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Após dois episódios que se assemelham a andar em uma montanha russa, era esperado que o ritmo da temporada fosse desacelerar. Evidentemente, como tudo em Mr. Robot, tal desaceleração cumpre um propósito em momento estratégico: o de fazer sentir (pelos espectadores e também pelos próprios personagens) os efeitos do processo revolucionário que norteia essa temporada.

Apesar de se tratar de um episódio de respiro, muito acontece. Logo no seu inicio, vemos o retorno de dois personagens sumidos desde o Season Finale da temporada anterior: Trenton (Sunita Mani) e Mobley (Azhan Khan), dois membros da fsociety. Ambos estão sendo mantidos presos pelo ex-colega de prisão de cela Leon (Joey Bada$$), conhecido por trabalhar para o DarkArmy e por seus discursos elouquentes nos quais discorre sobre séries de televisão. Aqui, o produto em questão do solilóquio do personagem é a série oitentista Knight Rider, estrelada por David Hasselhoff, e que serve como inspiração para os créditos de abertura, além de fazer referência ao tema recorrente da interação humana com a tecnologia.

A situação de Elliot, tendo falhado em impedir que os dados da E-Corp fossem atacados, pode apresentar um ponto crucial numa reaproximação com Mr. Robot. É correto dizer que vemos pouco do protagonista nesse episódo, mas o mesmo não pode ser dito sobre sua outra metade. Apesar de ainda não conseguirem se comunicar diretamente, é evidente a facilidade de Mr. Robot (Christian Slater) em assumir o controle nos momentos em que seu outro está em situações vulneráveis ou perículosas. Nesse episódio, ele assume o controle no escritório da psicóloga Chrysta (Glória Reuben) e revela que eles são os reais arquitetos do atentado de 5/9 e que está irritado com os responsáveis por terem desvirtuado sua revolução. É interessante analisarmos à luz da psicologia, a dinâmica de Chrysta tanto com o ego, quanto com o alter-ego.

A forma como a série desenvolve as implicações da revolução sobre seus personagens é magistral. Todos são afetados de diferentes maneiras e graus. Ainda não vejamos muito dos efeitos sob Elliot, é sobre Angela (Portia Doubleday) que o peso aparenta recair de forma mais contundente. Por acreditar, na teoria, que inocentes não seriam mortos e ver uma realidade oposta, deixando-a à beira de um colapso.

Interessante também é a situação de Tyrell (Martin Wallström), preso no último episódio e que agora negocia a liberdade em troca de ajuda ao FBI, ameaçando a integridade do agente Santiago (Omar Metwally) por estar ligado ao DarkArmy. É nessa situação de balança de poder que Tyrell descobre que sua esposa foi assassinada pelo amante e que seu filho está em um orfanato, como uma forma de impedir Tyrell de revelar o segredo do agente federal.

Apesar de se tratar de um momento de respiro para a série, é possível dizer que um dos momentos mais tensos da temporada se encontra nesse episódio: o tão aguardado confronto entre Philip Price (Michael Cristofer) e Whiterose (BD Wong, primoroso). O local no qual ocorre a discursão, que anteriormente se assemelhava estar acima de todo o caos das ruas, parece estar apresentando rachaduras e se tornando menos rarefeito. Assustadora é a postura de Whiterose ao ser confrontado pelo executivo da E-Corp, tamanho o seu estoicismo, e a aparente infantilidade de suas motivações causam ainda maior espanto. É possivel vislumbrar em tal momento um paralelo com o embate de poder entre Ocidente e Oriente nas figuras em questão, sendo o primeiro mais errático e beligerante; e o outro mais disciplinado e comedido.

É inegável que essa terceira temporada recuperou o frescor do primeiro ano e superou em muito a passada. O terceiro ano, ao que tudo indica, vem construindo o que promete ser um final de termporada épico. Com o DarkArmy eliminando pontas soltas e brincando com o FBI, resta a Elliot e a aliados improváveis a tarefa de derrotar as forças de Whiterose. E é esse o indicativo que a série dá, ao término do episódio, quando vemos a Agente DiPierro (Grace Gummer) finalmente colocando o nome do lider dos responsáveis por tamanho caos em seu mapa de suspeitos.

Mr. Robot – 3ª Temporada, Episódio 7 (Mr. Robot: Season 3, Episode 7, Eua – 2017)

Showrunner: Sam Esmail
Principais diretores: Sam Esmail, Niels Arden Oplev, Jim McKay, Nisha Ganatra, Christoph Schrewe, Deborah Crow, Tricia Brock
Roteiro: Adam Penn
Elenco: Rami Malek, Christian Slater, Portia Doubleday, Carly Chaikin, Martin Wallström, Michael Cristofer, Grace Gummer, Ben Rappaport, BD Wong.
Duração: 49 min (cada episódio)

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