E chegou a vez das mulheres! O que seria do cinema de 2017 sem incríveis performances de nomes renomados dentro da indústria, como Holly HunterKate Winslet, e que conseguiram cativar, emocionar e envolver das mais inúmeras formas. Confira nossas escolhas abaixo e não se esqueça de deixar seu comentário!

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10. Holly Hunter | Doentes de Amor

Doentes de Amor é uma tentativa falha de reviver as comédias românticas de Hollywood, principalmente por suas tentativas um tanto quanto saturadas de quebra de expectativa e construção narrativa. Entretanto, é inegável dizer que o longa tem seus pontos fortes, e o principal deles é a performance de Holly Hunter como Beth, mãe da protagonista Emily (Zoe Kazan). Sua personagem é essencialmente irreverente, mas sem cair nos estereótipos desse tipo social: ela é quem é, e mantém-se fiel aos seus valores e às suas excentricidades através principalmente da quietude, da sutileza e dos olhos carregados com um cândido e envolvente mistério que a torna indecifrável por grande parte do filme.

9. Kirsten Dunst | O Estranho que Nós Amamos

Dando vida à professora Edwina Morrow na decadente instituição de Martha Farnsworth (Nicole Kidman), Kirsten Dunst é uma das joias a serem admiradas dentro do mais novo filme de Sofia Coppola. Retomando a parceria com a diretora (com a qual já trabalhou em Maria Antonieta), a atriz mostra-se extremamente sutil e dialogando com os estereótipos femininos da época, à prima vista, ao mesmo tempo em que esconde um potencial metafórico e abstrato que representa um escopo muito maior que o imaginado. Cada um de seus movimentos é desenhado de forma fluida, o que confere à personagem uma representação onírica e quase inalcançável.

8. Garance Marilier | Raw

Raw é um filme visceral. Cru, não apenas na ironia de seu título, mas por trazer o tema do canibalismo à sua forma mais primitiva, afastando-se das investidas romantizadas de filmes do gênero. E quem mais brilha dentro desse cosmos assustador é Garance Marilier, cuja performance permite ao público mergulhar na narrativa, emergindo como uma dúbia representação da inocência e da tentação, principalmente através do olhar que gradativamente se subjuga à loucura e à ira reprimida.

7. Betty Gabriel | Corra!

Betty Gabriel talvez tenha dado a performance mais medonha de 2017. Em Corra!, um dos thrillers tragicômicos mais controversos dos últimos anos, a atriz dá vida à empregada Georgina, uma figura misteriosa que representa muito mais que a mera superfície deseja transparecer. Apesar de seu arco encontrar uma resolução brusca, seus momentos em cena são essencialmente tensos – e ela pode não ter os diálogos mais bem elaborados do filme, mas consegue manter uma coerência dialógica com seu semblante, uma amálgama distorcida entre um assustador sorriso e olhos vidrados e hipnóticos.

6. Kate Winslet | Roda Gigante

Os filmes de Woody Allen normalmente acertam em cheio no quesito roteiro e elenco. E em Roda Gigante, não poderia ser diferente – e o brilho principal do filme vem com a complexa atuação de Kate Winslet no papel de Ginny, uma atriz fadada à mediocridade e que deixou sua vida de prazeres para trás em busca da estabilidade marital, mudando-se para o saturado mundo de Coney Island com o marido e o filho. A concepção de sua personalidade é pautada basicamente no conflito interno entre o que ela deseja e o que é melhor para os outros, submetendo-se muitas vezes a fugir da realidade em que vive em monólogos teatrais e estereotipados que a colocam, por falta de outras palavras, no fundo do poço. Ginny oscila de modo constante entre a lucidez e a loucura, entre o sucesso e o fracasso – e não, não há melhor pessoa para encarnar tal personagem que Winslet.

5. Dafne Keen | Logan

Logan foi um filme surpreendente em todos os quesitos, principalmente por afastar-se dos convencionalismos das narrativas de super-heróis e entregar um tour-de-force fincado em arcos de amadurecimento muito bem construídos – principalmente no que se diz à emergência da mutante X-23. Dafne Keen, a jovem que conseguiu roubar o foco de Hugh JackmanPatrick Stewart no longa, é uma pérola a ser admirada: sua performance é tão surpreendente que é possível decifrar e compreender a personagem apenas pelos olhares de ódio e ternura que a atriz distribui.

4. Anne Hathaway | Colossal

Anne Hathaway é a protagonista de um dos filmes mais bizarros do ano, Colossal, no qual interpreta uma jovem alcoólatra cujas frustrações são externalizadas na forma de um monstro gigante à la Godzilla. Apesar da premissa trash, o longa é interessante e satisfatório, principalmente pela condução da atriz, a qual caracteriza sua personagem tanto com traços blasé quanto por inclinar-se à desesperação de “o que fazer agora?”. Sua performance inclusive nos recorda de alguns dos melhores momentos de Diane Keaton em sua extensa filmografia, o que torna a entrega de Hathaway ainda mais envolvente.

3. Emma Stone | La La Land: Cantando Estações

É uma fato quase redundante dizer que Emma Stone é uma das atrizes mais carismáticas da geração millenial de Hollywood. E não foi à toa que Damien Chazelle a escolheu como protagonista de seu musical-ode aos inúmeros sonhadores e artistas La La Land: Cantando Estações. Interpretando a garçonete aspirante à atriz Mia, Stone utiliza de todos os seus maneirismos clássicos e vistos em performances anteriores – como A Mentira – a seu favor, em uma rendição completamente envolvente e emocionante e que tira de seu âmago tudo o que tem a oferecer para seu público. Seu brilhantismo em cena inclusive lhe rendeu seu primeiro Oscar na categoria de Melhor Atriz.

2. Hailee Steinfeld | Quase 18

Se Stone mais uma vez marcou época com suas performances em comédias românticas coming-of-ageHailee Steinfeld segue pelo mesmo caminho ao roubar toda a atenção em Quase 18. A dramédia adolescente é uma refrescante perspectiva para o gênero que tomou conta dos cinemas nas décadas de 1990 e 2000, e a atriz fornece sua própria releitura ao filme como a verborrágica e espontânea Nadine, buscando referências em nomes como Lindsay Lohan Alicia Silverstone, criando uma fusão contemporânea e que a torna um dos nomes mais promissores da indústria do entretenimento.

1. Jennifer Lawrence | Mãe!

Mãe! é uma das obras mais divisivas e controversas de Darren Aronosfsky. E conhecendo seu currículo, Jennifer Lawrence teria um trabalho muito complicado para conseguir mergulhar completamente na personagem-título – e felizmente ela conseguiu. Em uma performance doentia e completamente desconstruída, a atriz entrega-se para o suprassumo de sua carreira, permeando todas as facetas de interpretação conhecidas para construir uma amálgama assustadora e impactante como a Mãe-natureza, a musa inspiradora de Deus que, apesar da transcendentalidade, dialoga com as angústias humanas e sofre assim como eles, ainda que se mantenha extremamente fiel àquele que ama.

HORS CONCOURS

Catherine Keener | Corra!

Catherine Keener marcou presença novamente em 2017 com sua incrível investida em Corra!. Aqui, ela dá vida a Missy, matriarca da família Armitage versada nas artes da hipnose. Sua personagem poderia muito bem cair nos clichês do gênero thriller, com atuações saturadas e artificiais, mas Kenner consegue manter sua expressão linear durante todo o longa, permanecendo em uma posição de superioridade que não precisa ser reafirmada com monólogos autoexplicativos, mas sim com os lábios crispados e os olhos semicerrados.

Um limite entre nós

Viola Davis | Um Limite Entre Nós

Não é nenhuma surpresa que Viola Davis esteja na lista, ainda que dentro das menções honrosas. A atriz é dotada de uma versatilidade incrível e inegável que a permite não apenas encarnar o personagem de modo verdadeiro, mas fundir-se a ele de modo a torná-lo intrínseco à sua própria personalidade. E é exatamente o que ela faz em Um Limite Entre Nós, repetindo seu papel como Rose, esposa do disfuncional Troy Maxson (Denzel Washington). Davis mostra explicitamente todos os seus demônios interiores em uma performance naturalista e quase primitivesca, que lhe rendeu seu primeiro Oscar da Academia.

Taraji P. Henson | Estrelas Além do Tempo

Apesar da pouca memorabilidade de Estrelas Além do Tempo, o trio de protagonistas talvez seja o grupo mais fofo e adorável que o cinema viu em muito tempo – e dentre elas, Taraji P. Henson emerge como Katherine Johnson, um nome que seria reconhecido mundialmente apenas décadas após sua grande ajuda à NASA. Em sua singularidade e genialidade, Henson é ao mesmo tempo tímida, ainda sofrendo preconceito por sua condição como mulher negra numa sociedade essencialmente racista e machista, mas tem seus surtos de empoderamento e visibilidade ao ser a única capaz de enxergar os erros que os outros cientistas estão cometendo. E apesar da verborragia desnecessária, seus traços são imprescindíveis para a conexão entre narrativa e público.

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