À convite da Universal Pictures Brasil, o Bastidores participou da coletiva de imprensa com M. Night Shyamalan, o diretor e roteirista que lança agora Fragmentado, filme que tem sido ovacionado como seu melhor trabalho em anos – e é, sem sombra de dúvida. Com uma coletiva que durou aproximadamente 40 minutos, ouvimos um papo interessante sobre o novo filme do diretor, sua visão sobre Hollywood, cinema independente e o que podemos esperar do futuro.

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As primeiras perguntas feitas ao diretor foram diretamente à natureza de ficção vs fato do filme, com o mediador Roberto Sadovski perguntando o quão verossímil é o retrato que Fragmentado faz do distúrbio de James McAvoy. Shyamalan então explica que uma psicóloga esteve presente durante boa parte do processo de concepção e que, “cerca de 99% do que se vê no filme” é verídico, com óbvia exceção do estado bestial que o protagonista adquire ao longo do filme. Shyamalan então transforma a seção em algo similar a um encontro de amigos ao redor de uma fogueira, explicando diversos conceitos psicossomáticos sobre alteração de fisionomia, as mudanças fisiológicas que o distúrbio é capaz de provocar e outros dados correlacionados ao filme, e admito que é realmente interessante ver o fascínio de Shyamalan sobre o assunto.

O segundo grande assunto, claro, é o secretíssimo final do filme. Shyamalan até brincou com o fato, atestando que seria uma boa ideia não comentar em detalhes a fim de evitar spoilers, e conseguiu falar bem discretamente sobre os detalhes de sua concepção. O diretor ainda explica que “não teria sido possível fazer esse filme” anos atrás, no começo dos anos 2000, e fala ainda como diretores renomados como David Fincher e Darren Aronofsky eram “sombrios demais, e foram marginalizados como zeros à esquerda em preferência do público, mas que hoje são justamente o grande interesse, residindo no centro”É uma boa reflexão, e que justifica as decisões de Shyamalan em seu novo filme.

Beneficiado pelo tempo e o número de minha plaquinha, perguntei ao diretor o impacto que a Blumhouse Pictures, uma das produtoras de terror mais bem-sucedidas da atualidade, havia causado em sua carreira – tendo lançado seus dois últimos filmes -, para qual o animado diretor respondeu que seu CEO, Jason Blum, o ajudou a enxergar o cinema de baixo custo. “Com a experiência de A Visita, a melhor opção era ter seu próprio orçamento e seu próprio dinheiro, fazendo assim um filme com toda a liberdade possível”, que é o que se vê em Fragmentado. “Eu praticamente roubei essa ideia do Jason”, confessa em tom de brincadeira, acrescentando ainda que a estratégia de lançamento do filme em festivais antes da estreia foi um risco enorme, e que o crédito dessa ideia veio de Blum.

Shyamalan ainda comentou sobre como uniu o útil ao agradável ao apostar em nomes ascendentes, que não são muito caros para contratação, mas que vêm mostrando um talento notável em produções menores, como foi o caso do diretor de fotografia Mike Gioulakis (de Corrente do Mal), do montador Luke Franco Ciarrocchi (em seu segundo crédito na função, após trabalhos de assistência outros trabalhos do diretor) e do compositor West Dylan Thordson, que despontou na minissérie documental The Jinx, da HBO e fez sua estreia no cinema com o filme. “Eu não posso pagar Roger Deakins pra fazer a fotografia do filme, então eu recorro a conhecer pessoas novas, talentos novos”, explica Shyamalan.

No fim, Shyamalan fala sobre como o público mudou muito do início de sua carreira para cá, especialmente o do cinema de quadrinhos. Ele ainda deu uma pequena pista sobre o roteiro que está escrevendo, para uma reação de surpresa e mistério de todos os jornalistas na sala.

Fragmentado estreia nos cinemas brasileiros em 23 de Março.

Confira nossa breve opinião do filme:

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