Harry Potter tornou-se uma franquia de grande sucesso com o passar dos anos. Criado pela autora inglesa J.K. Rowling, tanto os livros quanto os filmes conseguem englobar de forma concisa diversas mitologias ao redor do mundo.

Mas o que torna Harry Potter especial?

Primeiramente, devemos entender como tudo começou. Bem, na verdade, nem a própria autora sabe direito. Durante a década de 1990, havia um longo trem que viajava de Manchester a Londres, na Manchester Picaddily Station. Em um fatídico dia de inverno, toda a composição da linha falhou e os trens foram obrigados a permanecerem imóveis por mais de duas horas. Nesse meio tempo, uma jovem mulher em seus trinta e poucos anos observava de forma vaga uma casa no horizonte – e ela se chamava Joanne Kathleen Rowling. Devido ao tédio, começou a pensar na história de um menino que não sabia o que era magia e que de repente viu seu mundo virar de cabeça para baixo ao ser chamado para estudar numa escola de feitiçaria. E detalhe: ela nunca saía de casa sem seu bloquinho de notas e sua caneta. Eu disse que o dia havia sido fatídico, e bem naquele momento ela se deu conta de que esquecera seus companheiros inseparáveis em casa – e foi obrigada a se lembrar de todas as ideias até chegar lá.

Rowling sempre foi amante dos livros e seu gosto pela literatura foi herdado pelo hábito de ler dos próprios pais.

“Eu vivia de livros… Eu era praticamente um rato de biblioteca, dizendo realmente a verdade, completamente recheada de sardas e fã dos espetáculos da National Health.”

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Suas obras favoritas já nos dão uma dica do quão vasto é o mundo criado – ou reinventado – por Rowling: As Crônicas de Nárnia (C.S. Lewis), O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) e diversas peças de Shakespeare (principalmente The Winter’s Tale) configuram-se como algumas de suas paixões. A escritora também é fã de diversos contos da mitologia egípcia e grega – homenageadas inclusive pelo nome de batismo de alguns personagens.

Agora pense comigo: de quais criaturas e ambientes mágicos você conseguiu se lembrar apenas citando as obras acima? Elfos, hobbits, sereias, ninfas, faunos, reis, rainhas, príncipes, planícies aterrorizantes, florestas verdejantes… Todos esses seres representam arquétipos e crenças de culturas imortalizadas com tempo. O próprio conceito de magia já vem sido discutido desde os primórdios da humanidade, resgatando um tempo onde o Sagrado Feminino e o culto à Lua regiam a paz e o caos de uma sociedade inteira.

Então retomo a pergunta que fiz lá em cima: o que faz de Harry Potter uma franquia especial? O simples fato de que todos esses seres vivem entre nós. Alheios aos olhos humanos e “trouxas”, escondendo-se da barbárie do mundo. Como já dizia Antoine de Saint-Exupéry, em sua obra-prima O Pequeno Príncipe:

“O essencial é invisível aos olhos.”

Um mundo reconstruído. Onde todas as criaturas mágicas, onde todas as mitologias convergissem em uma só – e estivessem a poucos passos de distância. Mas não se deixe enganar pela vastidão de personagens: cada um é eximiamente bem-criado e bem resolvido, simbolizando sentimentos e ações da psique humana que até hoje são estudados. Ora, quer representação melhor da depressão que a presença fria e gélida de um dementador? Ou o sentimento de esperança com a chegada imponente de uma Fênix?

Harry Potter é um emaranhado de intrigas e descobertas sobre a vida explicado de forma lúdica e legível. Quando somos crianças, os adultos insistem em complicar coisas que não entendemos – ou então inventam explanações muito superficiais. A impossibilidade desta franquia está no subconsciente; se fizermos uma análise sobre os protagonistas, por exemplo, veremos que cada um deles representa diferentes fases do crescimento humano: a ajuda, o medo, a inexperiência, a conquista, a escolha.

E é isso que tentaremos fazer com este texto. Não é possível falar sobre tudo – precisaríamos de alguns Vira-Tempos para dar conta. Mas faremos o possível para homenagear uma das franquias que mais ficaram marcadas na história.

MAGIA

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O tema principal de Harry Potter é a Magia (não me diga). Mas o que é isso?

Muito tempo atrás, aproximadamente dez mil anos antes da era comum, os homens do período conhecido como Neolítico possuíam uma cultura baseada no divino. Os acontecimentos mundanos não eram explicados, resumindo-se a ação de forças superiores que não se mostravam visíveis no plano terrestre. O culto a estas forças acontecia de várias formas, fosse na caça, na representação pictórica ou nas danças primitivas ao redor da fogueira.

A veneração ocorria principalmente à Lua – um dos principais elementos vistos na franquia -, pela crença que seus raios tinham um poder místico, maior até que os do Sol, de sugar as energias negativas da comunidade e levá-las para um lugar desconhecido, além de ser associada à figura feminina e ao dom a priori inexplicável da maternidade. As mulheres eram tratadas como representações terrestres das forças cósmicas, por darem à luz, representando assim o conceito de renovação. A partir disso, constituiu-se o conceito do Sagrado Feminino, como supracitado, presente inclusive nas primeiras esculturas em pedra – cuja caracterização diferenciada repousava nos seios e nos quadris exagerados.

Desde então, o estudo da Magia estendeu-se para diversas sociedades muito conhecidas, incluindo a civilização egípcia e mesopotâmica – que associavam a criação do Universo a uma força mística incorpórea e a seus poderes capazes de dar à vida e tirá-la com a mesma facilidade. Outro elemento muito importante desta época – e que perdura até hoje – são os amuletos, utilizados para a prevenção de diversos males. Alguns deles eram simples fórmulas escritas em papiro, dobradas e inseridas nos tecidos durante a confecção de roupas, e propiciavam uma longa vida, saúde e riqueza. Outros eram talhados em madeira ou construídos com marfim, dependendo da classe social – como o famoso ankh.

Nos primórdios da Idade Média, desenvolveu-se os estudos da Alquimia (uma das matérias dos bruxinhos em Hogwarts), ciência que englobava, dentre outras vertentes, a Metalurgia, a Matemática e a Química. Seu principal objetivo era curar todos os males e doenças do mundo e produzir a Pedra Filosofal (opa, soa familiar?), objeto capaz de transformar qualquer metal em ouro e cujo elixir poderia garantir a vida eterna a quem o tomasse. Nessa mesma época, a cultura celta emergiu nas terras nórdicas e bretanhas, e sua principal característica era a veneração à natureza e à Deusa e a harmonia entre os cinco elementos universais (água, terra, fogo, ar e metal). Tal cultura deu origem à religião conhecida como Wiccanismo, principal fonte histórica para o desenvolvimento de diversas narrativas fantásticas – como Os Cavaleiros da Távola Redonda, As Brumas de Avalon, O Senhor dos Anéis e… Harry Potter!

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Obviamente, como diz a própria História, a expansão da ideologia cristã com as Cruzadas a partir do século XIII e a supremacia da Igreja Católica refrearam tudo que ia de encontro aos ideais que defendiam – e isso incluía até a prática da gastronomia. A cultura celta foi obrigada a se enclausurar em pequenas choupanas de madeira, enquanto livros e mais livros de estudo do inexplicável foram queimados ou censurados.

Apesar disso, tal período traz consigo uma gama imensurável de acontecimentos históricos e narrativas fantásticas cujas releituras culminaram nas franquias mais espetaculares da contemporaneidade – e que ficarão marcadas para sempre na memória das pessoas. É possível ver diversos aspectos nas aventuras criadas por Rowling, por exemplo, na caracterização das personagens, na grade curricular dos alunos (como supracitado), na backstory dos professores, nas criaturas sobrenaturais que coexistem com os humanos – e até nas estruturas arquitetônicas.

Mas nem só de alegria vivem os habitantes do mundo mágico. O lado ruim anda de mãos dadas com o lado bom – e assim como Harry Potter, os estudos sobre a Magia tem seu quê de vilania. Aqui, podemos citar as perigosas maldições, mas, diferentemente do Universo Mágico criado por Rowling, elas não são verbalizadas. Podem ser desenvolvidas por escrito ou por amuletos, como supracitado, ou através de objetos pessoais que tenham alguma ligação com a “vítima” – por exemplo, bonecos de vodu (objetos enfeitiçados que têm a capacidade de se conectar fisicamente com o indivíduo). Assim como tudo já criado, o homem não utiliza seu conhecimento apenas para fins benévolos, mas também para afirmar sua superioridade ante outras raças – ou até mesmo ante seus companheiros.

De qualquer forma, Rowling conseguiu condensar o conhecimento e os relatos sobre o inexplicável em um emaranhado de tramas fantasiosas, que incluem até acontecimentos históricos – Guerras Mágicas, Leis Trabalhistas para Elfos e Goblins, Associações Defensoras das Minorias Étnicas, entre outros. Os inúmeros cenários integram um universo que pode ser entendido como a convergência de várias figuras próprias da cultura mágica, uma análise iconográfica que engloba desde castas sociais até a disparidade entre bruxos e trouxas.

CRIATURAS MÁGICAS

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Não é cabível falar aqui de todo o bestiário que ocupa os cenários de Harry Potter, mas é possível falar que seu leque é extremamente diversificado. Dentre seus sete livros e oito filmes, a série é palco das mais fantásticas criaturas que percorrem os quatro cantos do planeta Terra e permite a convergência de diversas culturas, como a viking, a grega, a romana e a céltica.

Uma das criaturas mais famosas da franquia é o basilisco, uma serpente gigantesca que tem o poder de matar as pessoas apenas com o olhar. Em Hogwarts, habitava a Câmara Secreta, localizada nos subsolos, e foi responsável pela petrificação de diversos personagens – incluindo Hermione Granger. Mas realizando uma análise histórica, a criatura foi primeiramente relatada pelos vikings durante suas viagens que singravam os sete mares. Tendo mais de quinze metros de comprimento, o basilisco nascia a partir de um ovo de galinha chocado por uma rã, e não apenas seus olhos, mas também seu hálito tinham um poder maligno de destruir uma civilização inteira. Através dos séculos, esta serpente sofreu algumas alterações – algumas até dizendo que sua aparência era uma mistura híbrida entre dragão e galo.

Goblins e elfos também são muito presentes nas linhas narrativas da franquia. No mundo criado por Rowling, aqueles são responsáveis pela administração das fortunas dos personagens, e trabalham em Gringotes, o banco dos bruxos localizado no Beco Diagonal. Acontece que, na mitologia nórdica, os goblins se assemelham aos duendes por sua aparência esverdeada e são mestres na arte da manipulação e da desonestidade, além de sempre serem associados ao mal. J.R.R. Tolkien, a mente por trás de O Senhor dos Anéis, ramifica a linhagem destas criaturas em duas – os goblins e os hobgoblins -, tornando-os essencialmente guerreiros e sedentos pelo poder e pela destruição. Em Harry Potter, eles podem até ser intimidadores – e não tão confiáveis, como visto em As Relíquias da Morte -, mas não são capazes de causar mal a alguém (aparentemente).Resultado de imagem para magical creatures goblins harry potter

Enquanto isso, os elfos são criaturas adoráveis e humanoides cujo principal valor é servir ao outro. Temos como exemplo Dobby, o elfo-doméstico, que praticamente foi escravizado pela família Malfoy até ser libertado por Harry e desde então ter se tornado um de seus principais protetores. Monstro e Winky também fazem parte desta classe social, e trazem consigo atributos próprios e antropomorfizados. Estes seres talvez sejam os que mais sofrerão adaptação para Harry Potter, pois, de acordo com a cultura celta, são criaturas iluminadas e semi-divinas, representando a aproximação do mundano com o espiritual, e dotados de grande inteligência e racionalidade. Também podem ser mortais, dependendo da ameaça que enfrentam, e se assemelham aos faunos e às ninfas da mitologia grega. O mais famoso de todos talvez seja Legolas, personagem de O Senhor dos Anéis e O Hobbit.

Talvez a releitura destas criaturas tenha vindo para o melhor, pois seus arquétipos casaram perfeitamente com o tom da narrativa.

Um dos personagens mais amados de toda a franquia talvez seja Bicuço, nome dado carinhosamente por Hagrid ao hipogrifo que costumava viver em seu jardim. Baseado na criatura homônima criada por Ludovico Ariosto durante a Renascença, o hipogrifo é um ser lendário nascido do cruzamento entre um grifo e uma égua. É símbolo da impossibilidade e do amor, e sua presença traz alegria a quem o vê. Não é surpresa que Harry, Rony e Hermione tenham se afeiçoado tanto ao bichinho com o passar do tempo.

Mas não apenas de lendas são baseadas as criaturas no universo de Harry Potter. Temos, por exemplo, os dementadores, não-seres humanoides de quase três metros de altura, cobertos por mantos enegrecidos. Seu corpo é acinzentado e decadente, como um cadáver boiando na água por vários dias. Sua principal habilidade é sugar toda a luz e a felicidade de um ambiente à medida que respiram. Em O Prisioneiro de Azkaban, tornam-se a principal ameaça para o protagonista e para seus amigos, se alimentando das emoções positivas de seres humanos para sobreviver, além de forçar suas vítimas a reviver eternamente os pesadelos e as mais terríveis lembranças.

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Em 1994, Rowling passou por uma depressão clínica após o fracasso de seu casamento abusivo e o fato de ser uma mãe solteira tentando sobreviver em Londres. E a morte dos pais definitivamente não a ajudou em sua jornada. A partir daí – e quando a história de Harry já estava nos papéis – a autora criou os dementadores, símbolo da depressão e de tudo que há de ruim no mundo, apesar de não conseguir associar com firmeza a criação destes personagens.. Em uma entrevista à CBSNewsWorld, Rowling disse que:

“Sim, fiquei depressiva algum tempo e não me envergonho disto, afinal, várias pessoas passam por isso. Mas os dementadores… É tão difícil traçar a origem de algo. Eu vi essas coisas e sabia o que queria que eles fizessem, mas eles se tornaram algo à medida que pensava sobre eles. Não penso conscientemente ‘E agora criarei o símbolo da depressão’, mas conforme escrevo, percebo que o estou fazendo”.

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, temos também os testrálios, habitantes da Floresta Negra. Estes animais só conseguem ser vistos por aqueles que já presenciaram a morte – como Harry ou Luna Lovegood – e representam o luto e a possível reclusão social dos que passam por este trauma. E ironicamente, testrálios são doces por natureza; só são mal compreendidos, assim como o próprio conceito da morte.

Eu poderia passar páginas e mais páginas falando de todos os animais fantásticos – nem cheguei aos sereianos, ou aos trasgos, ou até mesmo às aranhas! Mas tais exemplos analisados acima entram como reiteração de que Harry Potter é um encontro harmônico entre vários mundos e culturas – e apenas aumentam nosso amor por esta saga tão fantástica.

PERSONAGENS

Embora Rowling tenha inventado a maioria dos nomes do universo de Harry, também fez sua pesquisa para batizar outros personagens. E seus significados, como toda boa obra, podem estar bem à nossa frente, mas muitas vezes não percebemos até analisar com um pouco mais de cuidado. Nem mesmo Alvo Dumbledore, diretor de Hogwarts e principal mentor dos protagonistas, escapou a estas escolhas. Seu nome, por exemplo, quer dizer branco, e seu sobrenome se refere ao tipo de abelhas denominada mamangava, cuja principal característica é a solidão e a “ferroada” dolorosa (características próprias deste personagem).

Hermione, uma das melhores amigas de Harry, tem sua origem em outras culturas – mais precisamente, na mitologia grega -, significando o princípio gerador da Natureza. É possível inclusive fazer uma alusão à grande inteligência da personagem. O nome também foi resgatado da obra The Winter’s Tale, do escritor inglês William Shakespeare. Na história, Hermione é a rainha da Sicília e é acusada publicamente por seu marido adultério – e esse acontecimento gerou uma das cenas mais bem escritas da série, a qual inclui o momento em que Draco Malfoy a xinga de sangue-ruim na frente dos colegas. Outro personagem baseado em lendas culturais é Edwiges, a coruja branca de Harry, cujo nome se relaciona com a santa que viveu na Alemanha e é padroeira de uma ordem de freiras que cuida de crianças órfãs. Minerva McGonagall, vice-diretora e professora de Transfiguração em Hogwarts, faz alusão à deusa da sabedoria e das artes, a qual sempre prefere a razão, a calma e a sabedoria em vez da força.

Mas nem só de contos de fada e mitos Rowling se baseou. Várias vezes, homenageou seus ídolos de infância nas páginas dos livros. Diggory, sobrenome do quartanista Cedrico que participa do Torneio Tribuxo ao lado do protagonista, provém Diggory Kirke, o herói de um dos livros prediletos da autora – As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis. Ernesto Prang, motorista do Nôitibus Andante (O Prisioneiro de Azkaban) é uma homenagem ao seu avô, que infelizmente morreu antes de poder conhecer o trabalho da neta.

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Rowling também se aventura através das figuras de linguagem para dar nome a suas criações. Fofo, o cérbero que guardava o alçapão do terceiro andar em A Pedra Filosofal, é uma ironia muito bem construída pela autora, visto que de “fofo” aquele cão de três cabeças realmente não tem nada. Rita Skeeter, repórter de O Profeta Diário, tem seu sobrenome metaforizado a partir de uma espécie de mosquito sugador de sangue muito irritante.

A lista é praticamente infinita – e algumas referências são históricas, como a de Salazar Slytherin e a Dama Cinzenta. Mas é interessante frisar que até a criação dos personagens faz parte da mitologia de Harry Potter. Nada nesta franquia ocorre por acaso, e os símbolos e arquétipos são muitos. Se pararmos para discorrer sobre cada uma das páginas, ficaremos horas lendo e relendo e descobrindo coisas novas.

A saga do bruxinho mais famoso da literatura não se perpetuou por tanto tempo ao acaso: e apesar das várias acusações de plágio que Rowling e sua obra sofreram ao longo dos anos, sabemos que não há um universo que consiga reunir as criações mais fantásticas de todos os tempos quanto esta. Cada capítulo desdobra-se em uma infinidade de mundos a serem conhecidos – e os que citei nesta matéria são só alguns.

Afinal, todas as histórias já foram contadas; resta saber de que como as narraremos daqui para a frente. J.K. Rowling parece ter levado isso ao pé da letra e o resultado foi um panteão literário que encanta leitores no mundo inteiro até hoje.

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