Ingmar Bergman é um diretor obrigatório para todos que amam cinema e gostam de boas histórias. Seus filmes levam um toque pessoal e sempre atraem críticas positivas. Deixou obras fantásticas e memoráveis que estão no top dez de quase todos cinéfilos. Em comemoração ao centenário do cineasta sueco criamos uma lista com 10 filmes essenciais de sua cinematografia. 

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10. Monika e o Desejo (1953)

É possível que muitos se perguntem porque esse filme se encontra na lista, já que não é dos maiores clássicos do diretor. A razão dele estar aqui é que foi a primeira produção de Bergman a ser sucesso comercial, algo importante para alavancar a carreira dele no mundo. Foi a primeira de muitas produções em que Harriet Andersson iria trabalhar com Ingmar Bergman. Harriet protagoniza a bela Monika e suas cenas sofreram forte censura na época devido a momentos bastante sensuais em que protagonizou. É uma boa produção, apesar de Bergman não estar ainda em seus anos de ouro já se apresentava um caminho para o qual o diretor iria seguir até chegar em seu auge. 

9. Gritos e Sussurros (1972)

Gritos e Sussurros é uma das obras mais sensíveis e impactantes do diretor e novamente ele aborda os temas familiares tão comuns em suas obras. Agnes tem câncer terminal e irá para a casa da família em um lugar rural para ser cuidada por suas duas irmãs. Na realidade, quem cuida dela é a empregada Anna que tem um carinho especial por ela. É uma produção muito bem trabalhada por Bergman, desde a direção de arte com foco nas cores até a beleza da fotografia que dava um realce para a melancolia das personagens. 

8. Sonata de Outono (1978)

Em Sonata de Outono podemos encontrar a força dos diálogos em cada uma das protagonistas e no centro da questão, novamente as relações familiares que Ingmar Bergman tanto trabalhava em seus longas. O confronto central se dá entre mãe e filha. A mãe tem um certo desprezo pela filha e prefere a arte que sua familiar, enquanto a filha é de certa forma tímida e reprimida. Há de se destacar a interpretação espetacular de Ingrid Bergman (que perdeu o Oscar para Jane Fonda) como a mãe de Eva e Liv Ullmann protagonizando a filha de Eva. 

7. O Ovo da Serpente (1977)

Com uma história passada no ano de 1923 (pós-primeira guerra mundial) Bergman cria uma trama sombria e faz uma análise do que viria a ser o nazismo no futuro. A narrativa gira em torno de um homem desempregado e através dele que toda a história vai sendo contada. Há um grande mistério do que seria tudo aquilo até que é revelado e a crueldade de experimentos científicos apresentados em uma das cenas, seria apenas o início do que o nazismo iria fazer com experiências em humanos. Bergman criou uma obra que aponta os motivos pelos quais o sistema cruel de Adolf Hitler fosse criado em uma Alemanha humilhada e pobre. Como sempre os diálogos são excepcionais e não se perde tempo com cenas desnecessárias ou ações vazias que não levam a lugar algum. 

6. A Fonte da Donzela (1960)

Este é um período em que Bergman estava no auge e em A Fonte da Donzela retorna ao período medieval que já havia filmado em o Sétimo Selo. O diretor recria bem uma Suécia rural do século XIV em que a religião era bastante presente, e o diretor faz questão de destacar isso em cada frase de cada personagem. A religião tem papel central para a produção, pois a menina que é estuprada – em uma cena crua –  é filha de pais religiosos e quando e sua morte ocorre é quando a garota estava a indo à igreja. A ideia de Bergman não é o de apenas chocar com o ato, mas também o de trabalhar o tema da vingança e do perdão.

5. A Hora do Lobo (1968)

Sem dúvida um dos filmes mais peculiares do diretor sueco por apresentar uma narrativa diferente do que estávamos acostumados a vê-lo abordar. A começar por ser a única obra gótica de Bergman, traz ainda um tom de mistério para não dizer de terror que não havíamos visto ainda. O diretor vinha de uma obra forte que era Vergonha (1968) e não é de se estranhar que ele tenha mudado o tom de suas tramas depois de um filme tão fascinante. Tudo é contado com base em um diário encontrado de Johah e a protagonista desde o início já nos avisa que aquilo tudo é uma encenação de algo que ocorreu, já nos preparando para o que iria acontecer. Temas como raiva e loucura estão bastante presentes.

4. Fanny e Alexander (1982)

Bergman costumava colocar em seus filmes particularidades envolvendo sua vida. Em Fanny e Alexander ele faz uma analogia entre ele e seu irmão com a vida das duas crianças da produção. Ele foca bastante na doutrina religiosa, o padre é como se fosse um carrasco que vive maltratando o garoto, enquanto a garota apenas observa todos abusos que Alexander sofre sem dizer nada. Para Bergman seria como se fosse a sua vida quando criança que vivia tendo maus tratos por parte de seu pai. É uma história simples, mas que causa um certo impacto ao assistir, pois você acaba se inserindo na trama e vivendo a vida dos protagonistas. 

3. Morangos Silvestres (1957)

O ano de 1957 foi memorável para Bergman que criou suas principais obras neste período e despontou na Europa e no Mundo como um diretor de sucesso. Morangos Silvestres fala sobre o envelhecimento e as perdas que acontecem durante esse percalço até a velhice. Solidão ao envelhecer e a recordação da juventude que já passou fazem desta produção uma grande lição de vida que irá tocar os mais velhos e trazer alguns pensamentos para os jovens. 

2. Quando Duas Mulheres Pecam (1966)

Novamente Ingmar Bergman e Liv Ullmann fazem uma parceria no cinema. Agora Ullmann interpreta Elisabeth Vogler, uma mulher que recebe os cuidados da enfermeira Alma, mas Elisabeth não está doente, apenas não fala e ouve tudo o que Alma diz sem nada dizer. É uma obra bastante impactante e a mais bem filmada de sua cinematografia. A cena em que Alma e Elisabeth conversam frente a frente é de uma metalinguagem impressionante e não vista até então no cinema.

1. O Sétimo Selo (1957)

Obra-prima de Ingmar Bergman que lhe trouxe fama entre o público e muitos elogios por parte da crítica. Aqui ele apresenta uma narrativa em que o ex-cruzado volta à sua terra natal devastada pela peste negra. É a primeira vez que o diretor fala sobre a Suécia Medieval e trata de um assunto que até então o deixava bastante assustado quando se pensava nela: a morte. Bergman trabalhou tão bem a forma da morte e o jeito que ela atuava para ceifar a vida das pessoas que que fica impossível não se fascinar com tal trama.