Seja com criaturas clássicas ou com materializações provindas de um psicológico instável, a literatura mundial sempre teve um apreço pelo sobrenatural e pelo inexplicável. Através da criação de elementos do horror e da justaposição da realidade e do impossível, diversos monstros foram eternizados nas páginas de autores seculares e contemporâneos, trabalhando em comunhão para fornecer uma perspectiva nova a cada releitura.

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E aproveitando o hype de A Múmia e as readaptações cinematográficas do Universo Monstro, separamos algumas obras essenciais para compreender este microcosmos assustador, envolvente – e muitas vezes inacreditável.

DRÁCULA, de Bram Stoker (1897)

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Não podíamos deixar de fora a obra que se tornou atemporal desde a época de sua publicação. Contando a história do vampiro mais famoso de todos os tempos – e que empresta seu nome para o título do romance – Drácula é essencialmente baseado na escola literária Romântica para analisar as diversas facetas do ser humano encarnadas por uma criatura sedenta por sangue, ou seja, pela própria vida. Sua ingenuidade e sua presença vilanesca é dúbia, permitindo ao leitor que se conecte em extensões diferenciadas com suas ações, além de ser conduzido através da presença de outros personagens por uma jornada épica no longínquo território da Transilvânia.

A ILHA DO DR. MOREAU, de H.G. Wells (1896)

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A Ilha do Dr. Moreau é um romance espetacular e ao mesmo tempo complicado de ser analisado. Seu tema principal é o terror, mas de forma brilhantemente sutil, espalha suas vertentes para análises antropológicas e sociológicas sobre livre-arbítrio e a desumanização de experimentos científicos. A história é narrada em primeira pessoa por Prendick, o único sobrevivente de um naufrágio que o leva para a ilha do Dr. Moreau e seu assistente, Montgomery, únicos habitantes humanos em meio a uma raça denominada como Povo Animal, criaturas bestiais metade feras, metade homens. A escolha de uma perspectiva intimista segue o mesmo padrão de obras do gênero e funciona perfeitamente, transparecendo toda a tensão que gira em torno do protagonista e aproximando o público deste universo macabro e mortal.

O MÉDICO E O MONSTRO, de Robert Louis Stevenson (1886)

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O Médico e o Monstro transcende os parâmetros do gênero de terror e de suspense, alcançando níveis de estudos antropológicos inimagináveis. A própria premissa do romance nos leva a divagar sobre conceitos como bipolaridade e dupla personalidade, precedendo as experiências empíricas que surgiriam com a psicanálise apenas no século seguinte. Dr. Jekyll é o protagonista da narrativa, um homem que tenta lidar com a morbidade de seu lado mais compulsório e violento e acaba criando uma poção que o transforma periodicamente num ser sem escrúpulos – chamado Mr. Hyde. O embate entre liberdade moral e valores pessoais é o principal tema-base que dá sustância aos acontecimentos, mostrando como o ser humano está fadado à aceitação de suas duas facetas principais.

FRANKENSTEIN, de Mary Shelley (1818)

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Uma das obras mais imortais de todos os tempos é uma análise profunda sobre autoaceitação e convivência em sociedade. Não por acaso tendo como subtítulo O Prometeu ModernoFrankenstein narra a história de dois personagens icônicos e cujas diferenças ideológicas transformaram a comunidade londrina em uma constante luta pela paz e pela identidade humana. Primeiro, o título da obra já se mostra ambíguo: não sabemos exatamente se estamos lidando com o monstro em si ou com seu criador, Victor Frankenstein. A narrativa epistolar nos aproxima de ambos os personagens, dando-lhes a complexidade necessária para a criação de uma atmosfera tensa e inefavelmente envolvente, mergulhando em subtramas como a dualidade entre fé e ciência, progresso e ética, fogo e água – representados pelo desejo de Victor em ultrapassar as barreira da vida e da morte e por sua criação, a qual não consegue encontrar seu pertencimento dentro do mundo em que acorda.

IT – A COISA, de Stephen King (1986)

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Dando um grande salto no tempo, a menção a uma das obras mais amedrontadoras dos últimos tempos fez-se necessária: It – A Coisa provém do mestre do terror contemporâneo, Stephen King, e tem sua narrativa principal dividida em duas partes. A trama gira em torno de um grupo de crianças que enfrenta uma força demoníaca materializada na forma de um palhaço. Primeiramente, devemos levar em consideração de que a figura do palhaço sempre esteve atrelada a uma ambiguidade energética, trazendo alegria e medo para uma mesma ambiência – e foi justamente esse jogo simbólico e semiótico que o autor trouxe para as páginas de seu romance. O que esperar de algo aparentemente inofensivo cuja força  sobre-humana traz apenas caos e medo para aqueles que o veem?

GRANDES CONTOS, de H.P. Lovecraft (1917-1935)

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Lovecraft é um dos poucos autores cuja obra literária não tem meio-termo: volta-se única e exclusivamente para o horror, tendo como finalidade perturbar o leitor, depois de atraí-lo para a atmosfera, o ambiente, o clima daquilo que lê. Muitas vezes, ele parte de uma situação, à primeira vista, banal para, paulatinamente, revelar o horror por trás dela. Através de seus relativos poucos anos produzindo, o autor criou uma mitologia própria para seus contos, valendo-se da primeira pessoa para trazer a uma tangível realidade – beirando a palpabilidade – as famosas criaturas de Cthulhu, seres sobrenaturais habitantes das profundezas da terra que assombram marinheiros desavisados e homens completamente perdidos dentro de um turbilhão de crises existenciais.

O MONSTROLOGISTA, de Rick Yancey (2011)

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O Monstrologista foi uma das grandes surpresas da literatura infanto-juvenil de 2011. Criando uma atmosfera completamente diferente das já vistas em obras semelhantes, a história gira em torno de Will Henry, um assistente de médico com uma especialidade incomum: a monstrologia, isto é, o estudo dos monstros. Ao receber em casa o cadáver de uma menina atrelado a um desses seres cuja espécia fora considerada extinta, ele e seu mentor devem sair à caça de outros antropófagos antes que seja tarde demais. O sucesso do livro trouxe mais três continuações não tão envolventes quanto o romance original: perscrutado por uma linguagem mais densa que resgata o misticismo da época em que a narrativa é ambientada, a visceralidade e a crueza com a qual os eventos são tratados definitivamente nos dão uma nova perspectiva sobre criaturas consideradas supervalorizadas: os mortos-vivos.

O VILAREJO, de Raphael Montes (2015)

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Raphael Montes é, sem sombra de dúvida, um dos escritores mais promissores da contemporaneidade. Sua habilidade para convergir universos distintos em um simples cenário povoado pelas criaturas mais bizarras já conhecidas é invejável – e definitivamente traz prestígio para a literatura brasileira moderna. Em O Vilarejo, o autor resgata a religiosidade que rodeia os sete pecados capitais, deixando de forma bem clara que aquilo que assombra as pessoas são elas mesmas e sua inclinação para a falha e para o medo. Diferentemente de outras obras antológicas, a compilação de contos traz os mesmos personagens e é composta por vários cliffhangers que os unem em tramas macabras e surpreendentes – permeadas por temas como canibalismo, vingança, depressão, ódio e cegueira social.

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