A mera ideia de levar Watchmen, uma das maiores histórias de quadrinhos de todos os tempos, para o cinema é de uma ousadia e coragem tremenda.

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Por mais que o filme de Zack Snyder não tenha agradado a todos, como dificilmente iria acontecer, é inegável que sua adaptação de 2009 seja um grande filme. Extremamente fiel ao material original de Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen – O Filme traz todos os elementos filosóficos e políticos da obra de papel, ao mesmo tempo em que o faz com a assinatura estilística e mais voltada para a ação, presente em todos os trabalhos do cineasta.

Dito isso, separei aqui minhas 5 cenas preferidas de todo o filme. Lembrando apenas que é uma seleção baseada em minha opinião pessoal, mas compartilhe também quais são seus momentos preferidos!

Os Créditos de Abertura

Não é exagero algum dizer que essa é uma das melhores sequências de créditos de abertura da História. Mesmo aqueles que detestam a adaptação de Zack Snyder precisam reconhecer o brilhantismo da sequência estendida de créditos do filme de Watchmen, que embala o hino eterno “The Times They Are-A Changing”, de Bob Dylan, para resumir toda a história dos super-heróis no imaginário popular da versão alternativa dos EUA de Alan Moore e Dave Gibbons.

Através de diferentes planos em um slow motion lentíssimo, vemos passagens icônicas da história dos vigilantes antes que a trama central de Watchmen comece, destacando a interferência do Comediante e Doutor Manhattan em diversos acontecimentos históricos, desde a revelação do assassino de John F. Kennedy até a fotografia de Neil Armstrong na Lua.

O Sonho Americano

O Comediante é um dos personagens mais complexos de Watchmen, e Jeffrey Dean Morgan foi um completo acerto em seu retrato do vigilante sarcástico. A cena que talvez melhor represente seu comportamento é a do flashback do Coruja, que lembra de uma fatídica noite em que os dois tiveram que lidar com uma manifestação popular, que acaba saindo do controle quando o Comediante literalmente espanca todos os homens e mulheres ali presentes.

Apesar de parecer uma banalização de violência sem sentido, com a força do Comediante sendo muito maior do que os civis desarmados, é uma tradução perfeita de como o personagem enxerga o mundo, e de como os EUA de fato tornaram-se uma grande piada. O uso de “I’m your Boogie Man”, além de encapsular o contexto dos anos 70 para a cena em questão, transforma o ato violento em praticamente uma festa, algo que entra em sincronia com a icônica frase do vigilante declarando que o Sonho Americano havia se realizado, referindo-se a ele mesmo.

A origem do Doutor Manhattan

Se apenas uma cena pudesse ser escolhida para representar cinematograficamente como a narrativa de Watchmen funciona nos quadrinhos, definitivamente teríamos que escolher a sequência que explora a origem do poderoso Doutor Manhattan, vivido por Billy Crudup. Através de diversas digressões temporais e um fio não linear de cenas e acontecimentos, acompanhamos como Jon Osterman se transformou na criatura mais poderosa do universo, desde sua infância como filho de relojoeiro até o momento decisivo em que chega à superfície de Marte.

É uma sequência magistral onde Zack Snyder traz uma fidelidade absurda à obra original, desde os enquadramentos até o ótimo ritmo que é capaz de administrar na condução da cena, religiosamente marcada pela belíssima “Pruit Igoes & Prophecies”, de Philip Glass. Uma cena tão poderosa quanto Manhattan, e que é facilmente uma das maiores conquistas de Snyder como cineasta.

Briga na Prisão

Os quadrinhos de Watchmen não são necessariamente conhecidos pela ação, mas com uma grande adaptação hollywoodiana, não é de se ficar espantado com a presença de muita pancadaria. Nas mãos de Snyder, vemos super-heróis brutais e violentos de uma forma que ainda era incomum em 2009, mas que hoje é rotineira com os Deadpools e até Batmans da vida.

Para a sequência onde o Coruja e Espectral invadem uma prisão de segurança máxima para libertar Rorschach, temos uma épica cena em que o casal enfrenta um “corredor polonês” repleto de criminosos. É um atestado do afeto de Snyder pelo slow motion, que é bem usado para demarcar e destacar as porradas violentas de cada um dos heróis, que parecem ainda mais badass graças à trilha rock and roll de Tyler Bates, além do belíssimo design sonoro que nos permite ouvir ossos quebrando e sangue jorrando no chão. Estilo!

A Despedida de Rorschach

Ao longo das quase 3 horas do filme, o Rorschach de Jackie Earle Haley talvez tenha sido o personagem mais identificável do filme, com sua obsessão em fazer o bem e garantir justiça facilmente caindo às graças do público – além de ser, de longe, o figura mais interessante e badass da impecável criação de Moore.

Justamente por isso, quando vemos o vigilante enfrentando o Doutor Manhattan, que é forçado a matá-lo para que este não revele as circunstâncias reais do plano de Ozymandias ao mundo, é de partir o coração. A performance de Haley, perfeitamente escalado para dar vida a Walter Kovacs, é extremamente convincente e dramática, enquanto Snyder dirige a cena com um misto de tensão, melancolia e até um toque de ironia, com a mancha de sangue de seu cadáver explodido formando uma mancha simétrica como aquelas em sua máscara, representando que o personagem jamais abandonou seu caráter. Um belíssimo momento.

Watchmen – O Filme permanece como o melhor filme da carreira de Zack Snyder, em minha opinião. É uma conquista gigantesca, e resulta em um filme que exibe as melhores características do cineasta.

Qual a sua cena preferida de Watchmen?