Stanley Kubrick é um desses mestres incontestáveis do cinema que, a exemplo de Sergio Leone, filmou pouco – ou proporcionalmente bem menos do que poderia. Célebre por uma elaborada preparação em todas as suas produções, preferia dar saltos certeiros, em vez de se arriscar a todo momento.

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O resultado disso é que praticamente só dirigiu filmes muito bons, entre os quais destacamos os melhores abaixo.

5. De Olhos Bem Fechados

O último filme de Kubrick é subestimado. Na verdade, este é um drama consistente, misterioso e de significado erradio, um olhar kubrickiano sobre as relações humanas e as pulsões naturais que desafiam sociedade e tempo. É interessante perceber aqui como o diretor desenvolve aquela que é, talvez, sua característica autoral mais típica: a capacidade de construir uma tensão com o espectador que é puramente cinematográfica, sem depender excessivamente de plots no enredo ou reviravoltas essencialmente dramatúrgicas.

4. O Grande Golpe

Boa parte do cinema contemporâneo – habituado à ruptura da linearidade – deve alguma coisa a este pequeno clássico em preto e branco, numa fase de Kubrick prévia aos delírios de cronograma e orçamento que o caracterizariam depois. Os adorados filmes de criminosos – de Tarantino a Michael Mann – possivelmente seriam bem diferentes caso este policial não tivesse sido filmado.

3. Barry Lyndon

Agressivamente experimental dentro da indústria, Kubrick ocupa um lugar único por jamais se dobrar às limitações impostas – pelo estúdio, pela tecnologia da época ou mesmo pelas intempéries. Aqui, ele vai ao limite das capacidades fotográficas, encenando um balé que envolve paisagem, clima, luz e gênero humano – assumindo o posto de humilde majestade, aguardando por horas que a natureza permitisse o quadro desejado. O filme é lento, contemplativo, propondo uma mise-en-scène até mesmo ofensiva para o olhar atual, acostumado a shaky cam e edição vertiginosa.

2. O Iluminado

Kubrick quis repetir com o gênero do horror o que fizera anos antes com o da Sci-Fi, em “2001”, aqui a partir da obra de Stephen King. O resultado é este filme longo, gélido, de exuberante simetria, um palco milimetricamente montado para a mais impressionante performance de um ator acostumado a impressionar (Jack Nicholson). Fonte inesgotável de referências para outros filmes e séries de TV, foi também o tema de especulações documentais bem curiosas, como em “O Labirinto de Kubrick”, de 2012.

1. 2001: Uma Odisseia no Espaço

A ficção científica “definitiva” pretendida por Kubrick em parceria com o escritor Arthur C. Clarke é, ainda hoje, um exemplo de cinema experimental e revolucionário na utilização do instrumental disponível à época. É fascinante perceber como, numa época quando o recurso do C.G.I. ainda era um sonho distante, o cineasta e sua equipe multidisciplinar conseguiram criar imagens que rivalizam com as mais elaboradas produções digitalizadas da atualidade. E até hoje o cinema não conseguiu superar os homens-macacos apresentados na introdução do filme.

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