Finalmente chegou a hora de ver o que aconteceu de melhor para o cinema em 2016. O ano foi lotado de lançamentos de peso que atraiam muita expectativa. O melhor exemplo disto foram os seis filmes de super-herói encaminhados para este ano sendo que a maioria conseguiu decepcionar. Ao fim, poucos blockbusters provaram um grau de excelência notório para entrar na lista, mas diversos filmes ausentes na seleção estão nas menções honrosas. Confira os filmes que mais nos surpreenderam neste ano! 

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10. Ave, César!

Ave, César tem praticamente tudo que um digno filme dos Coen precisa ter: humor ácido, paródias políticas, trama absurda que tira a rotina pacata do homem comum, reviravoltas inusitadas, etc. Uma comédia de erros bastante divertida que merece seu lugar na lista dos melhores do ano. Os Coen acertam com a história repleta de contexto histórico ao embarcar na magia dos estúdios hollywoodianos dos anos 1950.

9. Kubo e as Cordas Mágicas

Sabemos que a Focus Features e a Laika Productions sempre conseguem unir suas forças e trazer mágica para as telonas. Temos como exemplos mais velhos Coraline e Paranorman, sucessos de público e de crítica; e neste ano, a parceria quase transcendental nos presenteou com Kubo e as Cordas Mágicas, uma jornada mágica e antropológica pela cultura japonesa e pela própria jornada do herói. Girando em torno de uma criança em busca do avô – que no caso é o antagonista da história – a animação em stop-motion consegue viajar de forma fluida por todos os níveis da psiquê humana, com uma narrativa original, comovente e contemplativa. (Thiago Nolla)

8. Star Trek: Sem Fronteiras

Eu temia pelos rumos do terceiro filme do universo rebootado de J.J. Abrams para Jornada nas Estrelas, especialmente pela saída do diretor e sua substituição por Justin Lin. Felizmente, o que recebemos foi um dos melhores filmes de toda a franquia de Gene Roddenberry nos cinemas, em um roteiro intimista e simples que abraça o aspecto episódico da série de TV e usa isso a seu favor. Ainda temos fantásticas cenas de ação e o melhor uso de Beastie Boys que alguém já fez na vida, mas o que torna Star Trek: Sem Fronteiras tão especial é seu cuidado com os personagens o elenco sempre muito bem entrosado. Que a Enterprise continue voando a territórios inexplorados.

7. O Regresso

A história de vingança de Hugh Glass impressionou diversos espectadores no começo do ano, principalmente por conta da atuação intensa de Leonardo DiCaprio. Iñarritu vendeu seu filme na polêmica e conseguiu sair vencedor. Uma grande obra de proeza técnica admirável, mas com algumas deficiências em material de narrativa. Vale conferir pelo teor violento e por conta da maravilhosa fotografia de Lubezki.

6. Rua Cloverfield, 10

Diferentemente do que muitos pensavam, o suspense de Cloverfield: Monstro não estava nem perto de acabar. J.J. Abrams, no começo de 2016, anunciou de forma imprevisível que seu filme de 2008 iria ganhar uma “sequência” antológica, intitulada Rua Cloverfield, 10. E apesar de sua estética em found footage ter funcionado muito bem, o longa não agradou a todos e caiu no limbo do esquecimento. O resultado foi surpreendente: a continuação, estrelando Mary Elizabeth Winstead, John Goodman e John Gallagher Jr. se fixou numa narrativa densa e claustrofóbica, com viradas espetaculares e um desfecho surpreendente. O filme é superior a seu original em diversos aspectos, principalmente no fato de entregar além do prometido – e não se manter preso a um marketing exorbitantemente caro para encantar o público. (T.N.)

5. Dois Caras Legais

Quando pensam na frase “não fazem mais filmes como esse”, um dos exemplos mais recentes a se vir em minha cabeça é Dois Caras Legais. Mais um roteiro original de Shane Black, que também assume a cadeira de diretor, temos um perfeito filme de gênero e que oferece um ar de frescor ao neo noir, na figura de dois detetives hilários que ganham vida através das performances de Ryan Gosling e Russell Crowe. É engraçado e divertido, além de trazer uma narrativa absurda e tipicamente anos 70, em um thriller que parece uma mistura entre Chinatown e Boogie Nights. O filme mais delicioso do ano.

4. Os Oito Odiados

Um dos projetos mais aguardados de Quentin Tarantino, Os Oito Odiados retoma suas raízes simples ao trazer mais uma história de câmara, onde seus personagens passam boa parte da projeção confinados no mesmo local. Felizmente, Tarantino é um mestre na escrita de diálogos, e mantém a verborragia correndo solta e um clima de mistério que aproxima seu filme mais de O Enigma do Outro Mundo do que um simples faroeste. Além de todos os fabulosos quesitos técnicos e a trilha original de Ennio Morricone, temos um dos melhores elencos de um filme de Tarantino, com destaque para Samuel L. Jackson e a sanguinária Jennifer Jason Leigh. Um perfeito filme natalino.

3. Rogue One: Uma História Star Wars

Se o termo “rogue” possui como uma de suas traduções, mesmo com a perda de sentido na língua portuguesa, a ideia de algo “rebelde” ou “extraoficial”, pode-se dizer que Rogue One é uma espécie de primo revoltado, de ovelha negra da família Star Wars. E é justamente esse seu maior mérito. Com a trama localizada entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança, Rogue One deixa de lado o subtítulo “episódio tal”, mostrando que, apesar de se passar no universo criado por George Lucas, não traz a história dos Skywalkers, mas conta os eventos que levaram ao roubo dos planos da Estrela da Morte pela Aliança Rebelde. E apesar dos inúmeros fan services, que agradarão o público de longa data, esta nova estória funciona como uma trama independente, tornando o longa capaz de atrair praticamente todo mundo. (T.N.)

2. Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Justo quando parecia que filmes de animação estavam sem metáforas na falta de originalidade, surge então o inteligentemente divertido Zootopia: Essa Cidade é o Bicho para mostrar que ainda há muito o que se explorar em um universo combinado por técnicas de CGI e antropomorfização. Ostentando um elenco muito bem escolhido liderado por Ginnifer Goodwin como Judy Hopps, a primeira oficial coelha da “mamífero-cêntrica” cidade de Zootopia, as técnicas de 3D combinam brilhantemente um humor afiado e prazeroso a uma mensagem sutil e muito oportuna de inclusão social e empoderamento. E diferentemente de outras produções formulaicas, esta merece uma salva de palmas, tanto pelos temas retratados quanto pela capacidade de agradar das menores às maiores criaturas.

1. A Chegada

Depois de Sicario – Terra de Ninguém, o novo filme de Denis Villeneuve traz a mesma marca de incríveis visuais e efeitos imagéticos, bem como uma protagonista feminina que embarca numa jornada perigosa e contemplativa. Neste caso, entretanto, o foco não é em cartéis mexicanos, mas sim em alienígenas que misteriosamente chegam à Terra em naves espaciais gigantes e ovaladas e que não se comunicam em nada parecido com a linguagem humana.  O que se segue após isso é um emocionante drama de “primeiro contato” que se divide em subtramas concentradas na luta da protagonista sobre a perda da filha e uma narrativa que se estende para um retrato atemporal e anacrônico sobre o círculo natural da vida, e como a linguagem escrita e falada ajuda a nos conectar com o passado, o presente e o futuro. (T.N.)

Menções Honrosas

Agora, trazemos aqui algumas menções honrosas que acabaram ficando de fora da lista, cada uma delas saída diretamente da escolha pessoal de cada membro da equipe do Bastidores:

A Academia das Musas

“Se o cinema de aventuras, cinema impaciente e esquecível, para bem ou para mal, parece sempre, ano a ano, mais indeciso ou descaradamente indiferente com a representações em geral, um cinema de aventuras outras – que desponta cada vez mais raramente – parece estar alguns séculos à frente. No seu diletantismo proposital, não vazio nem menos nobre, A Academia de Musas debate a ineficiência da estética clássica no mundo do “Eu” total. E faz isso não por meio de ferramentas diretamente palatáveis (constantemente as cenas trazem um vidro, um reflexo, uma barreira transparente que evidencia o devir nos closes das musas e do seu poeta), porém por uma incisividade única em seu roteiro, com tanta aparência de experimental, misturando documentário e ficção, cortes violentos, o uso do silêncio. Anacronismos são periogosos. E o catalão José Luís Guerín mostra-se especialmente consciente disso. Nessa época da massificação não só da arte, mas da crítica, sob a prerrogativa falsa de que cabem aos consumidores julgarem se vale ou não determinar a qualidade de uma qualquer produção artística (se tem curtidas, vale; se não tem, seu valor é nulo), A Academia de Musas é um filme obrigatório. “– Henrique Artuni

Águas Rasas

“Águas Rasas pode entrar naquele grupinho de excelentes filmes desse ano que quase ninguém viu. Blake Lively segura esse filme praticamente sozinha, e ela dá um show no papel de uma mulher comum que se transforma em uma guerreira que vai de cara com um tubarão branco, que é outro ponto imensamente positivo no filme. A criação 100% digital da criatura é digna de prêmios, nunca se viu um tubarão tão perfeito no cinema, e se você pensa que ele está presente em todo o filme está enganado. O Tubarão é visível devido as águas quase cristalinas da locação, mas seu reinado de terror é apresentado em momentos chaves, assim como o tubarão de Spielberg . Definitivamente o melhor filme de Ser Humano vs Natureza do ano, e também um dos melhores da História.”  – Daniel Sodré

Animais Fantásticos e Onde Habitam

“Eu acho que deve estar na sua lista, pois foi um filme que trouxe de volta a magia de Harry Potter para o cinema. Além disso, as animações em CGI estão incríveis e a forma como a angulação de câmera foi feita para valorizar o 3D é incrível.” – Beatriz Marques

Animais Noturnos

‘Para fechar o ano em grande estilo, eis que Tom Ford confere uma obra estupenda, muito inteligente, que deve agradar bastante àqueles que procuram um filme completo em todos os sentidos, incluindo sua trilha musical maravilhosa, romântica, idílica e leve. Uma música que emana toda a beleza moral nunca alcançada por seus míseros, infelizes personagens.Passamos de um thriller repleto de violência que promete uma história de vingança explosiva para então se tornar um drama psicológico humano sobre relações amorosas fracassadas e o luto do abandono. Porém, a graça de Animais Noturnos é justamente essa: em flertar com o ser e não ser, em se metamorfosear em um filme paradoxal extremamente simples, mas ao mesmo tempo complexo e exigente. Delicado e cruel, apaixonado e incrédulo, altivo e mortal.” – Matheus Fragata

Big Jato

“O pernambucano Cláudio Assis se comprova como um dos principais diretores do atual cenário brasileiro. Mesmo os seus longas anteriores serem mais brutais, Big Jato chama a atenção por ser o seu filme mais doce. Uma bela história de amadurecimento, muito bem filmada e que trás uma atuação impecável de Matheus Nachtergaele, que interpreta dois papéis diferentes com brilhantismo. “– João Pedro Gibran

Boa Noite, Mamãe

“Boa Noite, Mamãe pode ser definido como uma joia rara. Afinal, não foi distribuído com tanta força pelos cinemas brasileiros e chegou aqui dois anos depois de ser a aposta austríaca do Oscar 2015. A história parece simplória a priori, girando em torno de irmãos gêmeos cuja mãe retorna do hospital após um grave acidente completamente mudada e levando os garotos a acreditarem que uma impostora está morando sob o mesmo teto. E o que poderia ser um típico caso de transtorno de personalidade dá lugar a um thriller psicológico que permeia os extremismos do trauma, da perda e da incompletude familiar.” – Thiago Nolla

A Bruxa

“No começo de 2016, A Bruxa causou grande alvoroço ao tornar-se um enorme sucesso de crítica e um fracasso aos olhos do público, por, entre muitas razões, “ser um filme de terror que não dá medo”. Primeiramente, uma obra do gênero não necessariamente deve fazer alguém pular da cadeira ou fechar os olhos, mas causa uma angústia que irá perdurar para além da saída da sala do cinema – e é exatamente isso o que o filme de Robert Eggers entrega: uma releitura de contos do século XVII, ambientado na época onde o misticismo era a causa de todos os males e aquilo que fugia do comum era condenável ao extremo. Com uma trilha sonora perturbadora e uma performance incrível de Anya Taylor-Joy, A Bruxa é um filme atemporal – e que vai mexer com o âmago da sua própria existência. – “Thiago Nolla

Fogo no Mar

“O documentário foi o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2016 – algo difícil para um filme do gênero – e é dirigido pelo italiano Gianfranco Rosi (que já levou também o prêmio principal no Festival de Veneza 2013 com outro longa-metragem documental). Em Fogo no Mar, o documentarista registra, com apenas uma câmera, a vinda de imigrantes de nações africanas à ilha de Lampedusa (ITA). Paralelamente, uma família de pescadores tem seu cotidiano retratado, cujo filho mais novo deve se adaptar ao uso de seus novos óculos enquanto aprende a enxergar melhor a delicada situação dos refugiados.”  – Rodrigo de Assis

Invocação do Mal 2

“Foi um belíssimo ano para o gênero de terror, mas fiquei genuninamente impressionado com a habilidade de James Wan em não cair nas muitas armadilhas de uma continuação, especialmente desse gênero. Invocação do Mal 2 apresenta uma história mais forte do que seu antecessor, contando com um drama humano surpreendentemente emotivo e um clima de terror que mantém-se alinhado com o original. E como seria bom se eu pudesse ver Vera Farmiga e Patrick Wilson contracenando juntos mais vezes.” – Lucas Nascimento

lights-out

Quando as Luzes se Apagam

“Houve o surgimento de um “poder” inédito, no contexto sobrenatural, um ser que fica invisível na ausência de luz. Confesso que quando cheguei em casa acendi todas as luzes possíveis!” – Henrique Vecchio

E essa é a nossa lista dos melhores de 2016. Faltou algum? Indique ou mande a sua própria seleção nos comentários!

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