As últimas semanas foram extremamente corridas para Ridley Scott. Afinal, ele se reuniu recentemente com o time criativo de seu mais novo filme, Todo o Dinheiro do Mundo, para a realização de refilmagens de última hora sob a estreia iminente do longa no dia 22 de dezembro. É claro que, em um cenário ideal, essas ações não iriam acontecer, visto que estúdios e diretores evitam fazer esse tipo de coisa a todo custo; mas dado aos insurgentes eventos acerca de um dos membros do elenco, Scott não teve outra alternativa a não ser seguir em frente e utilizar dez milhões de dólares para as novas gravações – representando um quarto do orçamento original de 40 milhões.

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Mas vamos aos fatos: no dia 29 de outubro, o ator Anthony Rapp (Star Trek: Discovery) foi a público e falou sobre o comportamento predatório feito por Kevin Spacey na década de 1980, quando tinha apenas catorze anos de idade. Rapp se abriu sobre como Spacey estava bêbado e como ele permanecia fazendo comentários maliciosos e incisivos. Em resposta, o ator conhecido por interpretar Frank Underwood em House of Cards postou em sua conta no Twitter que estava profundamente arrependido, e “aproveitou” a plataforma para assumir sua homossexualidade.

Entretanto, as acusações não pararam por aí. Diversos relatos de membros da série original Netflix também compuseram uma gama de mais de cinquenta alegações de assédio sexual e comportamento inapropriado do ator, o qual já havia terminado suas gravações com J. Paul Getty no longa-metragem de Scott. O produtor e diretor, pois, fez uma decisão louvável em cortar Spacey de sua obra e substituí-lo por Christopher Plummer, e ainda sim conseguir entregá-la a tempo da data prevista.

Em entrevista ao site Entertainment Weekly, Scott falou sobre suas sensações e sobre os obstáculos que enfrentou após ter ciência dos acontecimentos. “Eu tinha terminado as gravações do filme estava em Abbey Road finalizando a trilha sonora”, ele declarou quando questionado sobre seu paradeiro à época das acusações. “Alguém chegou para mim e disse ‘adivinha só?’, e foi aí que tudo começou. Eu sentei e pensei, ‘não podemos’. Não se pode tolerar esse tipo de comportamento. E vai afetar o filme, claro”.

“Eu estava muito contente [com a atuação de Spacey]”, Scott continuou. “Ele é um homem muito talentoso. Não tinha ideia”. O diretor também disse que, quando fez a decisão, voou direto para Nova York e entrou em contato com Plummer para ver se ele poderia ser encaixado no projeto. “Ele disse sim. Então tivemos que descobrir se todos os outros estariam disponíveis para as refilmagens. Miraculosamente, eles estavam”.

Quando questionado sobre a ideia de adiar a estreia para 2018, Scott disse que não havia pensado nisso. “Eu sabia que conseguiria entregar”, ele acrescentou. “É bem simples: se você sabe o que está fazendo, não precisa de 19 takes. São só dois: um para o ator, o outro para mim. E depois de um tempo, você começa a confiar em si mesmo e a seguir sua intuição. Foi o que eu fiz”.

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