O ano está chegando ao fim – e como todo final de ano, chegou a hora de listarmos as melhores performances de 2017!

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Na lista abaixo, separamos o suprassumo do corpo artístico de Hollywood, rankeando os atores que mais brilharam nas telonas, levando em conta os filmes lançados comercialmente neste ano.

Confira nossas escolhas abaixo e deixe seu comentário!

10. Ryan Gosling | Blade Runner 2049

Blade Runner 2049 definitivamente emergiu como uma das grandes surpresas do ano. Além de seu enorme sucesso e de fazer jus à clássica obra dirigida por Ridley Scott, é possível dizer que a alma do filme reside sobre Ryan Gosling e sua rendição ao personagem K, um replicante cuja vida é pautada na artificialidade e na constante busca por algo palpável e que o permita escapar do cosmos em que vive. Gosling não apenas consegue vestir o papel, mas torna-se ele ao transparecer toda a melancolia própria do personagem, transformando sua performance em uma das melhores de sua carreira.

9. Andy Serkis | Planeta dos Macacos: A Guerra

Andy Serkis tem uma paixão incontrolável por dar vida ao grotesco, ao marginal e ao inaceitável. Ora, se o ator é responsável pela transcrição idêntica da criatura Smeagol na franquia O Senhor dos Anéis, certamente seria a persona perfeita para encarnar César na nova adaptação aos cinemas da série Planeta dos Macacos. E após o estrondoso sucesso dos dois filmes, Serkis retorna mais uma vez em A Guerra em uma construção psicológica e totalmente simbólica que aproxima o protagonista do filme aos arquétipos humanos muito mais que seus colegas de cena. Desde sua expressão enfurecida até seus meneios contraditórios, toda a construção finca-se a um realismo assustador que, eventualmente, encontra uma merecida e aplaudível resolução.

8. Mahershala Ali | Moonlight: Sob a Luz do Luar

O vencedor do Oscar 2017 de Melhor Filme não poderia alcançar tamanho status sem um elenco de peso – e talvez a figura que mais roube atenção neste drama coming-of-age seja Mahershala Ali. Apesar do pouco tempo de cena, seu personagem Juan emerge como a figura familiar que nunca esteve presente na vida do protagonista Chiron, endossando seu papel de pai, guardião e guia, ajudando-o através dos inúmeros preconceitos, incluindo no tocante à sua sexualidade, para permitir que ele simplesmente viva. O melodrama aqui é praticamente inexistente, dando margem para que o realismo se implique de forma natural, principalmente nas expressões faciais do ator, carregadas com mudanças sutis, e em seus momentos de queda (um dos pontos mais tocantes da obra inteira).

7. Patrick Stewart | Logan

Patrick Stewart é um nome conhecido e respeitado dentro da indústria do entretenimento, principalmente por encarnar o misterioso Professor Xavier na franquia X-Men. E desde sempre, apesar das limitações físicas, tal personagem nunca precisou de muito para causar um impacto em cena, levando em conta sua resiliência e seu senso indiscutível de justiça. Mas o que acontece quando uma das mentes mais poderosas de todas encontra uma crescente ruína? É exatamente o que Stewart propõe-se a fazer em Logan, adotando um modo sombrio, envolvente e trágico que perscruta as expressões mais dolorosas do ser humano ao mesmo tempo em que mantém uma doçura de quebrar o coração. Não é à toa que os produtores do filme estejam realizando campanhas para colocar seu nome na corrida pelo Oscar: uma atuação dessas merece reconhecimento – e muito.

6.  Kenneth Branagh | Assassinato no Expresso do Oriente

Albert Finney sempre será lembrado por sua rendição como o detetive Hercule Poirot, uma construção cômica e quase tola que mescla-se com a sagacidade do personagem. Entretanto, é nessa mais nova adaptação de Assassinato no Expresso do Oriente que Poirot encontra uma arquitetura muito mais irreverente, dramática e até mesmo teatral – e nada disso seria possível sem a capacidade performática e shakesperiana de Kenneth Branagh: ao mesmo tempo em que traz uma superioridade e uma classe para as telonas, ele permanece em um círculo mais humano e que explora outras vertentes de sua personalidade, incluindo a romântica. E talvez o mais incrível seja o fato do ator carregar todas as emoções em um semblante que oscila quase imperceptivelmente entre o amor e o ódio, a luz e as trevas.

5. Charlie Hunnam | Z – A Cidade Perdida

Z – A Cidade Perdida gira em torno de um explorador inglês que, apesar de nunca ter tido reconhecimento devido à má reputação de seu pai, decide viajar até as inexploradas florestas brasileiras para encontrar a civilização que empresta seu nome ao título. E dentro de um escopo que lembra, ainda que a priori, a franquia Indiana Jones, nada mais justo e satisfatório ter um personagem em seus melhores arquétipos heroicos para comandar a trama – e isso se concretiza na charmosa e franzina atuação de Charlie Hunnam como o protagonista Percy Fawcett. Sua vívida e envolvente investida talvez seja a melhor da carreira, não apenas pelo constante amadurecimento na jornada principal do longa, mas também por fugir aos convencionalismos e permitir que a figura em questão torne-se alguém complexo e completo.

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4. Daniel Kaluuya | Corra!

Configurando-se como outra surpresa para 2017, Corra! é um thriller tragicômico que tem uma premissa muito interessante e uma resolução inesperada. Daniel Kaluuya, saindo diretamente de sua performance em Black Mirror, encarna o protagonista Chris Washington que, ao fazer uma visita à família de sua namorada, percebe que mergulhou em um mundo perigoso e mortal. O ator faz um trabalho impressionante de expressão facial com o poder do olhar. Seja com desconforto, insegurança, desespero ou confiança, Kaluuya parece tirar de letra o modo de se impor e se expressar, sempre evidenciando os movimentos com os olhos, casando perfeitamente com uma das reviravoltas da história.

3. Casey Affleck | Manchester À Beira Mar

Talvez não haja nenhum outro ator com uma expressão tão blasé quanto Casey Affleck. E antes que alguém pense que estou julgando-o por seus traços faciais, é justamente essa capacidade de manter o mesmo semblante que tornou sua performance em Manchester À Beira-Mar uma das melhores de sua carreira. Encarnando Lee, um zelador que passa a cuidar do sobrinho (Lucas Hedges) após a morte de seu irmão, Affleck entrega-se a um personagem disfuncional e que busca pelos instintos paternais ainda que não consiga fazer isso, principalmente por um passado obscuro e trágico; e o ator consegue manter-se em uma estabilidade assustadora e que, ao mesmo tempo, é adornada com uma raiva crescente que não consegue encontrar refúgio até os momentos finais do drama.

2. Vladimir Brichta | Bingo – O Rei das Manhãs

Irreverência, comodismo, tragédia e comédia: esses são os elementos que compõe a complexa personalidade de Augusto Mendes, ator em decadência que encontra uma possibilidade de se reinventar no papel do Palhaço Bingo em um novo programa de auditório infantil. Em uma performance quase inacreditável e composta por inúmeros elementos de construção de personagem, Vladimir Brichta é o grande brilho do filme dirigido por Daniel Rezende. Através de um arco de ascensão em queda, finalizado com uma redenção merecida, o ator resgata toda a história da televisão e do cinema brasileiro e mostra, através de uma composição facial que oscila da lucidez à loucura, o preço da ambição e da fama.

1. James McAvoy | Fragmentado

23 personalidades. Uma mantendo-se às escondidas. James McAvoy provavelmente é um dos poucos nomes capazes de superar todas as expectativas e entregar-se a um laboratório criativo à la Bertold Brecht: no triunfante retorno de M. Night Shyamalan à indústria cinematográfica, o ator dá vida a Kevin, um homem que sofre de transtorno de múltiplas personalidades e que rapta três garotas para oferecê-las como oferenda à faceta que se mantém escondida, conhecida como A Fera. Cada um dos personagens é vertiginosamente diferente um do outro, todos muito bem delineados e que se mantém em um nível de complexidade profundo, cujo trabalho de cena seria difícil até para os mais veteranos – mas aparentemente não para McAvoy.

HORS CONCOURS

Will Poulter | Detroit em Rebelião

Detroit em Rebelião pode ter seus erros, mas Will Poulter definitivamente não é um deles. Dando vida ao policial Krauss, o ator praticamente passa por um processo de desconstrução psicológica total para finalmente reconstruir-se na pele de um impetuoso “justiceiro”, um oficial racista e completamente sem escrúpulos que tem um objetivo muito mais racional que humano dentro de sua construção. Desde sua rude composição cênica até o duro e condenável semblante bélico, Poulter entrega-se para um dos melhores papéis que já encarnou.

referências star wars os últimos jedi

Mark Hamill | Star Wars: Os Últimos Jedi

Luke Skywalker é um dos personagens mais icônicos de todos os tempos, e se Mark Hamill já se entregava de corpo e alma para o jedi na trilogia original da franquia Star Wars, ele não apenas repete o feito em Os Últimos Jedi, como aproveita sua idade e sua experiência para fornecer à sua própria performance uma maturação necessária, que abandona trejeitos saturados em cena e concentra todas as suas emoções em seus olhos, permitindo que o personagem outrora impulsivo adote um equilíbrio anterior que se alastra para cada movimento de seu corpo e que, eventualmente, contribui para a finalização de seu arco dentro desse universo.

Harrison Ford | Blade Runner 2049

Deckard está de volta! O icônico caçador de androides interpretado por Harrison Ford no filme original foi um dos mais aguardados retornos para as telonas neste ano – e ele definitivamente não decepcionou nessa sequência inesperada e muito satisfatória. Ford retorna de modo melancólico e traumatizado, mas com alguns raros momentos de humor que nos lembram do carisma incrível do ator, ainda em ótima forma para um sujeito na casa dos 70. São novas revelações e desenvolvimentos que elevam o personagem e que, apesar de precisarem de um pouco mais de tempo para encontrarem a totalidade de seu potencial, encontram um espaço considerável no longa.

Andrew Garfield | Silêncio

O novo filme de Martin Scorsese fala de um tema delicado: o silêncio de Deus, ou a surdez humana perante as súplicas e as respostas divinas. E em se tratando de uma obra de tamanho cunho reflexivo, seu elenco não poderia ser menos que brilhante – e um dos nomes que emerge como um dos melhores é certamente o de Andrew Garfield. Grande parte do longa se deve ao desempenho assombroso do ator – que deveria ter sido indicado por esse papel. A partir do momento que nos vemos envolvidos com a dor do personagem e de toda sua dúvida, é impossível ficar indiferente aos olhares de desespero e angústia que Garfield nos proporciona. Uma performance totalmente entregue ao personagem.

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