Hora de uma jornada musical pelo cinema de 2017.

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Tivemos muitos filmes e muitas trilhas sonoras memoráveis, que passeiam por temas românticos e harmoniosos, criação de atmosferas assustadoras e até o retorno de grandes mestres para suas zonas de conforto – lembrando que a seleção conta apenas com álbuns de trilha original, não valendo trilhas incidentais, como as de Em Ritmo de Fuga e Guardiões da Galáxia Vol. 2.

Venha agora conhecer a seleção do Bastidores para os melhores álbuns instrumentais do ano:

Com a colaboração de Raphael Klopper, Júlio Vechiato e Rodrigo de Assis.

10. Alien: Covenant | Jed Kurzel

Jed Kurzel é um daqueles nomes que ainda precisa ser apreciado por Hollywood. Com seu primeiro trabalho de grande destaque no cinemão americano, o compositor de Macbeth trouxe sua técnica distorcida e peculiar para Alien: Covenant, fraquíssima continuação de Ridley Scott para o controverso Prometheus. Porém, se o filme falha em oferecer algo novo para o xenomorfo, a trilha de Kurzel aposta na ambientação do terror, e na escolha de sons incomuns para criar uma atmosfera intensa e incômoda, especialmente com The Medbay, onde testemunhamos o nascimento de um Neomorph. Vale destacar também o belo uso dos temas originais de Jerry Goldsmith para o primeiro filme.

9. Corra! | Michael Abels

Um dos grandes sucessos do ano, Corra! balanceia bem sua mistura entre terror e comédia de humor negro. No quesito da primeira categoria, a trilha de Michael Abels é essencial para a criação de um universo incerto e tenso, com o uso de cordas graves e até de instrumentos mais associados a filmes sobre o período colonial – o que faz sentido dentro da proposta do filme, soando quase como um 12 Anos de Escravidão do terror. E não poderia deixar de mencionar o inesquecível coral africano Siikiza Kwa Wahenga que embala os créditos finais.

8. Com Amor, Van Gogh | Clint Mansell

A trilha de Clint Mansell é construída leve e delicadamente com o uso abundante de cordas e piano. O som ajuda na ambientação da Belle Époque na França, quando as ideias impressionistas, cujos elementos de luz e movimento ganhavam interpretações individuais, era a vertente de maior destaque na arte. Com Amor, Van Gogh se preocupa em usar as impressões do artista biografado para temperar o tom do filme. Cada faixa leva o nome de uma tela do pintor holandês e a que talvez chame mais atenção seja Still Life With Absinthe & A Carafe pela vertiginosidade na composição. Acontece pontualmente num momento em que o herói se desestabiliza e surpreende na evolução das notas.

7. Star Wars: Os Últimos Jedi | John Williams

John Williams e Star Wars é sempre aquela combinação perfeita, e no caso do Episódio VIII, o resultado foi ainda mais satisfatório do que aquele visto com O Despertar da Força. Fazendo bom uso dos temas clássicos e daqueles desenvolvidos no filme de J.J. Abrams, a música de Os Últimos Jedi é maravilhosa, abraçando o épico, a diversão e também a escuridão que permeia seus personagens, além de apresentar novos temas com potencial para tornarem-se icônicos, desde a variação do jazz da cantina temperado com Aquarela do Brasil para Canto Bight, até um tema mais trágico e místico para Luke Skywalker.

6. A Forma da Água | Alexandre Desplat

Em um ano tão recheado de bombásticas trilhas, onde as mais famosas evocam trovoadas de espetáculo épico, é tão refrescante ser agraciado pela trilha tão sutil e “simples”, no bom sentido, que Alexander Desplat compôs para o novo trunfo de Guillermo Del Toro que foi A Forma da Água. Com o compositor recorrendo à verdadeiras melodias com toques intimistas em seu piano que evocam a aura tão melancólica e romântica da belíssima história da Bela e a Fera que Del Toro conta aqui em seu filme mais classudo até hoje. 

5. A Ghost Story | Daniel Hart

Em um filme tão silencioso e contemplativo como A Ghost Story, a música de Daniel Hart é mínima. Mas quando aparece, traz algumas das peças mais lindas de 2017, especialmente pelo uso de um violino profundo e outras cordas que ajudam a contar a história tristíssima do fantasma protagonista da história. Em especial, a faixa Thesaurus Tuus, que domina um dos grandes momentos dramáticos do filme, é um milagre por si só. Sinistra, e quase remanescente de cantos cerimoniais, ela sozinha já é o suficiente para despontar tão alto nessa lista.

4. Planeta dos Macacos: A Guerra | Michael Giacchino

Quando Michael Giacchino está inspirado, não tem como ficar indiferente – apenas repare em seu trabalho monótono para a trilha de Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Já tendo feito um ótimo trabalho com o segundo capítulo da nova trilogia de Planeta dos Macacos, a bombástica conclusão de Matt Reeves com Guerra ganha temas musicas à altura, com Giacchino buscando um lado dramático e melancólico, mas sempre trazendo as grandes orquestras para manter o nível épico do conflito central do longa – sem falar na maravilhosa marcha e a valsa que compõem os créditos finais. Lindíssima.

3. Blade Runner 2049 | Hans Zimmer & Benjamin Wallfisch

Com uma substituição em cima da hora, muitos temeram quando Jóhann Jóhannsson foi substituído por Hans Zimmer, que trouxe seu protegido da vez, Benjamin Wallfisch, para explorar mais níveis da atmosfera musical do clássico Blade Runner. Seguindo os passos de Vangelis, mas explorando um viés bem mais eletrônico e abstrato, Zimmer e Wallfisch capturam a alma dessa Los Angeles cyberpunk, brincando com os sintetizadores e os efeitos surreais para criar um som único – especialmente aquele que usa o som de uma moto à distância como melodia.

2. Rei Arthur: A Lenda da Espada | Daniel Pemberton

Desde 2015 essa bola vem sido cantada: Daniel Pemberton é um dos compositores mais originais e criativos da atualidade, e poucos cineastas em Hollywood parecem estar percebendo isso. Para o bem da carreira de Pemberton, e também de sua frágil releitura do mito da Grã-Bretanha, Guy Ritchie mais uma vez aposta nos sons selvagens e intensos do compositor. Seja pelo uso de flauta-baixa, cordas com uma inconfundível influência céltica, diferentes tipos de batuques e até sopros humanos, a música de Rei Arthur: A Lenda da Espada é inquestionavelmente sua melhor característica. Como bem apontado na nossa crítica, assistir a esse filme é mais prazeroso como um videoclipe musical da trilha de Pemberton.

1. Dunkirk | Hans Zimmer

Quando Hans Zimmer e Christopher Nolan trabalham juntos, é sempre garantia de um resultado especial. Já haviam explodido as caixas de som com A Origem, tirado a poeira de grandes órgãos de igreja com Interestelar, e agora criam algumas das peças musicais mais intensas e perturbadoras dos últimos tempos. Passando pelo terror, pelo drama e pelo espetáculo de ação, a música de Dunkirk é praticamente um personagem, com o tic tac de um relógio acelerado acompanhando a maioria das faixas, e provocando a imersão definitiva nessa história incrível. Além disso, a faixa Variation 15, que contou com autoria de Benjamin Wallfisch, é de uma beleza incomparável.

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