Não é de hoje que a máfia tem papel de destaque em séries e filmes tanto de Hollywood como em outros polos cinematográficos. São produções que geralmente transcendem sua época pelo assunto tratado ser sempre atual e relevante e que relatam algo que acontece de fato na sociedade. O cinema tem como propósito ser um espelho do que acontece na sociedade e obras poderosas foram criadas relatando a vida perversa da máfia.

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10. O Gângster (2007)

Ridley Scott dirige esse ótimo filme de máfia protagonizado por Russell Crowe e Denzel Washington. Frank Lucas (Denzel Washington) se torna o dono do tráfico com a morte de seu mentor, ele se torna uma espécie de celebridade em NY e com ajuda da polícia corrupta continua traficando sem que ninguém o atrapalhe. Eis que aparece o detetive Richie Roberts (Russell Crowe) que passa a trabalhar para acabar o esquema de Frank. A direção de Ridley Scott é impecável ao mostrar como a máfia conseguiu se instalar em Nova York com grande poder a ponto de corromper os policiais da cidade. Ridley chegou a ser cotado para receber o Oscar, mas nem indicado foi. A caracterização de época é outro ponto de destaque da produção que conta também com as ótimas interpretações de Denzel Washington e Russell Crowe. O Gângster foi indicado a três globos de ouro e recebeu outras duas considerações ao Oscar com Ruby Dee para a premiação de melhor atriz coadjuvante e Arthur Max e Beth A. Rubino na categoria melhor direção de arte.

9. Pulp Fiction: Tempos de Violência (1994)

Tarantino é um mestre em criar tramas violentas, sarcásticas e que em alguns momentos beiram o absurdo. Em Pulp Fiction ele pegou uma história simples e transformou em um dos maiores marcos de sua carreira. Foi esse filme que ajudou a decolar sua vida como cineasta (havia dirigido antes Cães de Alguel). Isso é constatado pela ótima bilheteria do longa. Seu orçamento foi de US$ 8 milhões e teve um faturamento de mais de US$ 200 milhões pelo mundo. Tarantino além de dirigir também foi o roteirista e foi laureado com o Oscar de melhor roteiro original em 1995. No filme, seguimos a vida dos mafiosos Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) e Vincent Vega (John Travolta) que vivem realizando trabalhos para seu chefe e ainda conta no elenco com Bruce Willis que é um lutador de boxe que precisa pagar uma dívida, além de Uma Thurman, que interpreta a esposa do chefe de Travolta. A cena em que Travolta e Uma Thurman dançam é clássica e até hoje é representada em pistas de dança de todo o mundo.

8. Scarface (1983)

Há duas versões de Scarface e ambas são ótimas. A versão de 1932 dirigida por Howard Hawks e Richard Rosson é menos conhecida que o longa de 1983, mas não seria nenhum erro se estivesse aqui em vez desta versão. Brian de Palma fez um verdadeiro clássico ao refilmar Scarface com uma história focada inteiramente no personagem Tony Montana, um imigrante cubano que fugiu de seu país e que passou a residir na Flórida. Lá descobriu um jeito de ganhar dinheiro com o lucrativo mercado das drogas. Se tornou um mafioso temido pelos rivais e super violento. Violência e sangue é algo que não falta na produção que se segura com facilidade em Al Pacino em uma interpretação fantástica. Tem um remake agendado para o ano de 2018 dirigido por David Ayer (Esquadrão Suicida). 

7. Operação França (1971)

William Friedkin é conhecido por ser o homem que levou às telas a história apavorante da garota possuída pelo diabo em O Exorcista. Só que sua carreira não se resume a essa produção e o filme dirigido por Friedkin antes do longa de terror foi Operação França. Gene Hackman interpreta o detetive Jimmy ‘Popeye’ Doyle e junto com seu parceiro investigam um carregamento de drogas que estaria vindo do exterior. É uma produção que trabalha muito bem o suspense do que irá acontecer com o carregamento, com os policiais e com os suspeitos. Tudo trabalhado com minúcia por Friedkin. O jogo entre policiais e mafiosos é o ponto alto da trama. Há duas continuações, uma mais famosa chamada Operação França 2 de 1975 e Popeye Doyle de 1986. Ganhou 5 prêmios Oscar incluindo melhor filme, melhor ator para Gene Hackman e melhor diretor. Fato esse que contribuiu para William Friedkin, com seus então 36 anos, fosse o diretor mais jovem a receber um Oscar, recorde só quebrado pelo diretor Damien Chazelle com La La Land. 

6. O Grande Golpe (1956)

Muito antes de clássicos como Spartacus e Laranja Mecânica, Stanley Kubrick se aventurou com uma história em que um grupo, liderado por John Clay (Sterling Hayden), pensa em roubar 2 milhões de dólares de um hipódromo e assim repartir uma bolada entre o grupo. Só que uma interferência externa ocorre no caminho e tudo sai dos trilhos. Produção foi muito bem criticada na época por trazer elementos novos de narrativa, como exemplo, os vários pontos de vista dos personagens e uma cronologia diferente dos fatos, algo em que vários cineastas se inspirariam mais para a frente. Longa foi inspirado na obra “Clean Break” do escritor Lionel White. 

5. Os Infiltrados (2006)

Os Infiltrados é um marco na carreira de Martin Scorsese. Foi com esta produção que conseguiu seu primeiro Oscar na categoria de melhor diretor. É um ótimo filme de gangsteres,  em que o policial se infiltra em uma organização criminosa para descobrir quem seria o infiltrado da máfia dentro da polícia de Boston. Uma trama muito bem roteirizada e dirigida, além de contar no elenco com grandes astros do cinema, como Jack Nicholson, Leonardo Di Caprio, Alec Baldwin, Mark Wahlberg e Vera Farmiga. Recebeu outros prêmios Oscar nas categorias roteiro adaptado, melhor filme e melhor edição. O longa é remake da produção de Hong Kong Conflitos Internos e que conta com duas sequências diretas: Conflitos Internos 2 e Conflitos Internos 3

4. Os Intocáveis (1987)

Brian de Palma aparece novamente na lista agora com essa excelente produção que se passa nos tempos de Al Capone, época em que a lei seca impedia que bebidas alcoólicas fossem vendidas, e quem descumprisse a lei seria preso, isso na teoria, já que Al Capone vendia bebida a rodo e não era preso. De Palma dirige com excelência e dá vida a um período que marcou os Estados Unidos. O grupo dos Intocáveis no qual o filme foca realmente existiu. Eliot Ness era o líder desse grupo, que contava com agentes do Tesouro Americano. Ele, junto com sua trupe ficaram muito conhecidos na época pelo comprometimento em manter a lei seca americana na região de Chicago. Receberam o nome de Intocáveis por conseguirem prender o mafioso Al Capone e por não aceitarem os diversos subornos que a gangue dele fez aos agentes. Filme recebeu inúmeras premiações, a mais lembrada é de ator coadjuvante para Sean Connery.

3. Era Uma Vez na América (1984)

Diversas máfias já foram retratadas no cinema, chinesa, japonesa, russa, italiana. Em Era Uma Vez na América foi a vez da máfia judaica ser retratada belamente pelo diretor Sergio Leone. O pano de fundo onde a máfia age é em Nova York. Robert De Niro interpreta David Aaronson, um gângster que desde jovem cometia pequenos delitos, e com o crescimento de seu poder acabou tendo seu melhor amigo como principal rival. Sergio Leone trabalha a caracterização de época de forma perfeita e os personagens, mesmo que de forma errada, tem uma motivação. Sergio Leone é conhecido por ter mudado o estilo dos filmes de Western e entre seus trabalhos memoráveis no cinema estão filmes como Era Uma Vez no Oeste e Três Homens em Conflito. Por sinal, Era Uma Vez no Oeste junto com Era Uma Vez na América e Quando Explode a Vingança compõem uma trilogia sobre a América.

2. Os Bons Companheiros (1990)

Se há um ator acostumado em interpretar mafiosos, esse alguém é Robert De Niro. Dos vários filmes que trabalhou sobre a máfia Os Bons Companheiros é um dos mais interessantes. No filme, Jimmy (De Niro), Tommy DeVito (Joe Pesci) e Henry Hill (Ray Liotta) são um trio de amigos que cometem altos roubos e traficam drogas para custear seus estilos de vida. Com o tempo vão ficando mais poderosos e isso atrai a atenção da polícia federal que passa ficar em seus encalços. É um longa bastante violento e que em nenhum momento romantiza o que a máfia fazia. O diretor é Martin Scorsese e voltaria a trabalhar novamente com Joe Pesci outras vezes, foram ao todo seis trabalhos juntos. Com Robert De Niro é algo mais profundo, haviam trabalhado seis vezes antes de Os Bons Companheiros e depois fizeram a dobradinha em outras produções como Cabo do Medo e Cassino.  Joe Pesci foi tão intenso na produção que venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante. Produção é inspirada no livro “Wiseguy” do escritor Nicholas Pileggui 

1. O Poderoso Chefão (1972)

Não seria nenhum erro se os três filmes da trilogia O Poderoso Chefão estivessem nesta lista. Só que o primeiro longa de 1972, além de ser o início de tudo, trouxe Marlon Brando imponente como o chefe da máfia, um homem calmo, mas também cruel. Trouxe também uma trama muito bem roteirizada e dirigida por Francis Ford Coppola e que iria influenciar outras produções no futuro. Suas duas continuações são ótimas, mas que não superam esse clássico da máfia. Há uma curiosidade quanto ao filme no sentido que ao escrever o roteiro com Mario Puzzo, Copolla evitou colocar a palavra máfia nos diálogos dos personagens, e a trocaram por ‘família’. Recebeu três prêmios Oscar melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor ator. Marlon Brando não compareceu a cerimônia da Academia em protesto contra o governo americano à discriminação contra índios americanos. 

O que acharam? Deixamos algum de fora? Algum desses filmes não merecia estar aqui? Deixem seus comentários abaixo!

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