Como de costume nos lançamentos nacionais da Disney, a dublagem da nova animação da Pixar, Carros 3, contou com destaques interessantes e inusitados. A companhia sempre gosta de convidar pessoas que são estranhas à dublagem, mas que, de alguma forma, trabalhem com elementos pertinentes ao tema.

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No caso da terceira aventura de Relâmpago McQueen, a Disney Brasil acertou em cheio em convidar três jornalistas cultuados no meio esportivo para dublar três novos personagens. Fernanda Gentil, Everaldo Marques e Rômulo Mendonça – que virou meme nas Olimpíadas de 2016 com sua narração entusiasmada cheia de “aqui não, queridinha! ” e outras frases marcantes – foram convidados a entrar nesse processo um tanto inusitado para o seu dia-a-dia de trabalho.

A convite da Disney, tivemos a chance de fazer uma entrevista exclusiva com os três talentos. Falamos sobre o filme, a dublagem e um tema muito pertinente a mensagem que esse Carros traz para o público.

“Sempre tive muita curiosidade nesse campo da dublagem. Quais eram os truques, os segredos. Foi interessante porque na mesma semana que recebi o convite da Disney, tinha pedido um contato de curso de dublagem para um amigo. Foi totalmente inesperado! ”, contou Fernanda que dubla a personagem Natália Certeza. Ela frisou diversas técnicas exigentes que a direção de dublagem requisita para conseguir transmitir a emoção correta para a personagem, afinal o ator conta apenas com a expressividade da voz.

Por conta da presença de diversas adaptações locais que a Disney costuma fazer para mercados diferentes e pela presença dos jargões dos dois locutores da ESPN Brasil dentro dos diálogos do filme, perguntei se houve espaço para improvisos na dublagem.

“Por incrível que pareça, o ‘Aqui não, queridinha! ’ já estava no roteiro quando fiz a primeira leitura.”, disse Rômulo Mendonça entusiasmado. “A liberdade das expressões já estava garantida, mas o maior desafio foi narrar no tempo correto da dublagem, afinal a sincronia labial é a mesma para todas as versões. ”. Everaldo também experimentou a liberdade da localização da Disney. “No meu caso, coloquei a clássica ‘Dormir é para os fracos’ em uma fala livre do meu personagem Everauto Motriz. Foi muito legal da parte deles deixar colocar essa nossa assinatura que permitem o espectador reconhecer a nossa voz, reconhecer a gente. ”.

Amigos nunca dizem adeus

O tema que guia inteiramente a moral de Carros 3 é o medo da aposentadoria e reconhecer a chegada dessa hora na vida de um esportista. Pela carreira de sucesso dos três, acumulando anos de experiência e contato com diversas lendas vivas do esporte, aproveitei para perguntar qual foi a aposentadoria de esportista mais impactante na vida de cada um deles dialogando a profissão jornalística com a moral do filme.

“Para mim, uma aposentadoria muito emblemática foi a do Ronaldo. Até por conta da ênfase em reportagem de campo e da Copa do Mundo em 2014 que cobri diariamente tudo o que envolvia futebol. Ainda não estava no estúdio. Estava presente nessa coletiva do anúncio. Por tudo que ele representa, trouxe para o Brasil, sua história pessoal, as polêmicas, as vitórias, as derrotas, a superação da complicada lesão, ver ele ali foi algo forte. Como o Falcão dizia, o jogador de futebol morre duas vezes: a primeira acontece na aposentadoria. Foi algo forte, bem emblemático e emocionante. ”, disse Fernanda Gentil.

Já para Rômulo, a aposentadoria que impactou foi a do astro do basquete americano, Michael Jordan. “Bom, ele se aposentou duas vezes, né? A história da primeira aposentadoria dele é triste por conta da vitória do tricampeonato da NBA e logo após com o assassinato de seu pai. Depois ele voltou em 1995, mas não esteva bem. O treinamento realmente importava ali. Não havia a mesma intensidade e o time dele perdeu sem mesmo conseguir chegar nas finais. Mas a partir de 1996, as coisas mudaram. Isso é uma coisa que se conecta muito bem mesmo com o tema do filme: saber sobre a sua condição, aceitá-la e intensificar o treinamento para recuperar o tempo perdido, por assim dizer. Mesmo para um gênio como ele e ainda em ápice, até para ele foi preciso treinamento, se situar novamente com atletas mais jovens que ele. (…) É algo interessante notar como o tempo cria verdadeiros monstros do esporte, mas age tão rápido, de modo implacável. Foi uma pena ver Jordan parar de jogar. ”.

Uma aposentadoria relativamente recente, de 2015, afetou também Everaldo. Experiente em narrar partidas de futebol americano, o anúncio do fim da carreira como atleta do fenômeno Peyton Manning partiu o coração de muitos fãs. “Hoje ele é um técnico excelente, mas houve sim um declínio físico intenso. A boa notícia foi que conseguiu encerrar a carreira por cima. Até a conquista do seu último Super Bowl também foi inusitada. Ele sabia que não era mais o protagonista do time, mas mesmo assim se refez para virar um ótimo complemento ao time. Conseguiu o segundo Super Bowl e agradou muita gente. Histórico.”, contou.

Mas não apenas Manning marcou a memória do esporte. Para Everaldo, outra aposentadoria muito importante foi a de Gustavo Kuerten, o Guga, lenda do Tênis. “Fiquei triste também pela forma da aposentadoria dele. Um dos maiores do esporte não conseguiu terminar em alta por conta também de dificuldades físicas.”.

E para vocês, caros leitores? Qual foi a aposentadoria no esporte que mais te marcou? Será que Relâmpago McQueen supera as dificuldades impostas a todos esportistas e trinfa no final? Confira hoje mesmo nos cinemas de todo o Brasil! Aproveite e leia nossa crítica livre de spoilers aqui!

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