Spoilers

Lars Von Trier tem como foco central em sua cinematografia o toque de realidade com que trata certos temas e pelas altas doses de choque que insere usando as várias formas de violência, tanto física quanto psicológica. Não é de se estranhar que A Casa Que Jack Construiu tenha como fator principal justamente os  assassinatos bárbaros feitos por um serial killer. 

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Jack (Matt Dillon) aparentemente é um homem solitário e sério, mas logo descobrimos que ele é um assassino frio e sádico. Tortura psicologicamente suas vítimas antes de as matar, tem TOC que o faz sempre voltar para limpar alguma cena de crime. Um personagem que não cativa e nem impressiona, mas que constrói no imaginário de cada telespectador um homem essencialmente maldoso e sem remorso de seus atos.

A violência Para Chocar

Toda a violência em A Casa Que Jack Construiu aparentemente não tem sentido algum, é feita para chocar apenas por chocar, levando o protagonista a matar das formais mais banais existente. Lars Von Trier quer chocar ao telespectador com essas mortes cruéis, como as das crianças, transforma em entretenimento algo considerado banal pela sociedade, mas tudo isso faz algum sentido no final. O serial killer seria uma espécie de representação do mal na terra. Ele não é o diabo propriamente dito, apenas um homem que tem em sua natureza o mal e usa essa maldade para causar o terror contra as pessoas na Terra.

Corpos Usados Como Arte

Todas as pessoas que Jack mata ele leva para um frigorífico. Trabalha o aspecto dos cadáveres como se fosse uma obra de arte, o filho que é transformado em uma estátua bizarra, as fotos que tira das pessoas mortas, tudo isso se torna um ritual e é feito porque o assassino tem uma engenhosidade nas coisas que faz. Ele é uma espécie de intelectual que ama arte e arquitetura, constrói sua casa várias e várias vezes, mas sempre a põe abaixo por não achar que a casa não é a que ele quer construir, nada para Jack está perfeito. Perto do final ele constrói a casa ideal de seus sonhos, mas com os corpos de todas as vítimas criando uma obra de arte sombria e bizarra. A mensagem é a de que o mundo perfeito, como almejamos não existe, ele é mórbido e cruel, fora que o ato de criar um casa com corpos das pessoas mortas leva à conclusão que esse lugar (o frigorífico) cheio de mortos é o lugar que Jack se sente bem, uma casa no sentido literal.

O Inferno de Dante

Durante todo a história Jack tenta abrir uma porta que se encontra trancada dentro do frigorífico. Próximo ao final Jack consegue a abrir, pois precisava de mais distância para dar um tiro certeiro na cabeça de suas vítimas. Nessa porta secreta, que durante todo o longa ficou o mistério do que teria por trás dela se encontra Virgílio, que nada mais é que o poeta romano que guia Dante pelo inferno. Portanto, aquela porta ao ser aberta é uma representação de O Inferno de Dante e essa viagem às profundezas é feita pelos dois. Jack vai conhecendo o lugar que para ele seria uma casa, olhando para os lados com admiração. Ao subir pela parede do inferno, Jack acaba por cair em um buraco e ele parece cair na neve, mas aquilo não é neve e sim o negativo do inferno, como o próprio personagem diz durante o filme que preferia os negativos das fotos e assim o longa chega ao seu final.

Essa visão do inferno seria fruto da imaginação de Jack. Tudo que ocorreu a partir do momento que ele abre a porta misteriosa está em sua cabeça, inclusive a casa feita com corpos humanos e o buraco no chão. Não havia saída para Jack, mas ele criou esse último vislumbre em sua cabeça, uma viagem ao inferno para espiar seus pecados ou um retorno para casa, já que ele seria o mal. 

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