Apesar de atualmente as refilmagens estarem na moda, desde muito tempo elas fazem parte do mundo hollywoodiano. Um gênero que muito convive com isso é o de terror. Quando um cineasta, ou produtor, decide fazer um remake de uma obra clássica desse estilo, acaba entrando em uma situação complicada, porque longas de terror costumam ter uma grande legião de adoradores, no qual muitos consideram esses intocáveis, por medo de que uma revitalização tire todo o charme do filme que cultua. Porém, muitas vezes, a produção acaba por ” queimar línguas”, e sendo tão boa quanto a original, ou até melhor em alguns casos. Vamos a alguns exemplos do que estou falando.

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INVASORES DE CORPOS

Apesar de ser reconhecido pelos filmes de ação que dirigiu, Don Siegel acabou alcançando fama no mercado cinematográfico com a obra Vampiros das Almas. Com uma direção extremamente bem conduzida, sabendo construir o suspense até chegar ao clímax, e fazendo críticas a Guerra Fria, o longa de Siegel virou um clássico cinquentista dos filmes de ficção.

É preciso muita coragem para fazer o remake de uma obra tão clássica, pois qualquer passo em falso, pode desagradar aos fãs que ela conquistou. Porém, o diretor Philip Kaufman acabou com toda a desconfiança, e seu filme, Invasores de Corpos, foi extremamente elogiado quando lançado em 1978. A crítica social acabou sendo deixada de lado, mas a atmosfera de suspense e de paranóia foi mantida e também muito bem construída, e os efeitos especiais usados são muito bem trabalhados.

ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982)

O grande diretor Howard Haws também lançaria um dos filmes que se tornaria um dos muitos clássicos da ficção científica dos anos 50, O Monstro Do Ártico, adaptação da história ” Who´s Goes There?” do escritor John Wood Campbell Jr. O filme se tornou notório pelas suas temáticas sociais (iguais aos outros filmes do gênero da época) ao representar o medo da sociedade americana de uma invasão comunista, e por representar cientistas como pessoas unicamente preocupadas em buscar conhecimento, não importa os meios.

Em 1982, John Carpenter decidiu fazer um remake da trama, nomeado como ” O Enigma De Outro Mundo’‘, e que para muitos conseguiu ser superior ao original. Carpenter conseguiu juntar ficção científica e horror de uma maneira esplêndida, conseguindo criar uma atmosfera de muita tensão. Aplausos também para ao trabalho de maquiagem, que está um toque de grotesco ao filme, e que é um elemento importante na construção do terror.

A MOSCA

Kurt Neumann ficou extremamente famoso pelos vários Filmes B que dirigiu, principalmente do gênero ficção científica. Seu filme mais famoso foi lançado em 1958, A Mosca Da Cabeça Branca, se tornou um grande clássico, lembrado pela boa direção, sabendo fazer uma junção de drama e suspense. Sem contar a participação de Vincent Price no elenco, que sempre é algo positivo.

Em 1986, David Cronenberg, que estava em alta na época por causa de seus filmes de terror e ficção, e que tinham um aspecto bem Gore, decidiu fazer um remake da obra de Neumann. E o resultado foi uma película bastante superior ao original, e facilmente um dos melhores trabalhos da bela carreira de Cronenberg. Apoiado por um bom roteiro – que tinha como referência a obra Metamorfose de Franz Kafka – o cineasta consegue realizar uma bela construção da sua trama, com uma intensidade psicológica e emocional muito mais forte que no filme de 1958. E não precisa nem citar que aqui também temos o uso gore, que é a transformação de protagonista (Jeff Goldblum) na criatura metade homem metade mosca, algo muito bem realizado pela equipe de efeitos especiais e maquiagem.

A BOLHA ASSASSINA

Foi a pouco tempo que tive conhecimento da existência do filme A Bolha Assassina de 1958,dos diretores Irvin S. Yeaworth Jr e Russell S. Doughten.Apesar dos filmes ter suas qualidades, como por exemplo na construção do suspense e pelo belo retrato da juventude americana dos anos 50, acabou se tornando mais lembrado por ser a estreia de Steve Mcqueen no cinema.

O remake, de mesmo nome e feito em 1988 pelo diretor Chuck Russell, acabou se tornando muito mais conhecido. Não apenas por ser mais atual, mas pela qualidade da obra, que se mostra muito superior ao original na construção da tensão e do terror, isso sem falar das várias cenas fortes na trama, algumas envolvendo crianças (decisão corajosa da produção). A obra de Russell acabou por se tornar um clássico do cinema thrash, e é cultuado até hoje por muitos cinéfilos

A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1990)

Polêmico e inovador, esses são os dois adjetivos que foram mais usados para definir o primeiro longa de temática apocalíptica de George Romero. Foi polêmico por causa de suas críticas a sociedade americana e por suas cenas de violência. Foi uma inovação pois foi o progenitor dos filmes com temática zumbi. Acabou indo parar em domínio público por causa das disputas por direitos autorais

Em 1990, Romero participaria da produção do remake de sua obra, como roteirista, e que seria dirigida por Tom Savini, maquiador dos filmes Sexta Feira 13. É injusto fazer comparações entre as duas obras, visto a importância que o longa original tem, mas é justo dizer que A Noite Dos Mortos Vivos do diretor Savini é uma bela homenagem, e com boas atualizações.

O CHAMADO

No final dos anos 90, o cinema ocidental começou a ser inundado por obras de terror vindas do Japão, que diferente dos filmes slasher que dominavam o cinema, se propunham a fazer terror mexendo com a cabeça do telespectador. O filme responsável por iniciar o movimento foi Ringu, do diretor Hideo Nakata, lançado em 1998 e que fora um estrondoso sucesso no Japão.

Vendo o sucesso da obra, o ocidente decidiu fazer a difícil missão de ‘’ americanizar’’ o filme de Nakata, e o contratado para o trabalho foi o diretor Gore Verbinski. O resultado foi um tal de O Chamado, um longa com cenas bastante perturbadores e uma grande dose de suspense. Aclamado por crítica e público, se tornou um divisor de água dentro do cinema americano, que na época enfrentava um grande período de vacas magras no gênero terror.

MADRUGADA DOS MORTOS

Lançado em 1978, O Despertar dos Mortos, do diretor George Romero se tornaria para muitos o filme definitivo sobre zumbis, sendo até hoje uma referência para várias outras obras do gênero. O filme também ficaria marcado pelas críticas feitas a sociedade americana e seu exagerado consumismo.

Em 2004, o então estreante no cinema, Zack Snyder, decidiu fazer uma refilmagem do clássico do diretor Romero, e conseguiu fazer um trabalho à altura. A obra de Snyder não é tão crítica ao modo de vida americano quanto ao original, mas em compensação, as cenas de ação são extremamente bem filmadas e de tirar o fôlego. Muitos reclamaram do fato dos zumbis serem mais ágeis e mais rápidos desse filme, mas ao meu ver foi uma excelente atualização das criaturas

Oxalá o diretor tivesse mantido o mesmo nível nesse filme nos outros trabalhos da sua carreira.

A VIAGEM MALDITA

Apesar de ter ficado conhecido devido a franquia Hora do Pesadelo, e pela quadrilogia Pânico, o mestre Wes Craven possui outros bons filmes em seu currículo. Um que se pode destacar é a obra Quadrilha de Sádicos, lançada em 1977. Um clássico thrash, é marcado pela sua boa construção na temática, passando de suspense para brutalidade. Igualmente aos filmes de Romero, tem uma forte crítica a sociedade americana.

Em 2006 é lançado um remake da obra de Craven, denominado Viagem Maldita e dirigido pelo diretor Alejandre Aja. O diretor Aja infelizmente não conseguiu fazer um trabalho superior ao original, mas isso não é um demérito, porque conseguiu fazer uma obra que respeitou a essência do primeiro longa, ou seja, com boas cenas de violência e de tensão.

EPIDEMIA

E mais uma vez temos um filme de George Romero na lista. Mas esse caso é diferente dos outros dois citados, pois Exército do Extermínio, lançado em 1973 ( 5 anos após Noite Dos Mortos Vivos) acabou se tornando um fracasso de público, e recebendo críticas mais dividas

Em 2010, por algum motivo que não dá pra explicar, Romero decidiu produzir um remake daquele que foi um dos trabalhos mais decepcionantes. Muitos ficaram com um pé atrás, pois se o original era decepcionante, o que poderia ser da refilmagem? Porém, várias línguas acabaram queimadas, pois o diretor Breck Eisner conseguiu fazer um trabalho muito eficiente na direção do longa Epidemia, sabendo construir a tensão e criar uma atmosfera claustrofóbica.

DEIXE-ME ENTRAR

Em 2008, foi lançado o filme que foi definido pelo famoso critico Roger Ebert como o ‘’ melhor filme moderno sobre vampiros’’. Dirigido pelo diretor Tomas Alfredson, e baseado em um conto do escritor John Ajvide Lindqvist – que inclusive foi o responsável pelo roteiro da obra – Deixe Ela Entrar chamou devido à complexidade da sua trama, bem diferente dos filmes de vampiros da atualidade, e também pelo seu visual inovador. Recebeu mais 40 prêmios internacionalmente

Igualmente aconteceu com Ringu, Hollywood decidiu produzir uma versão americana do conto, que ficaria a cargo do diretor Matt Reeves, responsável pelo elogiado Cloverfield-O Monstro. Reeves foi muito respeitoso com a obra original, mantendo a sua essência, fazendo poucas e boas mudanças, para que o filme pudesse ser vendido no mercado americano.

A MORTE DO DEMÔNIO

Em 1981, um estreante Sam Raimi, com apenas 300 mil de orçamento, produziu um dos filmes de terror mais adorados dos anos 80, Uma Noite Alucinante. O filme acabou se tornando uma das obras mais cultuadas do gênero, gerou uma franquia que contou duas sequências, quadrinhos e uma série, e lançou Raimi e o ator Bruce Campbell ao estrelato.

Em 2013, a dupla Campbell e Raimi decidiu produzir um remake da obra que lhes deu fama. e chamara o diretor Fede Alvarez para a direção. Alvarez faz um filme que respeita o original, mas que tem o seu percentual de originalidade. O ritmo hora nenhuma se perde, a maquiagem e os efeitos são extremamente bem efeitos, e contribuem muito para as cenas de horror. E é claro, como não podia faltar, existem cenas de humor negro para divertir o público.

SOMOS O QUE SOMOS

Lançado em 2010, o filme mexicano Somos Lo Que Hay possuía uma premissa bastante interessante, abordando o quanto uma pessoa pode se tornar ruim devido a uma crença que acredita ser certa. Porém, devido a um roteiro mal elaborado, que acabou deixando alguns buracos, e uma direção sem criatividade, acabou se tornando uma decepção.

Em 2012, o diretor Jim Mickle decidiu fazer um remake da obra mexicana, e fez um trabalho que facilmente superou o filme original. Com efeitos técnicos de encher os olhos, com uma boa direção de Mickle, eficiente na construção da trama e dos personagens, e ainda com uma crítica forte ao fanatismo religioso (algo que não estava no longa de 2010) Somos O Que Somos mereceu todas as críticas elogiosas que recebeu em Sundance e Cannes, se mostrando um ótimo suspense.

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