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Possivelmente, esse talvez seja o volume mais fraco de Y: O Último Homem até agora. Surpreendentemente, conseguindo atar diversas pontas no volume 3 e desenvolver vastamente os personagens, Brian K. Vaughn enrola ao máximo enquanto une alguns personagens secundários e continua a apostar em elementos pouco interessantes.

Yorick, agora a bordo de um submarino australiano, finalmente chega até a Austrália, um país desolado pelo vício em heroína. Convicto que encontrará Beth, sua noiva, nessa terra perigosa, o protagonista conta a ajuda de 355 enquanto a dra. Allison Mann desenvolve um novo relacionamento com uma misteriosa tripulante do submarino.

Busca implacável

Esse é, de longe, o volume menos preocupado com Yorick. Enquanto o teor original da narrativa é sustentado pelo foco no que o protagonista sente e faz, muito disso se perde com os diversos capítulos dedicados a exibir o passado traumático e particularmente clichê de 355 e Mann. Os dois são bastante decepcionantes, embora o de 355 seja melhor estruturado e pensado do que o de Mann que continua a ser uma personagem complicada em conquistar a empatia do leitor.

Tudo nesse volume envolve a jornada do grupo na Austrália e depois no Japão tentando reaver Ampersand, o macaco capuchinho sequestrado de Yorick. Para sustentar o volume inteiro, muitas reviravoltas e traições acontecem. Todas bastante óbvias e pouco relevantes para adicionar mais insumo criativo na ficção. Simplesmente é uma tentativa de expandir a mitologia desse novo mundo com personagens irrelevantes em aventuras pouco excitantes.

É particularmente bizarro como Yorick se comporta nos dois casos, na busca de Beth e na de Ampersand.

O protagonista está extremamente relaxado ao contrário de Ampersand que ganha um capítulo inteiro, um dos melhores aliás, contando a história dos primeiros momentos de Yorick com ele, revelando o amor que o macaquinho sente pelo amigo.

Hero, irmã de Yorick, também ganha um próprio capítulo, também um dos mais interessantes, mostrando sua relação com Beth, a garota que Yorick teve relações no meio da jornada no volume anterior. Com toques criativos aliando mistério, ação e doçura, tudo funciona bem.

O que não funciona bem são as figuras paternas espalhadas em toda a HQ. Seja o acontecimento jogado com a mãe de Yorick ou com a relação de Mann tanto com sua mãe e com seu pai. Além de ser clichê em grande parte, adicionam um humor constrangedor que raramente surgia no quadrinho.

Vaughn traz seu pior momento com as coisas que acontecem no Japão, em sua tentativa de expandir a mitologia do universo. Ainda há o investimento sempre sem graça com a ninja que persegue o grupo, mas o autor vai além ao adicionar uma linha narrativa envolvendo a Yakuza bem no meio da busca por Ampersand. É uma escolha bizarra repleta de apelações para injetar ação e violência.

Essas mudanças tonais entre galhofa de ação oitentista e um drama denso e sério acabam cansando o leitor que, já nesse ponto, não vê a hora da história terminar. A jornada até aqui realmente é exaustiva pela falta de criatividade ou escolhas editoriais que abateram Vaughn nessa penúltima edição de Y: O Último Homem.

Um Adeus Muito Próximo

Mesmo que seja o pior volume da coleção até aqui, ainda há qualidade no trabalho de Vaughn e dos desenhos de Pia Guerra. Mesmo que seja uma aventura inchada e que simplesmente anda em círculos com essas buscas intermináveis e traições óbvias, a leitura é sempre agradável e divertida, embora essas edições tragam muito pouco o que tornava Y excepcional até então. O bom de tudo é que temos um cliffhanger bastante curioso envolvendo o núcleo que eu julgava o pior até agora: o das soldados israelenses

Y: O Último Homem – Volume 4 (Y: The Last Man – Book 4, EUA)

Roteiro: Brian K. Vaughn
Arte: Pia Guerra
Editora: Vertigo

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