outro potencial problema, que depende de como a história irá progredir daqui em diante, é o aparente abandono de duas questões importantes, sem mais nem menos. A primeira é a tal arma mencionada por Dolores e William no episódio anterior, algo que a anfitriã parecia dedicada em encontrar, mas que não é sequer citada neste capítulo. A segunda é o lago repleto de anfitriões mortos que Bernard e os seguranças da Delos encontraram, que mais parece ter sido esquecido aqui. Mais uma vez: são problemas que podem ser anulados no futuro da temporada, resta apenas aguardar.

Com isso, Westworld mantém seu padrão de aumentar ainda mais nossas dúvidas, enquanto que segue trazendo bom progresso para cada uma de suas subtramas. Virtù e Fortuna notadamente foi prejudicado pelo encadeamento de seus núcleos, mas nada que estrague por completo nossa percepção do episódio, que conta uma boa história, mas não da melhor maneira possível. Agora, como sempre, entramos no território da especulação, enquanto aguardamos a exibição da semana que vem.

Westworld – 02×03: Virtù e Fortuna (EUA – 2018)

Criado por: Jonathan Nolan, Lisa Joy
Direção: Richard J. Lewis
Roteiro: Roberto Patino
Elenco: Evan Rachel Wood, Ed Harris, Tessa Thompson, Luke Hemsworth, Thandie Newton, James Marsden, Jeffrey Wright, Rodrigo Santoro, Fares Fares, Simon Quarterman
Emissora: HBO
Gênero: Aventura, Drama
Duração: 59 min.

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