Estamos nos aproximando do fim da década de 2010. Já em 2017, podemos dizer com segurança quais os 20 melhores filmes de terror que tivemos o prazer de ver até agora nesses últimos oito anos. O terror em si é um gênero muito interessante. Ele é vital para desenvolver futuros grandes cineastas seja para lançá-los no mercado ou para consagrá-los não somente no gênero, mas em blockbusters memoráveis. Porém, devido seu baixo custo e as liberdades tomadas pelos realizadores, muitas vezes se comportam como facas de dois gumes. Não à toa que o gênero é, em sua maioria, constituído por muitos filmes péssimos e medíocres.

Mas há luz nas trevas. E essa lista visa trazer esses 20 grandes filmes de terror que a década de 2010 concebeu até agora. Pequeno detalhe: caso não tenha visto alguma das nossas indicações, tente procurar esses filmes para ver. Garantimos que a experiência valerá a pena.

20. O Segredo da Cabana

Uma das maiores subversões do gênero de terror que já tenhamos visto. E justamente por isso, por seu tom cômico, é prejudicado em diversas partes. Entretanto, calcando sua narrativa com os mais diversos clichês do gênero e ainda aliando a toda proposta vista em O Show de Truman, O Segredo da Cabana é um dos filmes, ironicamente, mais originais que você pode assistir nesse milênio. Mesmo que não te garanta pavor, temos diversão de sobra e muitas, mas muitas criaturas malditas para infernizar a vida dos protagonistas.

19. Sobrenatural

Outro filmaço de James Wan. Essa boa experiência de casa mal-assombrada gerou uma franquia que até agora não rendeu um filme verdadeiramente ruim, mas que não chegam perto da premissa do primeiro. Contando com a elegância de encenação de Wan, esse filme relativamente barato consegue prender sua atenção do início ao fim, além de apresentar um dos núcleos de caça-fantasmas mais interessantes e divertidos que vi em tempos. O único porém é seu terceiro ato extremamente espalhafatoso que abandona toda a sutileza e sustos eficientes que havíamos visto até então.

18. Invasão Zumbi

E quando você pensa que o gênero Zumbi estava morto para sempre e a única representação decente era no ótimo e hilário Zumbilândia ou um blockbuster inchado como Guerra Mundial Z, vem os Coreanos com uma bofetada na cara entregando um dos melhores exemplares do gênero em anos. Não só por construir mortes gratificantes, mas por saber construir tão bem todas as vertentes que um filme Zumbi necessita com um look de um filme catástrofe dramático e trágico, com ótimas desconstruções de clichês e uma tensão enervante e sem perder o folego! Raphael Klopper

17. A Entidade

A peça de profunda eficiência cinematográfica do diretor Scott Derrickson. Assim como diversos filmes dessa lista, a narrativa é calcada em diversos clichês do gênero, porém o uso ativo de vídeos caseiros snuff e gore contendo a tal assombração da Entidade é bastante original. Digamos que seria um derivado de O Chamado, mas consideravelmente mais tenso diante de uma ameaça implacável e sádica que subverte qualquer noção de moralidade e ética. Os minutos finais são revoltantes e você provavelmente vai adorar ficar puto.

16. Amizade Desfeita

É incrível como o gênero do terror abre portas para inovações na linguagem cinematográfica e até subgêneros, vide o advento do slasher nos anos 1980 e o found footage com A Bruxa de Blair. Na era do novo milênio, a internet é o palco para o terror neste inteligente e envolvente suspense, que se desenrola inteiramente na tela de um computador, quando um grupo de amigos em uma conferência de Skype é perturbado pelo fantasma de uma colega. As soluções e as ideias de Leo Gabriedze são inventivas, rendendo a promessa de uma nova revolução de linguagem no gênero. Lucas Nascimento

15. Você é o Próximo

Um dos slashers mais honestos dessa lista. O primeiro grande sucesso de Adam Wingard, um dos maiores realizadores do gênero que veio a brilhar nessa década, é realmente merecido. Assistir a Você é o Próximo é uma diversão sádica, pois ao longo da obra a linha tênue que separa os antagonistas invasores da singela família fica cada vez mais estreita. Logo, um jogo de carnificina começa com dois times sedentos por violência. Além disso, os planos da protagonista envolvem engenhosidades a la Esqueceram de Mim. Impossível não gostar dessa belezinha sangrenta.

14. Deixe-me Entrar

O remake de Matt Reeves pertence em duas listas: essa e uma de melhores remakes. Apesar de alguns efeitos visuais muito toscos, Reeves contorna os problemas técnicos trazidos pelo baixo orçamento com sua fina elegância e direção de atores. Aqui, Chloe Moretz e Kodi McPhee brilham em sua relação de pseudo amizade até a revelação sedutora da menina ser uma pequena vampira. Reeves consegue o impossível e mesmo bebendo muito na fonte visual do original sueco, Deixe-me Entrar não deve nada para seu predecessor.

13. Invocação do Mal 2

Inspirado pelos acontecimentos que infernizaram a família Hodgson em 1977, Invocação do Mal 2 foi uma bela surpresa de 2016. As expectativas pela sequência do fenômeno que virou o original eram bastante altas e, mesmo vacilando com algumas ideias originais até demais, o novo terror de James Wan conseguiu satisfazer bastante. É um dos melhores filmes sobre poltergeists no gênero até agora.

12. A Morte do Demônio

Refilmar um dos clássicos do terror gore com uma roupagem mais séria é praticamente uma ofensa, mas o resultado da nova versão de A Morte do Demônio é surpreendentemente positivo, surgindo como um dos melhores remakes de terror já feitos. Tendo a aprovação e auxílio do criador do original, Sam Raimi, o então estreante Fede Alvarez cria um show de nojeiras, mutilação e espíritos demoníacos, mantendo a essência do original ao mesmo tempo em que oferece algo inovador, beneficiando-se de efeitos práticos fabulosos, um ótimo elenco liderado pela carismática Jane Levy e uma atmosfera sinistra. Ou melhor, groovy.

11. Eu Vi o Diabo

Dirigido pelo excelente Kim Jee-Woom, Eu vi o Diabo representa um ponto importante na carreira do realizador e foi o filme que abriu portas de Hollywood para o diretor. O filme possui uma história simples mas ganha frescor na abordagem e nos contornos que o realizador optou por tomar. Na trama, após sua noiva ser assassinada brutalmente por um serial killer, um agente secreto do governo sul-coreano resolve abandonar tudo e partir num jogo de gato e rato repleto de violência, tortura fisica e psicológica. Seria uma obra banal não fosse o virtuosismo do diretor. Destaque para a cena do taxi e para o final, que é sem dúvida um dos momentos mais impactantes do cinema do final da década passada. Heitor Guedert

10. Boa Noite Mamãe

Filmes de terror envolvendo crianças em papéis macabros tornaram-se corriqueiros nos dias de hoje e é por isso que “Boa Noite Mamãe” merece destaque. O filme não entrega certezas absolutas e evita maniqueísmos a todo momento. É fato que um espectador mais calejado pode antecipar as viradas e surpresas da história, mas nem por isso elas deixam de ser impactantes ou coerentes. Na trama, a mãe de dois garotos volta para casa, após se afastar devido a cirurgias plásticas. Os garotos, porém, não acreditam que aquela mulher que retornou com o rosto enfaixado seja sua mãe. Trata-se de um filme bem dirigido, com uma direção competente, suspense bem construído e momentos que fazem o espectador se contorcer de agonia. Heitor Guedert

9. Creepy

Kiyoshi Kurosawa é um mestre do Cinema. A sua habilidade de usar as mais diferentes ferramentas cinematográficas para manipular a expectativa e os sentimentos do espectador pode ser conferida tanto nos seus dramas quanto nos filmes de terror. E, no caso destes últimos, um dos que mais se destacam é o recente Creepy. Na história que gira em torno de um misterioso homem, o diretor constrói o suspense aos poucos até o grande ato final, quando todas as engrenagens narrativas se juntam e explodem numa catarse de violência e maldade.

8. O Lamento

Faz tempo que o cinema coreano vem se destacando no cenário internacional. Os filmes de cineastas como Park Chan-Wook, Joon-Ho Bong Hong Sang-Soo são ansiosamente esperados por críticos e cinéfilos de todo o Mundo. Um dos nomes mais promissores a surgir nos últimos anos foi Hong-Jin Na, diretor do ótimo O Lamento.  Com um ritmo enervante e uma trama enigmática, este filme de 2016 é um pesadelo perturbador.

corra filme

7. Corra!

Para quem supostamente se encontra na posição de estreante, Jordan Peele impressiona ao se demonstrar maduro, competente e consciente do que quer fazer, alcançando uma proeza que poucos conseguem na carreira, que dirá em seu primeiro trabalho: a transição entre gênero e subgênero. Peele navega pelo suspense, thriller psicológico, humor tragicômico e terror de exageros com extrema fluidez, tudo regado a um toque pessoal com uma corajosa e afiada crítica de status social, fazendo desta uma das obras mais relevantes da década. Inesquecível. Leandro T. Konjedic

6. A Bruxa

O filme de Robert Egers é a perfeita prova de como o terror pode fugir da sua base fórmula genérica e famiiar, e construir o terror, o medo e o puro mal da forma mais natural possível aqui em seu verdadeiro drama de época com uma aura macabra e que desperta verdadeiras emoções aterrorizantes. Raphael Klopper

5. Corrente do Mal

Um retorno quase perfeito ao cinema de terror anos 1980. E seu diretor David Robert Mitchel ressuscita o clima da juventude contra as forças do mal e todo seu teor sexual sombrio, com um uso fabuloso da trilha sonora tecno que relembra dos bons e velhos dias de John Carpenter e Wes Craven. E a criação de expectativa do mal desconhecido é nada menos que enervante e tenebrosa! Também o fato do longa ser uma metáfora bastante criativa de DSTs é algo a ser valorizado. Raphael Klopper

4. Garota Sombria Caminha pela Noite

Garota Sombria com certeza é o filme menos convencional dessa lista e não só por isso merece ser relembrado. O filme iraniano é bastante arthouse em seu formato, com profunda contemplação e muitas coisas abertas para a interpretação do espectador. Entretanto, no que flerta com a narrativa, é o suficiente para conquistar qualquer amante de um bom filme. A diretora Ana Lily Amirpour toca em temas interessantíssimos como prostituição, vício em drogas na terceira idade e um valioso estudo de personagem para a vampira sem nome que observamos ao decorrer da trama (mesmo que muito pouco seja devidamente desenvolvido). O clima do filme flerta com westerns, obras expressionistas e até mesmo com o cinema noir hollywoodiano dos anos 1940. Com condução segura, fotografia magnífica e excelente trilha musical, Garota Sombria já é um clássico do gênero. 

3. Sob a Sombra

Um filme de terror dotado de alguma originalidade merece sempre uma conferida. É o caso desta produção britânica, dirigida por um iraniano e filmada na Jordânia. Uma mãe perseguida pelo regime teocrático precisa proteger a si mesma e a filha de uma assombração, da guerra e do governo – tudo ao mesmo tempo. Diferente da regra do gênero, boa parte do suspense é construída em ambientes iluminados, e funciona muito bem. Daniel Moreno

2. Invocação do Mal

Invocação do Mal pegou muita gente de surpresa em 2013. Até 2019, acredito que será muito difícil superar a qualidade que esse filme apresenta. Mesmo calcado em diversos clichês narrativos e se valendo de características de núcleos investigativos experimentados em Sobrenatural, a obra é transformada pela direção e estética aterrorizante que James Wan investe com tanto cuidado criando sequências de verdadeiro horror sem a necessidade de ficar estressando o espectador com sustos estúpidos e efeitos sonoros irritantes. Exemplos para justificar a qualidade gloriosa dessa obra são muitos, mas basta lembrar do magnetismo da cena que uma das irmãs Perron afirma estar vendo algo horroroso no vão da porta. Mesmo quando Wan revela que nada havia ali, essa cena é uma das mais temerosas da obra inteira apenas por apostar na imaginação do espectador para criar os monstros que aterrorizam as meninas durante a noite.

1. O Babadook

Talvez essa seja uma escolha polêmica, mas o australiano O Babadook é uma excelente experiência cinematográfica que vai muito além do óbvio. A sua mensagem é extremamente sombria e perturbadora fadando seus personagens à uma tragédia familiar que nunca chegará às vias do fato. Não é um filme comum sobre monstros e assombrações, mesmo que a narrativa aproveite um ponto de virada bastante clichê e genérico. Não é somente por sua mensagem impactante que está no topo, mas pela atmosfera insuportável que Jennifer Kent constrói gradativamente. Por conta disso, O Babadook vira um dos filmes mais imprevisíveis da década. De primeira viagem, simplesmente não dá para presumir diversas coisas apresentadas pela diretora.

Menções honrosas: Águas Rasas, O Homem nas Trevas, Dêmonio

Por enquanto, esses foram os 20 filmes que consideramos os mais relevantes para o gênero até agora. Até o fim de 2019, algumas coisas devem mudar bastante. Também ressalto, agora, que buscamos não incluir filmes de suspense, ficções científicas e thrillers psicológicos. Esses merecem uma lista individual. Mas já que chegamos até aqui, eu te pergunto: como seria seu top 10? Mande para a gente nos comentários abaixo!

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