Há alguns meses, Ryan Murphy confirmou uma teoria que muitos fãs alimentavam desde que American Horror Story começou a ganhar visibilidade no cenário televisivo: a de que cada uma das temporadas conversa com um dos nove círculos de A Divina Comédia – Inferno, parte da trilogia épica assinada por Dante Alighieri no século XV. Partindo dessa premissa e levando em consideração que temos apenas mais dois anos para que o ciclo do terror se complete, separamos algumas possibilidades prováveis de serem abraçadas pelo criador da antologia, além de colocarmos um pequeno bônus.

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Confira nossa escolhas abaixo:

ANN COULTER

É bem provável que a oitava e a nona temporadas de American Horror Story não retornem exatamente para um lado mórbido da política, mas não podemos deixar esse tema passar batido. Afinal, conhecendo a mente deturpada de Murphy, qualquer coisa que chame mais a atenção pode ser transformada em um tema de suspense e terror – e Ann Coulter, uma polêmica jornalista conservadora e republicana, seria um ótimo ícone, senão o tema principal, de uma temporada que se inclinasse para o tema da violência. Afinal, em vários de seus livros e suas palestras, Coulter já se mostrou a favor da guerra para combater o terrorismo, inclusive fazendo alusões a um novo período das Cruzadas para varrer o mundo de uma crescente escória.

CRUISE

Navios são ótimos cenários para produções do gênero de terror e de drama. Imagine agora um híbrido um pouco mais lapidado entre TitanicNavio Fantasma emergindo como tema a ser explorado pela antologia? Parece um casamento interessante e que pode dar o que falar, principalmente se levarmos em conta o sentimento de solidão que se apossa dos tripulantes e dos passageiros. Pode-se até pensar em uma inclinação narrativa para O Hospedeiro, um dos longas mais famosos de Joon-Ho Bong, ou, de modo mais óbvio, uma passagem pelo Triângulo das Bermudas. As infinitas possibilidades podem até sugerir um encontro entre passado e presente, como já visto em Hotel

CROWLEY

Apesar do convencionalismo de suas temporadas, Murphy está longe de ser considerado clichê. Logo, seria muito interessante ver de que forma o criador de AHS iria se afastar ou distorcer as perspectivas unilaterais que temos sobre Aleister Crowley, pai da seita conhecida como satanismo. Além de sua influência ocultista e de seus estudo acerca do sobrenatural, muitos estigmas ainda são carregados por essa figura – e levando em conta que um crossover entre CovenMurder House poderia estar prestes a chegar às telinhas, utilizar esse tema como base para os episódios seria bem interessante. Entretanto, é possível também descartá-lo considerando que Cult já se estabelece fincada na exploração dos cultos e grupos ideológicos.

HOLLYWOOD

Não há lugar mais místico que Hollywood. E considerando que a indústria cinematográfica mais endossada da história carrega histórias interessantes e macabras, este seria um tema perfeito para uma conclusão da antologia. Hollywood poderia seguir os passos de Roanoke e desmistificar ou alimentar tabus e lendas urbanas dos bastidores artísticos, além de ter um número atraente de narrativas trágicas para explorar tanto os temas de violência quanto de luxúria. Uma femme fatale assassina, uma produtora que encontra ascensão após um pacto demoníaco, uma jornada pela fama e pela ambição pautada em sexo e em mentiras… São muitas tramas a serem pensadas – e cada uma é mais envolvente que a outra.

SANCTUARY

Se Roanoke nos apresentou a uma parcela da mitologia anglo-saxônica e europeia dos Estados Unidos, Sanctuary seria uma boa escolha para a série explorar um pouco mais as origens sobrenaturais que tanto permeiam e assombram o imaginário popular. Em uma investida no melhor estilo A Bruxa de Blair ou Abismo do Medo, mas não necessariamente reproduzindo mais uma vez o subgênero do found footage, o mergulho de personagens em um santuário macabro e céltico poderia inclusive expandir a “história de horror americana” para outros continentes e traçar paralelos entre as inúmeras mitologias que contribuíram para a criação desse panteão do horror – sem falar que o tema da violência poderia estar muito bem explícito aqui com talvez o canibalismo.

LOST ISLAND

Júlio Verne, em A Ilha Misteriosa, nos apresentou uma jornada épica em busca de uma pequena porção de terra perdida dos olhos humanos e que se localizava em algum lugar indecifrável do imenso oceano. Sua obra já foi relida algumas vezes para os cinemas e a televisão, mas nunca com o teor sobrenatural que realmente poderia ter. Levando isso em conta, Murphy poderia muito bem utilizar seus dons narrativos e sua paixão pelo sanguinolento e pelo macabro para fornecer uma perspectiva aterrorizante desse romance – e até mesmo realizar um compilado de mitos marinhos que desde sempre aumentaram a inexplicabilidade e a imensidão avassaladora dos oceanos.

MAISON

Moda. Estilo. Mentiras. A indústria fashion sempre foi uma das mais ovacionadas e controversas da história do homem. Os inúmeros nomes e casas que insurgiram para trazer uma nova perspectiva e um novo estilo de vida para pessoas acostumadas com uma zona de conforto endossada pelos costumes da época serão lembrados por muito tempo e estarão presentes nas mais diversas criações audiovisuais da contemporaneidade – não é à toa que Dior, Versace, Chanel, Dolce & Gabbana e outras casas da moda estejam em pauta desde seu surgimento. Esse paradoxo entre brilho e decadência dá margem para uma investida mística, discorrendo acerca dos segredos que perscrutam a agitada vida de famosos estilistas. Murphy já até tem em mãos a história de Gianni Versace, então por que não aproveitar para enlouquecer as coisas um pouco mais?

AMITYVILLE

A grande chance pode finalmente estar aqui! Desde que caiu no popular, a lenda acerca de Amityville foi adaptada de inúmeras maneiras, incluindo na literatura e no cinema. Entretanto, em termos audiovisuais, uma das histórias mais famosas da cultura norte-americana nunca ganhou uma investida satisfatória o suficiente e que fizesse jus ao material original e às especulações fantasmagóricas que culminaram em massacres sanguinários e inesquecíveis. É claro que o longa de 1979 tornou-se um cult clássico, mas será que Murphy não poderia aproveitar sua experiência com lugares assombrados para dar uma nova roupagem à história?

SCATHACH

Uma sequel spin-off sempre esteve nos planos de American Horror Story. Então por que não unir o útil ao agradável e pegar uma das personagens mitológicas mais amedrontadoras da cultura estadunidense e explorar sua origem, seus desejos e até mesmo suas vinganças pessoais de forma completa? É claro, a bruxa Scathach, apresentada na sexta temporada da antologia e que mantém conexões com o clã de feiticeiras de Coven e provavelmente com a personagem de Sarah Paulson em Cult, teve sua história bastante simplificada para compor os horrores enfrentados pelo casal Matt e Shelby. Entretanto, seu potencial não pode ser negado e sua persona poderia estar ligada tanto ao círculo da violência quanto ao da luxúria – sem falar que o retorno de Lady Gaga para as telinhas seria absolutamente sensacional.

BÔNUS: APOCALYPSE

Ryan Murphy já declarou que American Horror Story irá provavelmente acabar após nove temporadas – ou seja, após todos os círculos do Inferno tiverem sido completados. E após os dois próximos anos, com um deles provavelmente realizando um cross-over entre Coven Murder House, seria muito interessante que o showrunner idealizasse um desfecho digno com todos os selos já quebrados. Em outras palavras, ver o mundo devastado, figurativa ou literalmente, por criaturas demoníacas, seres vingativos e até mesmo pessoas movidas pelo caos e pela desordem é um conceito a ser levado em conta. E que melhor subtítulo para uma nada convencional décima temporada que Apocalypse? Apesar do nome batido e já utilizado em inúmeras franquias de terror, associá-lo a esta antologia pode ser uma sacada inteligente e com inegável potencial.

O que achou de nossas escolhas? Quais outras ideias você tem sobre o futuro de AHS? Deixe seu comentário abaixo!

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