Chegamos à última parte do Especial Bastidores sobre o Oscar 2017! Depois de atravessarmos as categorias de atuação, toda a produção técnica e as categorias sonoras, é hora de analisarmos as categorias principais, que envolvem os trabalhos de roteiro, direção e os da grande categoria dos prêmios da Academia.

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Contém textos de Daniel Sodré, Henrique Artuni, Lucas Nascimento, Matheus Fragata, Rodrigo de Assis, Thiago Nolla e a ilustre contribuição de Pedro Chamon Pardim.

Vamos lá:

Melhor Roteiro Original

Se você não está fracassando com muita frequência, é um sinal de que não está fazendo nada de inovador – Woody Allen

O Lagosta

Escrito por Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou

O primeiro indicado na categoria é certamente aquele que mais preza a “originalidade”, com a trama louca concebirda pelos gregos Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou para O Lagosta, onde um grupo de solteiros se hospeda em um hotel onde são forçados a encontrarem o par romântico definitivo; do contrário, serão transformados irreversivelmente em animais. É basicamente a “versão Black Mirror de Are You the One?“, com a premissa bizarra rendendo uma narrativa divertida e beneficiada por ótimos momentos de um humor peculiar, especialmente nas neuras do protagonista de Colin Farrell e as boas soluções que o texto da dupla encontra. (LN)

Quote: “Nós dançamos sozinhos. Por isso só tocamos música eletrônica.” – A Líder Solitária

La La Land: Cantando Estações 

Escrito por Damien Chazelle

Novamente lembrado na categoria de roteiro, não está sendo um ano ruim para Damien Chazelle. Enquanto muitos haters de La La Land atacam a história do filme por ser “fraca”, a verdade incontestável é que ela é… Simples, e isso de forma alguma a qualifica como ruim, muito pelo contrário; ainda mais porque Chazelle é um ótimo roteirista. Seus dois protagonistas seguem arquétipos básicos que já vimos diversas vezes no cinema, mas é através da insegurança e esperança da personagem de Mia, da paixão incontrolável de Sebastian pelo jazz e a nostalgia que temos aí uma história bem contada sobre sonhos e o interminável duelo entre Passado e Futuro, Amor e Carreira e a constante procura para encontrar nosso lugar no mundo. (LN)

Quote: “Los Angeles é assim, eles veneram tudo, mas não valorizam nada” – Sebastian

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Roteiro

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Roteiro Adaptado por Whiplash: Em Busca da Perfeição, em 2015

Manchester à Beira-Mar

Escrito por Kenneth Lonergan

Você sabe que um roteiro é bom quando, ao final da projeção, sente que poderia passar mais 4 horas apenas ouvindo e acompanhando o cotidiano daqueles personagens. Altamente naturalista e minimalista, Kenneth Lonergan usa de uma prosa simples para acompanhar a tragédia que move o personagem de Lee Chandler em Manchester à Beira-Mar, sendo excepcional na confecção de diálogos envolventes, personagens multifacetados e situações que são capazes de envolver o espectador com muita sutileza. A tal tragédia que muda para sempre a vida do protagonista é chocante e tristíssima, e Lonerghan trabalha bem suas ramificações e a tentativa de Lee de enfim seguir em frente. É sem dúvidas uma aula de estudo de personagem. (LN)

Quote: “Todos os meus amigos estão aqui. Eu tô no time de hóquei, no de basquete… Preciso cuidar do nosso barco agora. Trabalho no barco do Joe duas vezes por semana. Tenho duas namoradas, e tenho uma banda.” – Patrick Chandler

Percurso na Temporada

  • BAFTA – Melhor Roteiro Original

Mulheres do Século 20

Escrito por Mike Mills

O momento em que a mãe do protagonista de Mulheres do Século 20 pede para outras mulheres, que de certa forma participam e influenciam na vida do rapaz, a ajudem na criação de seu filho é fundamental para entender o porquê do filme funcionar tão bem. Com um caráter quase episódico, o roteiro nos permite conhecer e se apegar a cada uma dessas personagens. Os diálogos, em nenhum momento demasiadamente expositivos ou pouco naturais, denotam o choque de gerações, sempre presente numa relação entre pais e filhos, e a dificuldade de se criar uma comunicação familiar (no sentido mais amplo e humano da palavra família) sadia. Esta obra semiautobiográfica de Mike Mills não só encanta pelo desenvolvimento de personagens cativantes e interessantes, como é também um belo retrato da juventude americana na virada dos anos 70 para os 80. (PCP)

Quote: “Me perguntando se estar feliz é só um grande atalho para estar depressiva.” – Dorothea

Histórico de Indicações

  • Indicado como Roteiro Original (com Jay Cocks e Steven Zaillian) por Gangues de Nova York, em 2003
  • Indicado como Roteiro Original por Conte Comigo, em 2001

A Qualquer Custo 

Escrito por Taylor Sheridan

Depois de despontar como roteirista em Sicario – Terra de Ninguém, Taylor Sheridan acerta ainda mais em cheio com seu segundo roteiro, o neo western A Qualquer Custo. Sheridan novamente demonstra interesse pelo crime e as figuras desequilibradas que habitam esse meio, agora com uma trama simplista e redonda sobre dois irmãos assaltantes e a dupla de policiais que os perseguem pelo interior dos EUA. É uma história competente e povoada por personagens únicos, e Sheridan ainda é bem sucedido em criar um esquema inteligente para o método dos protagonistas e até falar um pouco sobre a crise econômica americana. (LN)

Quote: “Me digam, o que não vão querer?” – Garçonete do T-Bone

Aposta: Manchester à Beira-Mar

Voto do Bastidores: Manchester À Beira-Mar

Esnobado: Dois Caras Legais, de Shane Black

Melhor Roteiro Adaptado

Bons escritores tomam emprestado de outros escritores. Grandes escritores roubam deles na cara dura – Aaron Sorkin

A Chegada

Escrito por Eric Heisserer, baseado no livro “Story of Your Life”, de Ted Chiang

Que lição de vida. Vindo do roteiro do remake questionável de A Hora do Pesadelo, Eric Heisserer escreveu um dos mais belos e complexos roteiros de 2016, elevando o curto conto de Ted Chiang para algo mais profundo e especial. De cara, é fascinante como o texto de Heisserer é totalmente focado no diálogo, tanto entre seus personagens quanto naquele que os humanos tentam construir entre os alienígenas, frisando a importância da comunicação nas entrelinhas e sintetizando perfeitamente bem a experiência ao trazer um dos personagens dizendo que “a língua é a primeira arma sacada durante um conflito”. É tudo muito bem feito e eficiente, mas Heisserer também merece créditos gigantescos pela inesperada reviravolta que envolve o presente dos alienígenas e a personagem de Amy Adams. (LN)

Quote: “Se você pudesse ver sua vida inteira do começo ao fim, mudaria alguma coisa?” – Dra. Louise Banks

Percurso na Temporada

  • WGA – Melhor Roteiro Adaptado

Estrelas Além do Tempo

Escrito por Allison Schroeder e Theodore Melfi, baseado no livro Hidden Figures – The American Dream and the Untold Story of the Black Women Mathematicians Who Helped Win the Space Race, de Margot Lee Shetterly

Uma coisa acerca de Estrelas Além do Tempo é inegável: a história é importantíssima e é uma obrigação conhecê-la e lhe oferecer o mérito necessário, ainda mais porque os feitos de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson nunca ganharam muita atenção na mídia ou no cinema – eu particularmente não fazia ideia até o anúncio do filme. Porém, o roteiro de Allison Schroeder e do diretor Theodore Melfi não faz justiça à história das mulheres negras da NASA, sendo algo primário demais e que sacrifica o realismo em prol de frases de efeito, personagens terrivelmente cartunescos e uma distribuição de personagens irregular. É correto nos fatos e no quesito científico da “ciência de foguete”, mas quando temos o personagem de Kevin Costner combatendo o racismo ao atestar que “na NASA todos mijamos da mesma cor”, é sinal de que estamos diante de cafonice. Estrelas Além do Tempo merecia um roteiro mais humano e com personagens desenvolvidos, pois frases de efeito não são o bastante. (LN)

Quote: “Eles deixam mulheres fazerem coisas na NASA. E não é porque usamos saias, é porque usamos óculos” – Katherine Johnson

Lion: Uma Jornada para Casa

Escrito por Luke Davies, baseado no livro “A Long Way Home”, de Saroo Brierley

Mais uma história real na disputa, Luke Davies adapta o livro do próprio Saroo Brierley, o que por si só já deve garantir uma intimidade e autenticidade muito poderosa com a narrativa. Porém, confesso que não há nada de muito inovador na prosa de Davies, que conta uma história básica e simples de forma eficiente, mas que acaba se confundindo com as intenções de seus personagens. Por exemplo, todo o drama que se cria entre Saroo e sua mãe adotiva é lidado de forma abrupta e sem muita profundidade, ao passo em que uma personagem secundária como aquela vivida por Rooney Mara é uma mera muleta narrativa, sendo descartada sem maiores explicações. O grande mérito do roteiro reside na forma como Davies explica como Saroo é capaz de encontrar sua mãe biológica, em um dos mais expressivos usos de Google Earth do cinema recente. (LN)

Quote: “Você faz ideia de como é? De como todo dia minha mãe grita meu nome?” – Saroo 

Percurso na Temporada

  • BAFTA – Melhor Roteiro Adaptado

Um Limite Entre Nós

Escrito por August Wilson, baseado em sua própria peça “Fences”

Única indicação póstuma de ambas as categorias de roteiro, o dramaturgo August Wilson adaptou sua peça Fences ainda em 2005, tendo sido considerado um roteiro infilmável por muitos anos. E, realmente, ao vermos o filme de Denzel Washington, fica bem claro que é muito difícil que uma narrativa que consiste de diálogos 100% do tempo (sem exagero) capture a atenção do público, sendo algo que acaba bem mais preso à linguagem teatral do que cinematográfica. Porém, isso é mais responsabilidade de Washington em traduzir a linguagem para sua mídia, enquanto o texto de Wilson é absolutamente primoroso e conta com diálogos muito mais sofisticados e profundos do que seus concorrentes aqui. São longos monólogos e embates que exploram o colapso social de Troy Maxson e as complicadas relações com seus filhos, esposa e amigos. (LN)

Quote: “Um homem deve cuidar da família. Você mora na minha casa, enche a barriga com a minha comida, dorme na minha cama porque você é meu filho. É meu dever cuidar de você, eu te devo essa responsabilidade. E eu não preciso gostar de você!” – Troy Maxson

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Escrito por Barry Jenkins, baseado na peça inédita de Tarell Alvin McCraney

Aqui temos mais uma das complicadas questões de classificação da Academia. O roteiro de Moonlight percorreu toda a temporada de prêmios na categoria Roteiro Original, mas acabou entrando como Adaptado no Oscar, pois o roteiro de Barry Jenkins veio de uma peça nunca produzida de Tarell Alvin McCraney. Mas enfim, o que vale é que a prosa de Jenkins é muito eficiente e trata com delicadeza e muita honestidade todos os temas complexos de sua narrativa de três atos temporais. Ainda que traga uma quantidade enorme de clichês e convenções, é tudo feito com humanidade e uma profunda reflexão, especialmente nos diálogos que envolvem Chiron e seu “mentor” Juan, com grande destaque para a desconfortável e forte cena em que o pequeno Chiron questiona se seu amigo é um traficante de drogas. (LN)

Quote: “Bicha é uma palavra que usam pra fazer pessoas gays se sentirem mal.” – Juan

Percurso na Temporada

  • USC Scripter – Melhor Roteiro Adaptado
  • WGA – Melhor Roteiro Original

Aposta: Moonlight

Voto do Bastidores: Um Limite Entre Nós

Esnobado: Silêncio, de Martin Scorsese e Jay Cocks

 

Melhor Diretor

Se uma coisa pode ser escrita ou pensada, ela pode ser filmada – Stanley Kubrick

Damien Chazelle

La La Land: Cantando Estações

E a jornada de Damien Chazelle atinge um novo ápice. O jovem diretor que impressionou platéias com seu modesto e simples Whiplash agora toma o mundo todo com seu maravilhoso musical La La Land, onde vemos também um aprimoramento de sua técnica e um escopo muito mais grandioso e sofisticado do que em seu longa anterior. Dedicado a prestar uma homenagem aos musicais da Hollywood clássica ao mesmo tempo em que cria algo moderno, Chazelle aposta em coreografias elaboradas e uma variedade de planos sequência surpreendentes e movimentos de câmera verdadeiramente engenhosos, já começando com o pé na porta durante a elogiada sequência de abertura que nos apresenta a um número musical sem cortes em meio a um engarrafamento em uma ponte. A câmera de Chazelle dança e movimenta-se com fluidez, ao mesmo tempo em que dá o espaço necessário para o inspiradíssimo casal protagonista e usa de efeitos da velha guarda, como o “chicote” (pans velozes de um plano ao outro que têm mostrado-se como sua marca registrada). Damien Chazelle é um talento nato, e tenho certeza de que estamos diante do início de uma grande carreira para o cinema americano. (LN)

Percurso na Temporada

  • DGA – Melhor Diretor em Longa Metragem
  • BAFTA – Melhor Diretor
  • Globo de Ouro – Melhor Diretor
  • Critics Choice Awards – Melhor Diretor

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Roteiro Adaptado por Whiplash: Em Busca da Perfeição, em 2015

Mel Gibson

Até o Último Homem

Quem diria, Mel Gibson foi perdoado. Após uma década longe da cadeira de diretor, envolto em polêmiacas pessoais e um escandâlo midiático que também o afastou do grande público, Gibson retorna triunfalmente com o brutal e impactante Até o Último Homem, filme que é facilmente o melhor do gênero guerra desde O Resgate do Soldado Ryan, e isso se deve muito às cenas de batalha. Aqui, vemos toda a violência e a carnificina de um dos mais intensos combates da Segunda Guerra Mundial, com a câmera de Gibson registrando cada tiro, mutilação e imolação de forma gráfica e intensa – além do nítido uso de efeitos práticos e esforçados dublês -, tecendo uma atmosfera assustadora e imprevisível para o ingênuo protagonista. Aliás, essa brutalidade é o contraponto perfeito para o primeiro ato excessivamente açucarado e piegas (desde beijos em câmera lenta até momentos dignos de Michael Bay), demonstrando a segurança do diretor em quebrar completamente aquele universo colorido e otimista. Que Mel Gibson não fique mais tanto tempo afastado, já que demonstra um talento excepcional na função. (LN)

Histórico de Indicações

  • Venceu como Melhor Diretor e Melhor Filme (com Alan Ladd Jr. e Bruce Davey) por Coração Valente, em 1996

Barry Jenkins

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Com uma carreira que rapidamente vai tornando-se mais interessante, Barry Jenkins traz o triunfo de ter realizado Moonlight: Sob a Luz do Luar com um orçamento surpreendentemente baixo, de 1,5 mihões de dólares. São números baixíssimos, mas seu talento como diretor é algo absurdamente impressionante com os três atos que acompanham a vida do protagonista Chiron, com uma câmera sempre em movimento, na mão e que acompanha seus personagens através de elegantes planos longos (panorâmicas são usadas aqui tanto para situar, como para tornar uma situação mais desesperadora). A delicadeza também é uma característica forte de Jenkins, especialmente ao explorar a sexualidade do protagonista nos diferentes atos da projeção, assumindo assim uma câmera mais fixa e um pacing mais silencioso e contemplativo, como a belíssima cena do primeiro beijo na praia (o plano detalhe da mão de Chiron é o toque que torna a cena 10 vezes mais especial) e toda a sequência do reencontro entre Chiron e Kevin. Definitivamente um nome para seguirmos de perto. (LN)

Kenneth Lonergan

Manchester à Beira-Mar

Dentre todos os indicados da categoria, Kenneth Lonergan tem o trabalho mais discreto de direção. Mais roteirista do que a função superior, Lonergan merece elogios pelo controle do ritmo lento de Manchester à Beira-Mar e seu tom incomum, que varia do drama para um estranho senso de humor de forma elegante e verossímel. Seus enquadramentos são do tipo mais simples possível, mantendo o foco em seus elenco (plano e contra plano é a máxima de Lonergan aqui) e em uma paisagem predominantemente fria e sem vida. É uma indicação merecida pelo domínio narrativo e a poderosíssima direção de atores, sendo bem capaz de fornecer a cada intérprete ao menos uma cena excepcional, vide o longo travelling que revela o grande trauma de Lee Chandler. Mas, novamente, o grande mérito de Lonergan reside em seu roteiro impecável. (LN)

Histórico de Indicações

  • Indicado como Roteiro Original (com Jay Cocks e Steven Zaillian) por Gangues de Nova York, em 2003
  • Indicado como Roteiro Original por Conte Comigo, em 2001

Denis Villeneuve

A Chegada

Que alegria finalmente ver Denis Villeneuve sendo reconhecido! Vindo de trabalhos excepcionais na direção de filmes como O Homem Duplicado, Os Suspeitos e Sicario, o franco-canandense recebe sua primeira indicação como diretor pela ficção científica transcedental que é A Chegada. Para um filme de alienígenas, Villeneuve sobressai-se ao tecer uma narrativa silenciosa e que toma seu tempo com planos longos e contemplativos, principalmente na interação entre os personagens humanos. Já os elementos mais fantásticos ganham um tratamento incrível, vide o sofisticado plano que nos revela a concha alienígena pela primeira vez ou as brincadeiras visuais com a gravidade da câmara heptapóde na apresentação dos seres, que merece mérito também pela inacreditável tensão que o diretor é capaz de conduzir. Villeneuve ainda tem espaço para uma abordagem sensível e tipicamente “Terrence Malickiana” para os trechos de memória da protagonista com sua filha; aliás, com todas as cenas ambientadas nesse recurso de flashbacks. Que venha Blade Runner. (LN)

Aposta: Damien Chazelle

Voto do Bastidores: Damien Chazelle

Esnobado: Martin Scorsese, por Silêncio

Melhor Filme

Toda vez que eu vou ao cinema, é mágico. Não importa sobre o que é o filme – Steven Spielberg

Até o Último Homem

Produção de Bill Mechanic e David Permut

Raramente há um filme como Até o Último Homem em produção. Seja pelo caráter de sua mensagem que não se acovarda em mostrar suas vertentes cristãs e, muitas vezes, libertárias. Como já dito antes, não se trata de um longa limitado apenas por isso. De tantas qualidades cinematográficas envolvidas, da proeza da realização em recriar a guerra em seus meticulosos detalhes, além de exibir diversas naturezas do espírito humano, creio que dificilmente ficará decepcionado com este filme. É a celebração da transformação causada justamente por um indivíduo, sua ideologia e seus atos pacíficos. De como em um ambiente tão inóspito, estressante, pútrido, um vale da sombra da morte, pode acontecer o mais belo dos milagres: o amor ao próximo. (MF)

A Chegada

Produção de Shawn Levy, Dan Levine, Aaron Ryder e David Linde

Com A Chegada, o Cinema ganha mais uma valiosa adição para o gênero de ficção científica. Seu discurso constante sobre libertação e linguagem é tão valioso que transcende até mesmo sua forma ao conseguir expandir a sala de cinema como uma figura de comunicação ativa na obra. É um tipo de experiência única que merece sua atenção enquanto está em cartaz, pois Villeneuve torna essa obra excelente na sua assinatura máxima como cineasta completo. Há, com certeza, um efeito de elevação de consciência devido às exigências do longa em nos fazer decifrar tantas simbologias inteligentes ordenadas pela encenação. É pureza e beleza cinematográfica como há tempos não se via. (MF)

Estrelas Além do Tempo

Produção de Donna Gigliotti, Peter Chernin, Jenno Topping, Pharrell Williams e Theodore Melfi

Pode ser confundido com filme alegre para levantar a moral, mas vai muito além. A história tem um ótimo ritmo que nunca te faz olhar no relógio. Conta ótimas personagens. Estrelas Além do Tempo conta uma história que deve ser ouvida, sobre pessoas muito importantes que não só levaram a humanidade a lua, mas também quebraram preconceitos e estigmas dentro da NASA e consequente no mundo. (DS)

Percurso na Temporada

  • SAG – Melhor Elenco

Histórico de Indicações

Pharrell Williams

  • Indicado como Melhor Canção Original, por Meu Malvado Favorito 2, em 2013

La La Land: Cantando Estações

Produção de Fred Berger, Jordan Horowitz e Marc Platt

Com apenas dois filmes no currículo, Damien Chazelle estabelece-se desde já como um dos nomes mais fortes do atual cinema americano. La La Land: Cantando Estações é um filme absolutamente apaixonante e otimista, servindo como uma carta de amor aos musicais da Velha Hollywood e uma ode à incrível capacidade humana de perseguir seus sonhos. Em tempos tão sombrios, filmes como são esse são a rara joia que nos motivam a seguir em frente, e eu só consigo agradecer por existir. (LN)

Percurso na Temporada

  • PGA
  • Globo de Ouro – Melhor Filme Musical/Comédia
  • Critics Choice Awards – Melhor Filme

Histórico de Indicações

Marc Platt

  • Indicado como Melhor Filme (com Steven Spielberg e Kristie Macosko Krieger) por Ponte dos Espiões, em 2016

Um Limite Entre Nós

Produção de Scott Rudin, Denzel Washington e Todd Black

Um Limite Entre Nós entrega exatamente o que promete. O longa, apesar de seus claros defeitos, não deixa a desejar no quesito competência e emoção, mas já aviso que ele não agradará a todos – assim como não será entendido por todos. Entretanto, sua densa narrativa é uma ótima metáfora para a nossa sociedade e o modo como os relacionamentos se constroem ao longo do tempo. (TN)

Histórico de Indicações

Scott Rudin

  • Indicado como Melhor Filme (com Wes Anderson, Steven Rales e Jeremy Dawson) por O Grande Hotel Budapeste, em 2015
  • Indicado como Melhor Filme (com Dana Brunetti e Michael De Luca) por Capitão Phillips, em 2014
  • Indicado como Melhor Filme por Tão Forte e Tão Perto, em 2012
  • Indicado como Melhor Filme (com Dana Brunetti, Michael De Luca e Céan Chaffin) por A Rede Social, em 2011
  • Indicado como Melhor Filme (com Ethan Coen e Joel Coen) por Bravura Indômita, em 2011
  • Vencedor como Melhor Filme (com Ethan Coen e Joel Coen) por Onde os Fracos Não Têm Vez, em 2008
  • Indicado como Melhor Filme (com Robert Fox) por As Horas, em 2003

Denzel Washington

  • Indicado como Melhor Ator por O Voo, em 2013
  • Venceu como Melhor Ator por Dia de Treinamento, em 2002
  • Indicado como Melhor Ator por Hurricane: O Furacão, em 2000
  • Indicado como Melhor Ator por Malcolm X, em 1993
  • Venceu como Melhor Ator Coadjuvante por Tempo de Glória, em 1989
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade, em 1988

Lion: Uma Jornada para Casa

Produção de Emile Sherman, Iain Canning e Angie Fielder

Garth Davis dá a entender que tem plena noção da proposta do filme e cuidou para que o tom fosse leve. Por mais que seja gostoso de assistir, o público não pode permitir-se a desatinar em choro, pois o drama não se estende por tempo o suficiente. No final, só algumas lágrimas bastam para absorver Lion e preencher o vazio que somos levados a sentir junto com Saroo Brierley. (RdA)

Histórico de Indicações

Emile Sherman

  • Vencedor como Melhor Filme (com Ian Canning e Gareth Unwin) por O Discurso do Rei, em 2011

Ian Canning

  • Vencedor como Melhor Filme (com Emile Sherman e Gareth Unwin) por O Discurso do Rei, em 2011

Manchester À Beira-Mar

Produção de Matt Damon, Kimberly Steward, Chris Moore, Lauren Beck e Kevin J. Walsh

A turbulência para Lonergan é convertida em ironia, quer na cena muda na igreja, em slow-motion leve, quer quando toca-se ópera em cenas sérias (o melodrama sonoro é estranho à melancolia dos corpos deslocados na tela), quer, ainda, no final pouco otimista. Filmes como esse são raros no cinema americano de hoje. Logo, mesmo não sendo único, possui qualidades que dispensam a pasteurização das premiações que virão a seguir. (HA)

Histórico de Indicações

Matt Damon

  • Indicado como Melhor Ator por Perdido em Marte, em 2016
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante por Invictus, em 2010
  • Vencedor como Melhor Roteiro Original (com Ben Affleck) por Gênio Indomável, em 1997
  • Indicado como Melhor Ator por Gênio Indomável, em 1997

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Produção de Adele Romanski, Dede Gardner e Jeremy Kleiner

Moonlight: Sob a Luz do Luar é uma história impactante e familiar, mas que ganha força graças ao poderio técnico e narrativo de Barry Jenkins, que explora cantos e raízes de um contexto que raramente é explorado no cinema americano. Não só sua câmera é infalível, o elenco perfeitamente dribla e nos faz ignorar os clichês da história, tornando esta uma experiência memorável e necessária, especialmente ao jogar a luz em temas complicados e tratá-los com sinceridade. (LN)

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Filme de Drama

Histórico de Indicações

Dede Gardner

  • Indicada como Melhor Filme (com Brad Pitt e Jeremy Kleiner) por A Grande Aposta, em 2016
  • Indicada como Melhor Filme (com Christian Colson, Oprah Winfrey e Jeremy Kleiner) por Selma: Uma Luta pela Igualdade, em 2015
  • Vencedora como Melhor Filme (com Brad Pitt, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas) por 12 Anos de Escravidão, em 2014
  • Indicada como Melhor Filme (com Sarah Green, Bill Pohlad e Grant Hill) por A Árvore da Vida, em 2012

Jeremy Kleiner

  • Indicada como Melhor Filme (com Brad Pitt e Dede Gardner) por A Grande Aposta, em 2016
  • Indicada como Melhor Filme (com Christian Colson, Oprah Winfrey e Dede Gardner) por Selma: Uma Luta pela Igualdade, em 2015
  • Vencedora como Melhor Filme (com Brad Pitt, Dede Gardner, Steve McQueen e Anthony Katagas) por 12 Anos de Escravidão, em 2014

A Qualquer Custo

Produção de Carla Hacken e Julie Yorn

Simples e eficiente em sua proposta, A Qualquer Custo é mais um exemplar digno do neo western, e um atestado do crescente talento de Taylor Sheridan como roteirista, que aqui tem suas ideias e personagens ganhando vida pelas mãos de um impecável diretor e um elenco talentoso. A prova de que uma história fechada e sem grandes inovações pode render uma experiência envolvente e com muito a dizer em suas entrelinhas. (LN)

Aposta: La La Land

Voto do Bastidores: La La Land

Esnobado: Silêncio

E é isso! Todas as apostas estão feitas e o Bastidores se prepara para mais uma noite de Oscar. Comente o que achou e ofereça suas próprias opiniões quanto a possíveis vencedores!

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