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Conexões Humanas

O tema principal da série são as conexões humanas que temos por algum motivo. Logo nos primeiros episódios já nos mostra que esse é o caminho que a série irá tomar ao mostrar o contrário, a falta de conexão. O personagem de Jonah Hill aparece sozinho, sem amigos e com dramas familiares, enquanto a personagem de Emma Stone aparece como uma mulher que conversa com uma máquina que responde em nome de seu pai. Até aí o diretor Cary Fukunaga nos deixa claro que a falta de conexão no mundo atual é algo bastante frequente e que as pessoas perderam esse tipo de elo, seja essa conexão amorosa, de amizade ou familiar. Em todos os episódios Cary vai desenvolvendo cada vez mais esse assunto. Os sonhos em que os protagonistas são inseridos pelo experimento são justamente isso: a conexão que os dois tem mesmo sem nunca terem se visto. 

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Destino

Essa conexão seria relacionado ao destino. Nasceram pré-dispostos não a estarem juntos, mas a serem amigos ou a ter qualquer outra relação. Nos sonhos que tiveram nos experimentos são mostradas várias vidas diferentes. Uma delas Annie é uma elfa e perto desse episódio aparece Owen como voando no corpo de uma águia, ou seja, estão tão conectados que não importa se a realidade existe ou não, eles sempre vão acabar por se encontrar ou se esbarrar. É por isso que no primeiro episódio o personagem de Jonah Hill enxerga Annie em vários lugares e quando tromba com ela tem certeza de já a ter visto em algum lugar, seria não apenas o destino fazendo eles terem se encontrado, já que seria algo pré-disposto a acontecer, mas também porque ambos tem uma conexão que vai além do tempo e da realidade. Algo que também a série fala em alguns momentos é em um certo padrão, que seria algo recorrente, algo que acontece sempre. Portanto, esse encontro dos dois é algo bastante frequente e que transcenderia essa vida e o experimento seria apenas um gatilho para nos apresentar isso. 

O Experimento

Annie e Owen entram para o experimento por dois motivos. Annie por ser viciada em um remédio controlado que só é dado para quem participa desse teste, ela consegue eles ilegalmente com um traficante, mas a partir do momento que a fonte seca precisa achar um outro jeito de se manter dopada. Já Owen vive tendo vislumbres, tem um amigo imaginário e entra no experimento pensando em tentar descobrir quais problemas têm. O teste consiste em três fases com a necessidade de tomarem pílulas para entrar em algum tipo de transe, enquanto estão medicados algo acontece em suas mentes. Um diagnóstico é feito pelo computador e os leva para outros mundos. O problema é que Annie não deveria estar no teste, já que foi reprovada, portanto está lá pegando a vaga de alguém, além de não ser apta para o sistema, já Owen não toma a pílula de início. É uma experiência que já nasce furada e que com certeza terá dados errados com uma paciente que não era para estar lá e Owen não tomando o remédio. A primeira pílula nos mostra os traumas passados de Emma Stone e Jonah Hill, a pílula b faz com que tanto Annie e Owen tenham sonhos uns com o outro, o que nos faz entender a tal conexão citada antes, enquanto a pílula c faz com que os protagonistas superem os traumas passados. Há um momento em que é mostrado o cruzamento da mente dos dois e a doutora responsável acredita que aquilo seja uma falha do computador. 

Computador

Há muito sobre a tecnologia em Maniac, desde a máquina de sexo usada pelo doutor a um equipamento com que conversam e que seria o chefe do laboratório. Há também nessa história um super computador com a capacidade de pensar e fazer inúmeros experimentos. O cientista criador dessa máquina Dr. James (Justin Theroux) colocou a consciência de sua mãe no computador e a máquina começa a pensar por si só e até mesmo a se relacionar com outro dos cientistas da equipe, que morre e a abandona. A cena em que sai o líquido dela é um choro, mostrando que até a máquina sofre com as emoções. O computador cria todo um mecanismo central ligado ao experimento e que foi o causador de diversas mortes de outros pacientes que já haviam anteriormente participado do teste. Ao entrarem em transe as pessoas que passam pelo teste são levadas para lugares diversos, mas que sempre tem ligação com suas emoções e traumas e a máquina aparece sempre para pegar as almas que ela ache mais interessante para prender em um local dentro da memória do computador chamado de McMurphy, este é um local obscuro do equipamento e ali há outras almas de pessoas que tiveram morte cerebral. A pessoa precisa aceitar e fazer um acordo com a memória do computador (que aparece fisicamente nos vislumbres de quem está fazendo o teste) e então a máquina mata o corpo físico e prende a mente da pessoa ali para sempre. 

Os Traumas Pessoais

Todos os personagens que aparecem em algum momento tem algum tipo de trauma passado. Jonah e Annie são personagens depressivos, sozinhos, com problemas familiares e traumas enraizados em suas consciências. Annie acha que seu pai não liga para ela, enquanto ainda precisa conviver com o trauma da morte de sua irmã e de como foi egoísta com ela momentos antes do acidente fatal que iria ceifar a vida de sua irmã. Já Owen tem sérios problemas com sua família, o amigo imaginário seria uma espécie de fuga da realidade, um amigo que o compreende, o guia e o trata sem preconceito. Annie também usa os remédios como fuga da realidade o que mais uma vez mostra a conexão entre os dois personagens, ambos tem problemas parecidos e ambos estão sozinhos, ou se acham sozinhos. Esses traumas são frequentes na série, tanto que a pílula c serve para fazer com que os protagonistas consigam lidar com esses traumas de frente e assim possam seguir suas vidas normalmente. Annie ao sair do laboratório encontra o seu pai e tenta vencer outra parte de seu trauma pessoal, enquanto Owen precisa enfrentar seu irmão que está no meio de um processo de acusação de estupro em que ele é a principal testemunha para livrar o irmão. De última hora Owen decide não contar a mentira e livrar o irmão, conta a verdade e não se importa se ele será preso ou não. Consegue assim enfrentar não apenas o seu irmão maldoso, quanto sua família que queriam que ele fizesse o errado. 

O Final

Ao término do experimento e ao conseguir vencer a máquina ambos, tanto Annie quanto Owen são liberados pelo laboratório e assim viver suas vidas. Passado algum tempo Annie reencontra Owen em um hospício, no qual foi enviado por ter testemunhado contra seu irmão, a família o acha um lunático. O que se mostra nesse final é que os dois mantem um laço, mas não algo relacionado ao amor, mas sim amizade verdadeira, além do fato de Annie conseguir fazer algo que não conseguiu fazer no passado, que foi salvar sua irmã da morte. Ela ao salvar Owen é como se o estivesse salvado não apenas do abandono, mas do fim iminente que ele teria ao ficar ali trancado. Owen superou seu drama psicológico ao testemunhar contra o irmão. Assim Annie e Owen mantiveram uma conexão que tanto os unia nos sonhos e então poderão ter uma vida um pouco menos dolorosa, psicologicamente falando.