Sejam muito bem-vindos à primeira parte do especial gigante do Bastidores sobre o Oscar 2017! Inspirado pelo trabalho do nosso Lucas Nascimento em seu blog Lucas Filmes, trazemos aqui quatro posts que explorarão as principais categorias da 89ª cerimônia dos Academy Awards, desde as Atuações, passando pelas Categorias Técnicas e Sonoras, até culminarmos nas de Melhor Diretor, Roteiros e, finalmente, Filme.

» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter e fique por dentro de todas as notícias! «

Cada post traz uma análise sobre cada indicado, assim como os prêmios de sindicato e premiações prévias que nos ajudam a prever qual será o grande vencedor de cada bloco, além de todo o histórico de suas indicações prévias ao Oscar.

Como não poderia faltar, também damos nossas apostas e apontamos os pobres esnobados que acabaram de fora em suas respectivas categorias.

Para começar, trazemos aqui as análises de Lucas Nascimento e Thiago Nolla para as categorias de atuação:

Melhor Ator

Atuar é a expressão do impulso neurótico. É uma vida de mendigo. O principal benefício que atuação já me deu foi dinheiro para pagar minha psicoanálise – Marlon Brando

Casey Affleck

Lee Chandler em Manchester à Beira-Mar

Casey Affleck parece ter nascido para encarnar um personagem como Lee Chandler. No longa, dirigido por Kenneth Lonergan, o protagonista é um homem amargurado que se vê diante de um impasse para ficar ou não com a guarda do sobrinho após a morte do irmão mais velho. Affleck, com seu rosto franzino e sua voz sofredora, consegue delinear muito bem a amargura do personagem com sua angustiante inexpressividade em cenas caóticas, entrando em conflito quando seus ápices explosivos o levam a tomar atitudes inesperadas.

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Ator em Drama
  • BAFTA – Melhor Ator
  • Critics Choice Awards – Melhor Ator

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, em 2007

Andrew Garfield

Desmond Doss em Até o Último Homem 

Em Até o Último Homem, Andrew Garfield faz por merecer esta indicação aos Academy Awards. Sua atuação extremamente delineada e com nuances bem explicadas reflete a angústia de um homem com valores religiosos e morais que se vê num dilema entre carregar o estandarte nacionalista ou permanecer atado aos seus princípios e ajudar os que mais precisam de suas habilidades. Apesar de não tão verborrágico quanto os outros indicados, tudo o que precisamos saber se encontra no semblante de Garfield, seja num simples relance ou num olhar mais gélido. Pessoalmente, acredito que o ator estaria melhor representado por seu trabalho fenomenal em Silêncio, mas é bom ver o esforçado ator finalmente ter o reconhecimento da Academia.

Ryan Gosling

Sebastian Wilder em La La Land: Cantando Estações

O filme mais falado desta temporada de premiações não seria o que é sem seus protagonistas – e Sebastian Wilder talvez seja um dos personagens mais charmosos dos últimos tempos a chegarem às telonas. Ryan Gosling, num treinamento que envolveu desde os passos mais clássicos de jazz à aprendizagem de piano de cauda, consegue nos envolver de forma imediata com seu calmo tom de voz – que é sua assinatura durante as cenas de canto -, seu jeito de deslizar em cena e seus momentos de pura comicidade que extravasam o peso inebriante dos conflitos amorosos.

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Ator em Musical ou Comédia

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator por Half Nelson: Encurraldos, em 2006

Viggo Mortensen

Ben em Capitão Fantástico

Uma das apostas mais improváveis a faturar na seleção é Viggo Mortensen em Capitão Fantástico, que só foi lembrado pela Academia pela ótima performance de seu protagonista. Mortensen interpreta uma figura carismática e divertida no filme, na pele de um pai que leva suas crianças para a floresta e a cria sob um sistema de educação anticapitalista e inspirado nos escritos de Noah Chomsky. O grande atrativo da performance de Mortensen é como Ben é 100% honesto e claro com seus filhos, o que rende momentos embaraçosos, como aquele em que explica para sua filha mais nova sobre sexo ou sua postura completamente sem pudores durante um jantar em família. Mesmo com uma barba volumosa que oculta metade de seu rosto, Viggo Mortensen surge expressivo e memorável, e fico contente que a Academia tenha lembrado de seu nome.

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator por Senhores do Crime, em 2008

Denzel Washington

Troy Maxson em Um Limite Entre Nós

Não é de se esperar que Denzel Washington leve para casa o prêmio de Melhor Ator neste ano. Reprisando seu papel como um patriarca conservador cuja maior alegria é ter tudo sob controle, o qual lhe rendeu o Tony Award em 2010. Sua performance é inigualável, apesar de alguns vícios de linguagem que carrega durante os diálogos; todavia, é notável sua química com seus companheiros de cena e como cada simples movimento consegue envolver a audiência, sendo uma de suas performances mais carismáticas até hoje. E olha que estamos falando de um monstro sagrado como Washington…

Percurso na Temporada

  • SAG – Melhor Ator

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator por O Voo, em 2013
  • Venceu como Melhor Ator por Dia de Treinamento, em 2002
  • Indicado como Melhor Ator por Hurricane: O Furacão, em 2000
  • Indicado como Melhor Ator por Malcolm X, em 1993
  • Venceu como Melhor Ator Coadjuvante por Tempo de Glória, em 1989
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade, em 1988

Aposta: Denzel Affleck…. Casey Washington…. OK, Denzel Washington

Voto do Bastidores: Casey Affleck

Esnobado: Trevante Rhodes, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Atriz

Atuação é a profissão do perfeito idiota… Atuar é o menor dos dons e não é o jeito mais elegante de se sustentar. Afinal, Shirley Temple fazia isso aos 4 anos de idade – Katharine Hepburn

Isabelle Huppert

Michèle Leblanc em Elle

Elle é um filme contraditório. Sua personagem principal, Michèle, é uma CEO de uma empresa de jogos fria e calculista cujas nuances complexas e paradoxais a colocam em cheque com os próprios valores, manifestando uma presença enigmática e que o espectador é simplesmente incapaz de tirar os olhos. A interpretação contida de Huppert esconde um passado problemático da protagonista que a torna uma das mais dignas a ser indicada ao prêmio – e que não definitivamente não vai causar nenhuma surpresa se levar para casa.

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Atriz em Drama

Ruth Negga

Mildred Loving em Loving

O longa pode não ser lá aquelas coisas, e a indicação de Ruth Negga ao prêmio de Melhor Atriz veio acompanhada de incredulidade, mas a atriz é um dos poucos pontos excepcionais de uma obra tão reticente. Com um olhar admirável e quase hipnótico, a performance de Negga é uma construção inebriante e palpável de uma mulher negra que se vê dentro de um círculo racista ao se casar com um homem branco no final da década de 1950, lutando para sobreviver física e mentalmente aos ataques das outras pessoas.

Natalie Portman

Jacqueline Kennedy em Jackie

Desde sua incrível e premiada performance em Cisne Negro, esperávamos pacientemente qual seria o próximo projeto de Natalie Portman – e aqui está o resultado: em Jackie, dirigido por Pablo Larraín, a atriz consegue vestir todas as máscaras utilizadas por uma das primeiras-damas mais contraditórias dos Estados Unidos, sem saturar demais uma narrativa concisa e verdadeira (basta comparar sua atuação com alguns vídeos da Jackie Kennedy real) e perscrutando a trajetória pós-assassinato de JFK com um sotaque deliciosamente sulista.

Percurso na Temporada

  • Critics Choice Awards – Melhor Atriz

Histórico de Indicações

  • Venceu como Melhor Atriz por Cisne Negro, em 2011
  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Closer: Perto Demais, em 2005

Emma Stone

Mia Dolan em La La Land: Cantando Estações

Talvez não haja pessoa mais carismática que Emma Stone no cenário cinematográfico contemporâneo. Desde A Mentira, a atriz provou sua versatilidade e sua completa conexão com as personagens que interpreta. Em La La Land, isso não poderia ser diferente: dando vida a uma aspirante à atriz que trabalha num café em Hollywood, o charme e as modelagens faciais que a tornaram tão conhecidas casam com o tom do filme, parecendo se complementar de forma quase natural, seja em seu timing cômico, nas desafiadoras cenas em que é desarmada para cantar diante à câmera ou todas as inseguranças altamente perceptíveis que Mia revela ao longo da projeção. Não é à toa de que seu reconhecimento tenha finalmente submergido neste ano, tornando-a a escolha quase automática para levar para casa a estatueta de Melhor Atriz.

Percurso na Temporada

  • SAG – Melhor Atriz
  • BAFTA – Melhor Atriz
  • Globo de Ouro – Melhor Atriz em Musical ou Comédia

Histórico de Indicações

  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Birdman

Meryl Streep

Florence Foster Jenkins em Florence: Quem é Essa Mulher?

Dizer que Meryl Streep está bem em um filme pode ser considerado o cúmulo do pleonasmo. Em mais de quarenta anos de carreira, a atriz já deu vida às personalidades mais complexas da História, e em Florence – Quem É Essa Mulher, repete o feito mais uma vez ao interpretar a socialite personagem-título que ficou conhecida na década de 1940 por sua paixão por ópera – e sua tão forte inaptidão para cantá-la, sendo apelidada de “diva dos gritos” pelos conhecidos. No filme, até mesmo suas passagens escrachadas têm um propósito, mas devo dizer de que, comparando a outros filmes como O Diabo Veste Prada e A Dama de Ferro, sua indicação ao Oscar pode parecer inexplicável – além de ter desbancado outras concorrentes mais fortes neste ano.

Histórico de Indicações

  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Caminhos da Floresta, em 2015
  • Indicada como Melhor Atriz por Álbum de Família, em 2014
  • Venceu como Melhor Atriz por A Dama de Ferro, em 2012
  • Indicada como Melhor Atriz por Julie & Julia, em 2010
  • Indicada como Melhor Atriz por Dúvida, em 2009
  • Indicada como Melhor Atriz por O Diabo Veste Prada, em 2006
  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Adaptação, em 2003
  • Indicada como Melhor Atriz por Música do Coração, em 2000
  • Indicada como Melhor Atriz por Um Amor Verdadeiro, em 1999
  • Indicada como Melhor Atriz por As Pontes de Madison, em 1996
  • Indicada como Melhor Atriz por Lembranças de Hollywood, em 1991
  • Indicada como Melhor Atriz por Um Grito no Escuro, em 1989
  • Indicada como Melhor Atriz por Ironweed, em 1988
  • Indicada como Melhor Atriz por Entre Dois Amores, em 1986
  • Indicada como Melhor Atriz por Silkwood – O Retrato de uma Coragem, em 1984
  • Venceu como Melhor Atriz por A Escolha de Sofia, em 1983
  • Indicada como Melhor Atriz por A Mulher do Tenente Francês, em 1982
  • Venceu como Melhor Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer, em 1980
  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por O Franco Atirador, em 1979

Aposta: Emma Stone, mas não ignorem Isabelle Huppert

Voto do Bastidores: Emma Stone

Esnobada: Amy Adams, por A Chegada (sério, como isso aconteceu?)

Melhor Ator Coadjuvante

Se você quer mesmo ser um ator capaz de satisfazer a si mesmo e a platéia, você precisa ser vulnerável – Jack Lemmon

Mahershala Ali

Juan em Moonlight: Sob a Luz do Luar

Mahershala Ali pode não ser um dos reais protagonistas no novo filme de Barry Jenkins, mas sua aparição apenas no primeiro ato como o arquétipo paternal do jovem Chiron é de tirar o fôlego. Interpretando um comerciante de drogas chamado Juan, posso dizer que todos os seus momentos são de tirar o fôlego, principalmente em uma sequência na qual conversa com o protagonista sobre o tabu da sexualidade. Em Moonlight, Juan é uma presença marcante, adornada com sutis expressões de fraqueza que o transformam num personagem completo e frisando Ali como um dos favoritos da categoria.

Percurso na Temporada

  • SAG – Melhor Ator Coadjuvante
  • Critics Choice Awards – Melhor Ator Coadjuvante

Jeff Bridges

Marcus Hamilton em A Qualquer Custo

A narrativa de A Qualquer Custo demanda por alguém como Jeff Bridges para encarnar Marcus Hamilton, um dos oficiais que está no encalço de dois irmãos golpistas. Provindo da mesma safra que Robert de Niro e Al Pacino, Bridges entrega uma de suas melhores interpretações neste longa, mantendo a expressão franzina que nos transporta à década de 1980, mas aglutinando sutis nuances de personalidade que afastam o maniqueísmo heroico de seu personagem, tornando-o mais consistente e mais real.

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator por Bravura Indômita, em 2011
  • Venceu como Melhor Ator por Coração Louco, em 2010
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por A Conspiração, em 2000
  • Indicado como Melhor Ator por Starman – O Homem das Estrelas, em 1985
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por O Último Golpe, em 1975
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por A Última Sessão de Cinema, em 1972

Lucas Hedges

Patrick Chandler em Manchester À Beira-Mar

A expressão “os dois lados da mesma moeda” parece ter sido encarnado ao pé da letra por Lucas Hedges em Manchester À Beira-Mar. Aqui, ele interpreta Patrick, sobrinho do protagonista vivido por Casey Affleck, um adolescente cuja conturbada vida é ainda mais sobrecarregada após a morte do pai. Ao longo dos 130 minutos de narrativa, Hedges consegue nos transpassar uma atuação permeada por oscilações, refletindo a complexidade de seu personagem e como a ideia de “normalidade” é completamente diferente de pessoa para pessoa. É justamente quando essa postura é quebrada que vemos o sutil trabalho de construção de Hedges, e como o jovem ator tem um futuro brilhante pela frente.

Dev Patel

Saroo Brierley em Lion: Uma Jornada para Casa

Lion é um daqueles filmes que já parecemos ter assistido há alguns anos – e ele é intitulado Quem Quer Ser um Milionário? Logo, é de se esperar que Dev Patel nos entregue algo semelhante – e é exatamente isso o que acontece aqui. Dando vida ao órfão indiano Saroo Brierley (em sua fase mais velha, diga-se de passagem), a performance do ator parece incompleta: não entendemos exatamente de que modo o gatilho de seu passado é ativado pelo subconsciente, e todas as suas escolhas e emoções ocorrem pelo acaso. Apesar de conseguir convencer o público da necessidade de conhecer seu passado, Patel por vezes traz delineações mal estruturadas e destoantes do próprio tom do filme.

Percurso na Temporada

  • BAFTA – Melhor Ator Coadjuvante

Michael Shannon

Bobby Andes em Animais Noturnos

Animais Noturnos talvez comporte um time de personagens extremamente bem construído. Mas é Michael Shannon dentre todos do elenco que consegue roubar o foco em diversas sequências. Interpretando o xerife Bobby no filme dentro do filme, seu semblante blasée e quase inexpressivo é o que permite o afastamento completo de outras criações do gênero: é quase impossível saber o que ele pensa e quais serão suas próximas ações – e talvez Shannon, dentro de uma carreira recheada de atuações surpreendentes, entregue nesta obra assinada por Tom Ford uma performance cuja principal característica é a imprevisibilidade. Mesmo que muitos esperassem a presença de Aaron Taylor-Johnson aqui, Shannon cumpre a vaga com muita dignidade e respeito.

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por Foi Apenas um Sonho, em 2009

Aposta: Mahershala Ali

Voto do Bastidores: Michael Shannon

Esnobado: Aaron Taylor-Johnson, por Animais Noturnos

Melhor Atriz Coadjuvante

No ramo da atuação, você fica a vida inteira tentando fazer coisas pelas quais eles colocam pessoas em hospícios – Jane Fonda

Viola Davis

Rose Maxson em Um Limite Entre Nós

Assim como seu colega de cena, Denzel Washington, Viola Davis foi reescalada para o mesmo papel que lhe rendeu o Tony de Melhor Atriz em Fences. E assim como ele, tornou-se a favorita ao Oscar de coadjuvante, interpretando a dona de casa Rose Maxson, uma mulher forte e determinada e uma mãe superprotetora que constantemente tenta conciliar as desavenças que ocorrem entre os filhos e o marido. Davis, assim como em outros papéis extremamente versáteis aos quais deu vida, se entrega de forma completa neste filme, mantendo uma multidimensionalidade culminante num ápice catártico que a consolida – mais uma vez – como uma das melhores atrizes de sua geração.

Percurso na Temporada

  • SAG – Melhor Atriz Coadjuvante
  • BAFTA – Melhor Atriz Coadjuvante
  • Globo de Ouro – Melhor Atriz Coadjuvante
  • Critics Choice Awards – Melhor Atriz Coadjuvante

Histórico de Indicações

  • Indicada como Melhor Atriz por Histórias Cruzadas, em 2012
  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Dúvida, em 2009

Naomie Harris

Paula em Moonlight: Sob a Luz do Luar

Em Moonlight, Naomie Harris rouba a cena e transforma o mais simples momento numa construção dramática capaz de comover até os corações mais duros da audiência. No filme, ela interpreta Paula, uma complexa mãe que tenta conciliar seu vício em drogas e cuidar de seu único filho, Chiron. É notável que, para se afastar de suas fraquezas, ela se utiliza da raiva e da condição materna que demanda completa fidelidade por parte do garoto. Dentre as cenas mais marcantes, é digno citar o momento em que ela pede para Chiron nem sequer olhar para ela, contrapondo-se ao início do terceiro ato – no qual Paula entra em seu arco de redenção.

Nicole Kidman

Sue Brierley em Lion: Uma Jornada para Casa

Nicole Kidman talvez seja a melhor coisa de Lion, um filme de superação aos moldes de tantos outros que utilizam o tema da “volta do filho pródigo” para casa. Sue Brierley, a personagem que interpreta, é uma mulher australiana que adota o jovem Saroo (Dev Patel), uma criança indiana que se perdeu da mãe e acabou em um orfanato. Sua performance é crível o suficiente para sentirmos sua dor ao ver a vida que construiu com tanto espero se despedaçar implacavelmente, cuja catarse restringe-se à expressão vazia e ao profundo olhar – tornando Kidman uma escolha interessante, porém descartável para o prêmio de atriz coadjuvante.

Histórico de Indicações

  • Indicada como Melhor Atriz por Reencontrando a Felicidade, em 2011
  • Venceu como Melhor Atriz por As Horas, em 2003
  • Indicada como Melhor Atriz por Moulin Rouge: Amor em Vermelho, em 2002

Octavia Spencer

Dorothy Vaughan em Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo conta a história do trio de mulheres negras que, em meados da década de 1960, foi de suma importância para a chegada do homem à lua. Taraji P. Henson e Janelle Monáe certamente brilham em cena, mas é Octavia Spencer quem rouba a atenção com sua angustiante expressão de calma e seus comentários ácidos sobre o racismo e a falta de comprometimento que sofre por parte de seus chefes. Dando vida à chefe das estagiárias, sua personagem infelizmente não tem tanto protagonismo quanto às outras duas e, apesar de Spencer entregar uma performance comovente, ainda sentimos falta de sua presença um pouquinho mais ao longo do filme.

Histórico de Indicações

  • Venceu como Melhor Atriz Coadjuvante por Histórias Cruzadas, em 2012

Michelle Williams

Randi Chandler em Manchester à Beira-Mar

Em um filme dramático e com uma construção narrativa nada convencional, é fácil se perder quando falamos sobre os arcos dos personagens. Felizmente, Manchester À Beira-Mar não é uma dessas obras sem pé na cabeça, trazendo temas válidos na forma de personagens tocantes – e é aqui que devo citar a incrível performance de Michelle Williams como Randi Chandler, ex-esposa do protagonista Lee. Sua atuação começa com uma determinação sobrenatural que gradativamente dá margem para fraquezas emocionais que convergem para uma comovente cena na qual todos os seus fantasmas do passado explodem de uma vez só e ela se dá conta dos erros que cometeu, ao mesmo tempo em que tenta seguir em frente sem abandonar a mulher que outrora foi.

Histórico de Indicações

  • Indicada como Melhor Atriz por Sete Dias com Marilyn, em 2012
  • Indicada como Melhor Atriz por Namorados para Sempre, em 2011
  • Indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain, em 2006

Aposta: Viola Davis

Voto do Bastidores: Viola Davis

Esnobada: Janelle Monáe, por Estrelas Além do Tempo

Gostaram? Quais as suas apostas e preferidos destas categorias? Comente e fique ligado, pois na quinta-feira lançaremos o segundo volume do especial!

Comente!