Obs: lista feita em conjunto com Ayrton Magalhães e Kevin Castro

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Desde os primórdios da humanidade, o ser humano sempre temeu os fenômenos desconhecidos, e ao longo do tempo os materializou em deuses e monstros. Quando as colheitas floresciam, quando tremores ocorriam nas planícies, e séculos depois, quando bombas caíram dos céus. O ser humano criou seus próprios monstros, não apenas por medo, mas também por fascínio.

Foi em 1933 quando as pessoas viram um primata gigante subir no Empire State pela primeira vez, tornando-se uma das cenas mais marcantes da história, e a partir daquele momento criando tendências e inspirando a mente de seus sucessores. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou na bipolaridade, na Guerra Fria, e com ela, veio o terror atômico, o medo iminente de que as grandes potências se atacariam com bombas e destruiriam o planeta. A mídia explorou esse terror em personagens de histórias em quadrinhos, e em figuras como Godzilla, representando o medo dos japoneses pouco tempo depois da Segunda Guerra. 

Anos se passaram e até hoje, os monstros gigantes continuam impregnados em nossa cultura, mesmo que de formas sutis e fora de seu gênero, e com uma fonte quase inesgotável. Essa lista foi feita para relembrarmos toda a trajetória dessas criaturas bizarras que mesmo com seus fins apocalípticos, gera amor e cria fãs.

Todos cresceram com monstros, tanto os que nos aterrorizam quanto os que nos fascinam. De filmes como Godzilla a séries como Ultraman, e até mesmo Power Rangers. E nos últimos anos, os monstros retornam as telas com maior frequência, em filmes como Círculo de Fogo, Godzilla e o mais recente lançado em março, Kong: A Ilha da Caveira. Que esse apocalipse nunca seja cancelado.

Son of Kong (1933)

A sequência direta do filme King Kong (1933), lançado no mesmo ano. Essa sequência traz Carl Denham (Robert Armstrong)indo novamente até a ilha da caveira em busca de um tesouro perdido, mas ao invés disso ele encontra o filho de King Kong, um gigantesco gorila albino. O filme não teve o mesmo sucesso e recepção que o primeiro teve e nem a mesma qualidade, chegando a ser totalmente inferior ao primeiro. A proposta do filme é boa, mas não é feita de maneira correta e acaba por render um filme complemente desnecessário.

King Kong vs Godzilla (1962)

O filme pode ser considerado como uma sequência de Godzilla Raids Again (1955), mas não dos filmes antigos do King Kong, até pelo fato do monstro estar vivo em sua ilha neste. Na trama, King Kong é capturado em sua ilha natal por uma equipe de farmacêuticos, para ser exposto no Japão para ajudar a melhorar as vendas, enquanto isso Godzilla sai de um iceberg onde estava preso e começa a espalhar um rastro de destruição, e no final do filme os dois monstros se encontram e começam a brigar um com o outro. Uma plot ridícula com certeza, principalmente na parte do King Kong, o filme tem mais baixos que altos, mas no final consegue divertir qualquer um que o veja, principalmente nas cenas de luta.

 

King Kong Escapes (1967)

O filme traz King Kong sendo capturado em sua ilha natal, para ajudar os cientistas loucos Madame X (Mie Hama) e Dr. Who (Eisei Amamoto) numa escavação no polo norte para achar uma fonte de energia conhecida como elemento X. Este é um tipo de filme que não se deve ser levado a sério, na verdade o próprio filme não se leva a sério. Com uma trama boba e com personagens totalmente cartunescos,o filme acaba por ser uma total vergonha, mas pelo menos ele consegue diverti em seus momentos de total galhofa.

 

King Kong Lives (1986)

Uma continuação que ninguém pediu e que ninguém esperasse que fosse acontecer. Continuando os eventos do filme King Kong (1976), o gigantesco gorila é submetido a várias cirurgias, incluindo uma troca de coração e uma transfusão de sangue com uma fêmea de sua espécie (que foi encontrada da maneira mais aleatória possível) para permanecer vivo. Além de tirar toda a emoção do dramático final do filme anterior, o longa ainda consegue ser pior que o anterior, com uma trama totalmente boba e pífia e com personagens totalmente descartáveis, o filme é uma vergonha do início ao fim. Uma obra que merece ser esquecida no tempo com certeza.

 The Mighty Kong (1998)

A versão animada da clássica história do King Kong, e contada em forma de musical. É basicamente a mesma história do filme de 1933, com Ann Darrow, uma aspirante a atriz sendo raptada por uma tribo indígena e levada a uma ilha para servir de oferenda ao gorila gigante que habita a ilha, King Kong. É uma boa animação, que consegue trazer bons momentos em suas muitas cenas musicais. Mas o que realmente incomoda nesta versão é o final totalmente deturpado, com Kong sobrevivendo ao ataque dos aviões e a queda do Empire State Building, tudo bem que é uma versão mais voltada para o público infantil, mas não custava nada manter o trágico final.

 

Godzilla (1954)

Após quase 63 anos de estreia, a obra de Ishirō Honda continua irretocável. O icônico e bem construído plot serve como modelo até os dias de hoje às futuras adaptações do Rei dos Monstros: Inteligente, utiliza o contexto histórico em que vive e a geografia de seu país de origem, provoca seu público, além de fazer um comentário muito pertinente. Os efeitos especiais pararam no tempo, tornando-se em uma experiência atemporal de valor cultural inalcançável.

 

Godzilla (1998)

Mais uma tentativa de trazer Godzilla de volta as telas, dessa vez com uma reinterpretação totalmente diferente da visão oriental da qual o personagem foi concebido. Dirigido por Roland Emerich, responsável por diversos “filmes catástrofes”, traz uma narrativa com personagens descartáveis e totalmente apáticos, e um Godzilla que não traz a presença e nem a grandiosidade que o monstro representa, com um visual totalmente destoante do original, parecendo algo que se perdeu de Jurassic Park.

Godzilla 2000 (1999)

Depois do fracasso que foi o Godzilla de 1998 de Roland Emmerich, a Toho decidiu voltar a fazer filmes do Godzilla, começando por este filme, Godzilla 2000. O filme traz o famoso rei do monstro do jeito que todos conhecem, desta vez lutando contra um alienígena chamado Orga. O filme tem seus altos e baixos, mas consegue tirar o gosto ruim que a versão americana deixou, e as cenas com o Godzilla são sensacionais, principalmente a cena inicial dele destruindo a cidade.

 

Godzilla: Final Wars (2004)

O filme que comemora os 50 anos do rei dos monstros, e que também prometia ser o último de sua franquia. O filme traz Godzilla lutando contra praticamente todos os monstros que ele lutou durante os seus 50 anos de filmes, as lutas contra os monstros são curtas, mas conseguem empolgar o espectador e são divertidas de se ver. Um bom filme que traz diversas homenagens ao monstro e que merece ser assistido por qualquer fã de filmes de Kaijus.

 

Godzilla (2014)

Em 2014 o diretor Gareth Edwards tenta resgatar as origens do Rei dos Monstros, trazendo um clima de urgência e com maior peso que seu antecessor, Círculo de Fogo. E por tratar Godzilla como uma força da natureza é onde a produção de Gareth Edwards consegue ser melhor sucedida. Em Godzilla, Edwards constrói um clima de desesperança, e foca em como os personagens lidam com os monstros, assim fugindo um pouco do clichê espetaculoso de muitos Blockbusters, que retrata cada um desses eventos como um 11 de setembro. Em Godzilla, mesmo que ele possua uma tentativa de escapismo dos filmes de monstros habituais e dando sua maior atenção ao núcleo humano, é o que acaba se tornando o maior problema do filme, mesmo tendo um bom elenco a seu favor, com Bryan Cranston recém-saído de Breaking Bad. Tendo seus problemas, Godzilla não é de todo ruim, e prepara um bom terreno para continuações e derivados. Possui um bom visual, principalmente o do próprio Godzilla, que é mais fiel ao original, mas ainda está longe de ser o filme que honra o Rei dos Monstros.

Círculo de Fogo (2013) 

Na trama de Círculo de Fogo, um portal surge entre uma falha tectônica, liberando monstros gigantes, os Kaiju, que iniciam uma destruição em massa no planeta. Para derrotar os monstros, os humanos criam seus próprios monstros e assim nasce o programa Jaeger (palavra do alemão que significa “caçador”), onde é necessário dos pilotos para controlar um robô através de uma conexão neural, o “drift”. Apesar da premissa prometer um confronto épico entre robôs e monstros (o que faz com excelência), Círculo de Fogo acima de tudo é um filme sobre relações humanas, e como muitas vezes para vencer o conflito precisamos trabalhar juntos em um “drift”. Diferente de franquias como Transformers, onde o núcleo humano é totalmente descartável, Del Toro entrega bons personagens, dos quais o expectador não se incomoda e se pega pensando “ parta logo para a porrada de monstros e robôs”. Círculo de Fogo é um filme que não tem vergonha de ser o que é. Não tem vergonha de ser clichê a abraçar o gênero Tokusatsu. É um filme que se diverte com ele mesmo, e que nos leva a atmosfera da televisão dos anos 80-90 com perfeição. Essa como muitas outras obras de Guillermo Del Toro, é um presente.

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