Alexandre Peralta pode não ser um nome muito conhecido, mas é possível que isso mude com o passar do tempo. Com um curta e um longa-metragem no currículo, o jovem diretor tem angariado prêmios em festivais de prestígio e recebido elogios da crítica especializada. Na semana de divulgação do documentário Olhando para as Estrelas, o site Bastidores pôde conversar com ele. O conteúdo da entrevista pode ser conferido no link abaixo:

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De que maneira nasceu a ideia do projeto?

Eu sou formado em Propaganda e Marketing, mas sempre quis fazer cinema. Era o último ano de faculdade quando uma amiga leu uma matéria sobre uma bailarina da Fernanda Bianchini – Cia Ballet de Cegos (AFB). O texto falava sobre o seu trajeto e dificuldades. Na época (2007), nós achamos a história interessante. No entanto, eu me formei e isso ficou para trás. Foi só quando eu estava fazendo mestrado em cinema na cidade de Los Angeles e passei a me interessar mais por documentários que a ideia ressurgiu. Posteriormente, eu fui na companhia, mas sem pretensão alguma. Desejava fazer uma pesquisa apenas. Fiquei lá por duas semanas, vendo e acompanhando, até o momento em que percebi que precisava fazer algo a respeito. Quando fui conversar sobre as gravações, me disseram que a Geyza era o centro das atenções. Inicialmente, eu não queria mostrar alguém com quem muitos já tinham falado. No entanto, quando a conheci, eu sabia que ela precisa participar da produção. Depois, conheci a Thalia e as coisas se desenrolaram.

Olhando para as Estrelas foi um curta-metragem de trinta minutos antes de se tornar um longa. Como foi essa transição?

No fim, o curta-metragem foi um trabalho de requerimento. Como eu estava fazendo a tese de mestrado, precisava realizá-lo. Basicamente, foi um exercício. Porém, quando eu e a equipe começamos a gravar, percebemos que trinta minutos não seriam suficientes. O curta é sobre a Geyza apenas. Mas, assim que conhecemos outras histórias, decidimos continuar gravando e fazer um longa. 

Como o projeto foi financiado?

O curta foi um típico projeto de amigos. Decidimos filmá-lo e o fizemos. Também realizamos uma campanha de crowdfunding na internet. Depois, o colocamos em alguns festivas e ele foi bem-sucedido em muitos deles. Ganhou, por exemplo, o Oscar Estudantil (um dos prêmios da Academia). Certas premiações foram em dinheiro, o qual nós investimos na produção do longa.

Como foram as filmagens?

A Geyza, principalmente, sempre esteve muito confortável. Conversei com muitas das bailarinas. Eu tentei não interferir no dia-a-dia delas. Certo dia, lembro que estávamos filmando na casa da Thalia e, quando ela chegou, a diretora de fotografia pediu para que entrasse de novo. No entanto, eu não consegui usar esse plano. Não fazia sentido que ela voltasse. Por isso, busquei participar muito pouco. A gente captava as imagens e as organizávamos na montagem. Claramente, a parte que nós gravamos na escola foi mais complicada. Os locais eram apertados. Continuamos não interferindo, mas até acharmos a maneira como iríamos dançar com elas, o desafio foi maior. Havia mais pessoas e algumas das bailarinas trombavam na câmera. Mas não houve grandes problemas.

Quais são os seus próximos projetos?

Desde pequeno, dizia que faria teatro. Eventualmente, descobri que isso não era pra mim. Já na época de entrar na faculdade, fiquei em dúvida se entraria ou não no curso de cinema. Acabei optando por outro caminho e acho que a possibilidade de passar por uma outra área foi muito importante. Agora, tenho  certeza de que continuarei trabalhando com cinema. Aliás, algumas coisas até estão sendo desenvolvidos. Posso também arriscar na ficção. Por que não? (risos). 

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